Friday, December 11, 2009

Podcon 2009

via tweetie

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@racum apresentando números inéditos da PodPesquisa 2009 http://migre.me/e5t9

Podcon 2009

via tweetie

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@racum preparando-se para apresentar os números inéditos da PodPesquisa 2009 http://migre.me/e5t9

Friday, December 04, 2009

A prática leva à perfeição

ou... como um tarde quase que inteira ao telefone do escritório rende à prática.

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Thursday, December 03, 2009

Impressões Digitais do YOUPIX dez 2009


YOUPIX dez 2009
01/12/2009
de Sergio Vieira

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Peace through the music

Algums coisas superam os teóricos da estética e curadores da arte erudita... 

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Tuesday, December 01, 2009

I Dig it 063

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua versão LongPlay, edição nº 63 (#013)

Esta é mais uma das edições da versão Long Play do Podcast Impressões Digitais.

I Dig it 063 v. LP 13 (playlist)

Come Together (Beatles) - Michael Chapdelaine
Habanera/Carmen (Bizet) - Bobby Mc Ferrin & Aziza Mustafa Zadeh
Improviso voz e baixo de 5 cordas (Bobby Mcferrin e Richard Bona)
Improviso ao vivo (Montreaux Jazz Festival 1979) - Hermeto Pascoal

email: idigitais@gmail.com - skype: v.sergio - twitter: @sergiovds
http://impressoes.vocepod.com - http://sergiovds.blogspot.com - http://sergiovds.wordpress.com

Monday, November 30, 2009

Meditação Nerd

O que passa na mente dos homens...

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Sunday, November 22, 2009

I Dig it 062b (Parte 2)

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua versão Compacto Duplo, edicao nº 62b

PARTE 2:

Compacto Duplo: Background: Quintet In A Major, Opus 114, D667 'The Trout' (Franz Schubert); Rhapsody on a Theme of Paganini (Sergei Rachmaninoff); Clair de Lune (Claude Debussy), Atraente (Chiquinha Gonzaga)

Lado B: Abre Alas (Chiquinha Gonzaga) versao Antonio Adolfo

INTRO:

Esta é a segunda e última parte do Impressões Digitais versão Compacto Duplo edição 62, então, caso não tenha ouvido a 1ª parte pare por aqui e ouça a edição anterior. Se já a ouviu, vamos em frente...

HOMO SAPIENS (ou Timeline):

1834: Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil, morre em Queluz, Portugal.

1835: Início da Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. Posse de Diogo Feijó como Regente Único do Império. Decreto 101 autorizando a construção de ferrovias no Império.

1836: Recuperação de Porto Alegre pelos legalistas. Charles Darwin, a bordo do HMS Beagle, retorna à Bahia. O coronel farroupilha Antônio de Sousa Neto proclama a República Rio-Grandense (também conhecida como a República do Piratini), com a sede de Piratini. Batalha do Fanfa (Revolução Farroupilha). Derrota das tropas de Bento Gonçalves, chefe dos farroupilhas, no rio Jacuí. A República de Piratini é estabelecida.

1838: O Colégio Dom Pedro II é inaugurado no Rio de Janeiro. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro é fundado no Rio de Janeiro.

1839: A República Juliana é um estado republicano proclamado no atual estado de Santa Catarina. Rendição da cidade de Caxias aos balaios. Manuel Congo, líder de levante de escravos, é enforcado no Rio de Janeiro.

1840: Câmara aprova o projeto de dispensa de idade de Dom Pedro II. A maioridade de Dom Pedro II é decretada pela Assembléia Geral. Composição do primeiro gabinete ministerial da maioridade. Dom Pedro II assume o trono, com apenas 14 anos, 7 meses e 22 dias.

1841: Dom Pedro II é aclamado e coroado como o segundo imperador. O Real Conservatório de Música do Rio de Janeiro é criado.

1842: Revolta Liberal em Minas Gerais e São Paulo. Dom Pedro II casa-se com a princesa Teresa Cristina Maria de Bourbon. Fundada a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Estabelecimento do selo postal.

1843: A Constituição da República Rio-Grandense é aprovada em Alegrete. Petrópolis é criada por decreto de Dom Pedro II. Dom Pedro II, aos 18 anos, casa-se com D. Teresa Cristina Maria de Bourbon, com 21 anos.

1844: O governo brasileiro reconhece a independência do Paraguai.

1845: Fim da Guerra dos Farrapos e da República Rio-Grandense. O Slave Trade Suppression Act ou Aberdeen Act, mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen é aprovado pelo Parlamento da Grã-Bretanha e proíbe o comércio de escravos entre a África e a América.

1846: A primeira lei eleitoral, elaborada pelo Poder Legislativo, é assinada pelo Imperador. Surge o Zé Pereira no Rio de Janeiro.

1848: Manaus, capital do Amazonas, é fundada. Início da Praieira, em Pernambuco.

1849: Revolta de escravos no Espírito Santo. Os rebeledes da Revolução Praiaeira se rendem).

1850: O Imperador do Brasil, D. Pedro II, aprova a Lei Eusébio de Queirós, que reprime o tráfico negreiro como pirataria. Esta lei sim, cumprida e fiscalizada pelo Estado, termina com o tráfico negreiro causando um sério revés na economia.

1851: Os primeiros imigrantes suiços e alemães chegam à Colônia Dona Francisca (SC). Início da Guerra contra Oribe e Rosas na Batalha de Tonelero.

1852: Fim da Guerra contra Oribe e Rosas.

1853: Dom Pedro II sanciona a Lei que permite a fusão de dois dos maiores bancos particulares da época: o Comercial do Rio de Janeiro e o Banco do Brasil. A Província do Paraná é criada.

1854: Envio de tropas brasileiras ao Uruguai. É inaugurada a primeira ferrovia do país em Petrópolis, Rio de Janeiro.

1855: É fundada a 1ª sociedade carnavalesca, a Tenentes do Diabo (inicialmente com o nome Zuavos Carnavalescos).

1856: O Pacto de Navegação é assinado entre o Brasil e a Argentina.

1858: A estrada de ferro Dom Pedro II, atual Central do Brasil, é inaugurada.

1859: O Tratado definitivo entre Brasil, Argentina e Uruguai, no Rio de Janeiro.

1861: A Caixa Econômica Federal é criada no Rio de Janeiro. Naufrágio do Prince of Walles , cargueiro britânico, no litoral gaúcho, cuja carga fora roubada.

1862: Dois marinheiros ingleses foram presos no Rio de Janeiro, após importunar um policial. Tal fato somado ao caso do Prince of Wales, o ministro inglês William Dougall Christie exigiu indenização e pedido de desculpas. O Brasil não atendeu às exigências, tendo cinco navios aprisionados pela esquadra britânica. O Sistema Métrico Francês é adotado no país. As barcas entre Rio de Janeiro e Niterói, na Baía de Guanabara, é inaugurada.

1863: O Brasil paga indenização pelo caso do cargueiro britânico e ganha o caso dos marinheiros ingleses sob julgamento internacional pelo Rei Leopoldo I da Bélgica.

1864: Batalha Naval na Bahia entre CSS Florida e USS Wachusett. A princesa Isabel casa-se com o conde D’Eu. Início da Guerra contra Aguirre. O presidente paraguaio, Solano López, declara guerra ao Império do Brasil. A princesa Leopoldina casa-se com o duque de Saxe.

1865: As relações do Brasil com a Inglaterra são reatadas, após pedido de desculpas dos ingleses. Brasil, Uruguai e Argentina assinam o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

1866: As juntas de guerra entre os aliados são convocadas. Inúmeras batalhas da Guerra do Paraguai: Batalha de Tuiuti. Batalha de Curupaiti. Luís Alves de Lima e Silva é nomeado para comandante-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai.

1868: O agora marechal Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) é nomeado para o comando-geral dos exércitos da Tríplice Aliança e derrota os paraguaios na Batalha da Ponte de Itororó. No Rio, surgem os bondes de tração animal, pertencentes à Companhia de Carris da Tijuca. Seu nome originou-se dos talões vendidos para facilitar o troco, denominados “bonds”.

1869: As tropas da Tríplice Aliança entram em Assunção no Paraguai.

1870: Francisco Solano López, presidente do Paraguai, é morto pelo lanceiro brasileiro Chico Diabo após perder a Batalha de Cerro Corá. Fim da Guerra do Paraguai. O Manifesto Republicano é publicado pelo primeiro número do periódico A República, no Rio de Janeiro. No carnaval carioca, surge a canção Zé Pereira. Surge o maxixe, primeira dança brasileira.

1871: Início da primeira Regência da Princesa Isabel que há época tinha 25 anos. A Lei do Ventre Livre é aprovada pelo Parlamento e liberta os filhos de escravos nascidos.

1872: O Tratado Definitivo de Paz e Amizade Perpétua é assinado entre Brasil e Paraguai. Início da Questão religiosa, um conflito ente Igreja Católica e Maçonaria no país. Fim da primeira Regência da Princesa Isabel.

1873: Surge o primeiro rancho carnavalesco, o Reis de Ouro, fundado pelo baiano Hilário Jovino Ferreira (os ranchos iriam desaparecer no início da década de 1920).

1874: O telégrafo submarino entre Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Pará é inaugurado. Após 374 anos desde sua descoberta o Brasil tem o registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos criado de maneira formal e generalizada com o decreto imperial número 5604.

1875: Chegam ao país os 150 imigrantes italianos com o navio Rivadávia. O primeiro número da Gazeta de Notícias é publicado no Rio de Janeiro.

1876: Início da segunda Regência da Princesa Isabel, aos 30 anos. O escravo negro Francisco é enforcado em praça pública na cidade de Pilar de Alagoas e torna-se a última pessoa a receber a pena de morte no Brasil. É instalado o primeiro telefone no Brasil, na residência de D. Pedro II.

1877: Fim da segunda Regência da Princesa Isabel. A primeira estação telefônica do país é inaugurada no Rio de Janeiro. No Rio surgem os "Pufes", que eram uma espécie de desafio guerreiro entre os blocos, em versos.

1878: A revista O Besouro publica as primeiras fotos da imprensa brasileira.

1880: A Sociedade Brasileira Contra a Escravidão é fundada por Joaquim Nambuco. O tráfico dos escravos entre estados é proibido. No Rio de Janeiro, surgem os primeiros conjuntos de choro.

1881: A legislação eleitoral é reformada. É fundada a Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

1883: Na cidade de Mossoró, na província do Rio Grande do Norte, a escravidão é abolida.

1884: O Ceará é o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura.

1885: É inaugurada a Estrada de Ferro do Corcovado no Rio de Janeiro. É promulgada a Lei Saraiva-Cotegipe, também conhecida como Lei dos Sexagenários, que liberta os escravos no país com mais de 65 anos. Surge o 1º cordão, denominado Flor de São Lourenço.

1886: A Sociedade Promotora de Imigração é criada em São Paulo. A República de Cunani, localizada no atual Amapá, é proclamada.

1887: O Imperial Instituto Agrícola é fundado em Campinas. O Clube Militar é fundado no Rio de Janeiro. Início da terceira Regência da Princesa Isabel, agora com 41 anos. As terras indígenas das aldeias extintas são transferidas ao domínio das províncias.

1888: O Câmara dos Deputados aprova a Lei Áurea. Princesa Isabel assina a Lei Áurea, que liberta os 723.719 escravos negros do país. Abolindo juridicamente a escravidão no Brasil, quando já 95% dos negros tinham conquistado a liberdade por seus próprios esforços. Fim da terceira Regência da Princesa Isabel.

1889: O Colégio Militar do Rio de Janeiro é fundado. Dom Pedro II sofre atentado ao sair de uma apresentação teatral no Rio de Janeiro. A Foz do Iguaçu é descoberta. É feita a 1ª gravação oficial no Brasil (em cilindro), reproduzindo a voz do Visconde de Cavalcanti.

A República do Brasil é proclamada. A Bandeira Provisória da República é usada por apenas 4 dias, inspirada na bandeira dos Estados Unidos da América. Em 9 de Novembro é oficializada a atual bandeira do Brasil. Argentina e Uruguai são os primeiros países a reconhecer a República brasileira. Dom Pedro II chega à Lisboa após o fim do Império brasileiro.

1890: O Jornal da Província, fundado em 1874, torna-se o Estado de São Paulo.

1891: Forte corrente imigratória européia no Brasil. Transferência do carnaval - As autoridades, por razões médicas, tentam transferir o carnaval para junho, por ser uma época mais amena; de nada adianta; fica em fevereiro mesmo. No ano seguinte tentam novamente mas não conseguem.

1892: No carnaval desse ano surgem as serpentinas e confetes, vindas de Paris.

1894: Charles Miller, paulista filho de imigrantes ingleses, traz o futebol para o Brasil. No Rio é inaugurada a Confeitaria Colombo.

1895: No carnaval desse ano surgem as "Línguas de sogra". Em São Paulo é inaugurado o Museu do Ipiranga.

1896: Guerra dos Canudos - Levante de Antônio Conselheiro em Canudos. No Rio é fundado, por Candinho das Laranjeiras, o cordão "Filhos da Primavera".

O Brasil colônia que manteve-se assim como apenas uma fonte a ser explorada por 300 anos subitamente é alçado a sede tropical de governo do que restava de um pequeno reino europeu... Toda a máquina legal e administrativa, num piscar de olhos deve ser inplantanda sem que haja mao de obra especializada para condução da sua gestão e também da sua operação. Tudo deve ser adaptado sem especialistas... ou seja, um projeto errado e uma obra equivocada. Soma-se a isto uma escravidão por um lado economica, pois negros conseguem na sua maioria a alforria por compra direta, e pelo lado social a segregação entre os portugueses vinculados à corte e o resto do país.

O Brasil Império representa, enfim, o nascimento real de um pais minimimamente organizado geo-politicamente, em todas as usas virtudes e principalmente em seus pecados sociais, políticos, econômico e culturais. Pois os destinos daqueles que aqui habitavam havia 300 anos foram subitamente determinados por uma família real decadente, fugitiva de um conquistador e por uma precária estrutura administrativa subordinada a despreparados ou pouco interessados no futuro imediato da nação.

1900

Estamos no ano de 1900, último ano do século 19. Neste ano comemora-se o Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil. A População Brasileira de acordo com o 3º censo conta 17.318.556 habitantes, sendo 7% estrangeiros e em torno de 10 milhões de ex-escravos. Cada casal brasileiro tem em média 6 filhos. O Brasil ganha a disputa com a França pela posse do Amapá.

É organizado o 1º time de futebol do Brasil, o Sport Club Rio Grande, RS. O 2º é a Associação Atlética Ponte Preta, em Campinas, São Paulo.

Um comerciante de produtos fonográficos, em exercício no Brasil desde 1891, o tcheco naturalizado norte-americano, Fred Figner, funda a casa Edison, a 1ª especializada neste ramo de negócios.

As músicas executadas não tem qualquer sentido carnavalesco. As que tem, raras as exceções, são relativamente pobres. O que povo canta e dança, até meados de 1916, é basicamente o mesmo que predominava até o fim do século XIX, ou seja: valsas, modinhas, cançonetas, canções folclóricas, cantigas de roda, hinos militares, quadrilhas, xotes (“schottisch” - dança húngara) ou polcas.

Composta no ano anterior, Ó abre alas, marcha-rancho de Chiquinha Gonzaga, é a música que o povo canta febrilmente no carnaval.

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I Dig it 062a (Parte 1)

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua edição 62 - versão Compacto Duplo.

PARTE 1

Lado A: Norma (Sinfonia)  de Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini

 

INTRO:

Na seção Homo Sapiens do Impressões Digitais Versão Acústica, vou abordar os acontecimentos do século 19, neste que é o quinto de sete episódios da série Estórias da História do Brasil.
Esta série - originada por uma provocação do curitibano Renato Castilho do podcast Viver Digital - tenta contrapor algumas facetas da realidade histórica brasileira  com a dos países dominantes em cada século, e assim, quiçá, identificar quais fatores contribuíram para a formação de nossa estrutura tupiniquim europeizada. Na realidade estou esboçando o ambiente histórico no qual se formou o nosso brasilzão-véio-de-guerra.
Para eu poder falar sobre o complexo século 19, onde uma colônia abandonada passa a ser reino e vira império, tenho que refazer o caminho histórico desde o século 15...

Século 15:
No reinado de D. João I, lá pelo início dos 1400, Portugal era um reino isolado, independente, com uma população estimada em pouco menos de 500 mil almas. Não é preciso muito esforço para presumir o que ocorria numa sociedade ainda Medieval: faltava tudo... o que você imaginar faltava.
Nas cidades geladas os legumes são extremamente raros, a beterraba é desconhecida, inexiste café, cacau, chá. Portanto, uma dieta de peixe seco ou carne salgada e algumas raízes durante todo o ano. Eis então que começam a chegar à Europa as especiarias do Oriente. Pimenta e cravo da Índia para transformar o gosto da carne. Canela, noz-moscada, gengibre, benjoim e aloés para enriquecer o sabor dos reduzidos acepipes. Sândalo, resinas aromáticas para opor à pestilência das ruas.
Com a conquista de Ceuta em 1415 no Norte de África, inicia-se a buscada expansão portuguesa. Esta conquista infelizmente, não resolveu os problemas de acesso às rotas comerciais. Os Mouros, simplesmente desviaram as rotas do ouro e das especiarias para outras cidades. A Conquista de Ceuta foi um total insucesso econômico.
Após este insucesso, o Infante D. Henrique, organizou as primeiras viagens de descoberta ou conquista e domínio. Até 1460, os Portugueses “descobriram”, o arquipélago da Madeira,  o arquipélago dos Açores e a Costa africana até à Serra Leoa. Em 1434, Gil Eanes dobra o Cabo Bojador ao sul das ilhas Canarias nas costas do Saara Ocidental.
E essa maluquice toda valia a pena? Do início do século XVI temos a seguinte avaliação: um quintal (cerca de 46 quilos) de cravo da Índia custa 2 ducados nas ilhas Molucas (perto da Nova Guiné), 14 ducados em Malaca (Malásia), 50 ducados em Calecute (India) e 213 ducados em Londres. Com este progressivo aumento de preços, conforme se vai marchando de leste para oeste, poderia haver melhor negócio do que abrir caminho alternativo para o comércio direto das especiarias?

Século 16:
O pau-brasil, os papagaios, os degredados, aventureiros, escravos e mestiços, todos abandonados à sua sorte condensam a obra da coroa portuguesa nas primeiras décadas do século 16 no Brasil.
Quase 50 anos após Cabral é que um representante da coroa, instala-se na Bahia, isso porque outras nações européias ameaçavam tomar por ocupação as terras, até então, quase abandonadas por Portugal.
A política desinteressada da Corte, a distribuição das donatarias dentre aventureiros descartados dos negócios com o rico Oriente, conformou os posteriores senhores das terras, ex-comandados destes donatários também distantes e desinteressados das suas terras, que juntamente com o imenso latifúndio, com o catolicismo ampliado pelas ações da contra-reforma, a monocultura da cana-de-açúcar, e a mão-de-obra escrava e tráfico negreiro, formaram parte de um complexo sócio-econômico, que acabou definindo a vida brasileira por quase quatro séculos, sendo a gênese da estrutura social fortemente hierárquica, dependente e imensamente desigual que nos acompanha.

Século 17:
O Brasil, mesmo sob domínio de Espanha por quase meio século, teve sua identidade portuguesa  definitivamente consolidada. A expansão do poder eclesiástico na colônia e a miscigenação das raças americanas, européias e africanas foi profunda e tornou-se irreversível, e enquanto a colônia sobrevive aos ataques dos indígenas, às rebeliões e fugas dos negros, às pestes e epidemias - enquanto arranca da cana a principal e quase única riqueza de suas extensas terras - na Europa, mesmo turbulenta, as ciências e as artes encontram seus grandes mestres.
Na América latina, mais especificamente no Brasil os jesuítas, apesar de não concordarem com a escravidão dos indígenas, defendem ferreamente a escravidão dos africanos, e conseguem implementar toda a agenda católica de co-gestão do poder atuando na dominação catequista e social da colônia.

Século 18:
O século emerge com as descobertas de riquezas minerais. Se por um lado, durante todo o século 18 mais de 6 milhões de escravos são comercializados, por outro o Brasil torna-se o maior produtor mundial de diamantes e ouro. Enquanto isso no hemisfério norte a partir de 1750 há um impulso nas ciências, na estrutura industrial e na geo-política das outras nações européias com reflexos diretos em suas colônias espalhadas pelo mundo, todas elas determinantes para a consolidação da Revolução Industrial do século 19.

HOMO SAPIENS (ou Timeline):
1801: Quando o Tratado de Badajoz é assinado entre Portugal, Espanha e França, forçando o fechamento dos seus portos aos ingleses.
1803: A circulação de ouro em pó é abolida nas capitanias brasileiras.
1807: A Família Real Portuguesa sai de Portugal por causa da invasão eminente de Portugal pelas tropas de Napoleão.
1808: Chega a família real em Salvador. O Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas é promulgada pelo príncipe regente Dom João. Em maio D. João declara guerra à França, invadindo a Guiana Francesa. Em junho Começa a circular o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, publicado em Londres, Inglaterra. Em setembro no Rio de Janeiro, começa a circular o primeiro jornal impresso no país, a Gazeta do Rio de Janeiro. Em outubro O Banco do Brasil é criado por D. João.
1809: As forças luso-brasileiras ocupam a Guiana Francesa até 21 de novembro de 1817. 1810: A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro é criada.
1811: A Real Biblioteca é instalada no Rio de Janeiro. O Piauí é elevado à capitania autônoma.  Um armistício estabelece a retirada das tropas portuguesas da Banda Oriental (Uruguai).
1812: É desmembrada a Freguesia de São Pedro do Rio Grande do Sul, pertencente ao bispado do Rio Grande, erigindo a Freguesia de Pelotas.
1813: Revolta de escravos para ocupação de Salvador, esmagado pelas forças reais.
1815: Dom João VI eleva o Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves.
1816: D. Maria I morre no Rio de Janeiro e é sucedida pelo princípe D. João VI, então aclamado rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, aos 40 anos. A
1817: Tropas luso-brasileiras ocupam Montevidéu. Eclode a Revolução Pernambucana, em Recife. Quatro líderes da Revolução Pernabucana são executados. O Príncipe D. Pedro de Alcântara casa-se com a Arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina no Rio de Janeiro.
1818: Fim da Revolução Pernambucana. D. João VI proíbe o funcionamento de sociedades secretas.
1819: Os primeiros imigrantes estrangeiros (não portugueses) chegam ao país.
1820: Início da Revolução Constitucionalista do Porto.
1821: Revolução constitucionalista, na Bahia. As capitanias brasileiras tornam-se províncias. O Diário do Rio de Janeiro, o primeiro jornal diário do país, é fundado. Dom João VI regressa a Portugal, chamado pelas Cortes Constituintes, reunidas em virtude da revolução de 1820, deixando seu filho D. Pedro I como Regente do Brasil no Rio de Janeiro. A liberdade de imprensa é decretada pelo Regente D. Pedro I. A Banda Oriental do Uruguai é anexada com o nome de Província Cisplatina. O Ceará adere à Revolução Constitucionalista Portuguesa.
1822:
Dom Pedro I declara que fica no Brasil e José Bonifácio de Andrada e Silva é nomeado como o Ministério do Reino e Estrangeiros. Insurreição pela independência brasileira na Bahia. O governo brasileiro proíbe desembarque de tropas portuguesas. Dom Pedro I extingue sistema de sesmarias de terras. Dom Pedro I ingressa na maçonaria, sob o nome de Guatimozim. 
A 7 de setembro A Independência do Brasil é proclamada pelo Dom Pedro I em São Paulo. Em 12 de outubro: Dom Pedro I é aclamado imperador. Em 1 de dezembro: Dom Pedro I é coroado como Imperador do Brasil.
1823: Batalha do Jenipapo (Guerra da Independência do Brasil): Tropas portuguesas expulsas pelos brasileiros do Piauí. A Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império é instalada no Rio de Janeiro. Desaprovação da independência e desmembramento do norte de Goiás do governo da província, por portaria em junho. Tropas portuguesas se rendem aos brasileiros na Bahia. Fim da Federação do Guanais. No Maranhão, a rendição dos portugueses é declarada. Expulsão das tropas portuguesas da Banda Oriental (Uruguai). Os brasileiros tomam a cidade de Montevidéu.
1824: Em 25 de março é outorgada a primeira constituição brasileira por Dom Pedro I. Os Estados Unidos da América são o primeiro país a reconhecer a Independência do Brasil.  É proclamada a Confederação do Equador, revolta republicana e separatista, em Recife, Pernambuco. Os primeiros imigrantes alemães chegam ao Rio Grande do Sul.
1825: Frei Caneca e outros membros da Confederação do Equador são condenados e executados em Recife. Início da Guerra da Cisplatina. Uruguai declara a independência do Brasil. Portugal reconhece a independência do Brasil. Dom Pedro I declara guerra ao Governo das Províncias Unidas do Rio da Prata.
1826: Dom Pedro I abdica da coroa de Portugal para sua filha, a princesa Maria da Glória, depois rainha Maria II. Proibição do tráfico negreiro ao norte do Equador. Morre a Imperatriz D. Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena. Morre D. Joao VI em Portugal, provavelmente envenenado.
1827: Vitória da Argentina sobre o Brasil na Guerra da Cisplatina. Em 11 de agosto os primeiros cursos de Direito são criados em São Paulo e Olinda. O Observatório Nacional é criado.
1828: O Tratado do Rio de Janeiro é assinado pelo Império do Brasil e Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina), estabelece a independência da República Oriental do Uruguai. D. Pedro I  pela segunda vez casa-se com Amélia de Lechtenberg.
1829: Dom Pedro I do Brasil declara guerra a D. Miguel de Portugal. Dom Pedro I casa-se com Amélia de Beauharnais.
1830: O tráfico de escravos é considerado ilegal. O jornalista Líbero Badaró é assassinado em São Paulo por defender a República.
1831: Dom Pedro I retorna ao Rio de Janeiro. Nomeação de José Bonifácio tutor dos príncipes residentes no Brasil. Dom Pedro I abdica do trono em favor do filho Dom Pedro II. Início da Regência Trina Permanente.  Dom Pedro I volta a Portugal junto com a imperatriz D. Amélia. O Hino Nacional Brasileiro é executado pela primeira vez. Atendendo a pressões da Coroa Britânica, o regente Diogo Antônio Feijó promulga uma lei que estabelece que os escravos que entram no Brasil são considerados livres e devem ser reexportados às custas de quem os trouxer. A Lei Feijó não é levada a sério, sendo considerada por todos apenas uma “lei para inglês ver”. Os escravos continuam entrando por um porto dentro do município de Paraty (Paraty-Mirim), em intenso contrabando que sobe a serra pelo velho caminho em direção às fazendas de café do vale do Paraíba.
1832: Charles Darwin, a bordo do HMS Beagle, chega a Fernando de Noronha.
1833: José Bonifácio de Andrada e Silva é suspenso das funções de tutor de Dom Pedro II, substituído pelo marquês de Itanhaém.

Aqui termina a primeira parte do Impressões Digitais versão Compacto Duplo.

Trilha sonora:
Lado A: Norma Sinfonia (Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini)
Background:
século XV:  Mandadei (anonimo) /Martin Codax; Islamic Chant (Al Quram);  Early church music of Byzantine, Bulgaria, Georgia;
século  XVI: Diferencias sobre la Gallarda Milanesa (A. de Cabezon)/Simone Stella;
século  XVII: The Italian Rant (anonimo);
século XVIII: Armide (Jean Baptiste);
século XIX Quintet In A Major, Opus 114, D667 'The Trout' (Franz Schubert)

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Thursday, November 19, 2009

Durma-se com um barulho desses...

Ou da série: Por isso que esse país é uma piada.

Um grupo cada vez maior repensa e revoluciona as relações de trabalho em um mundo altamente interligado e de acessos globais, onde horários passam a ser regidos por referência GMT.

Abnegados avaliam e desenvolvem modelos funcionais e estabelecem novos meios de relações trabalhistas visando modernizar e minimizar os impactos que a alta tecnologia de comunicação provoca nos processos produtivos, de consumo e de lazer.

Quando o país véio-de-guerra aqui finalmente se candidata a ser um global player merecedor de participar das mesas das grandes economias vem um deputadozinho - mas empossado com um poder representativo fiadamãe de importante - e com a pequenez típica dos populistas e oportunistas da fauna política lota meu email com o seguinte spam:

Em 2003, propus à Câmara um projeto de lei que antecipa para a segunda‐feira a comemoração dos feriados da semana (PL 2756/03). A proposta acaba de ser aprovada na Casa e agora segue para o Senado Federal. Apresentei essa sugestão porque é boa para os trabalhadores, para as empresas e para a economia do País. Primeiro, quero explicar o projeto.

Ele traz para a segunda‐feira alguns dos feriados que caem no meio da semana, de terça a sexta‐feira. A proposta não mexe com as datas tradicionais, como Dia da Paz Universal (1º de janeiro), a Terça‐Feira de Carnaval, a Sexta‐feira Santa, a Independência do Brasil (7 de setembro) e o Natal (25 de dezembro). Esses são especiais e serão guardados no dia da semana em que caírem. A intenção é que os trabalhadores possam se planejar melhor para aproveitar o feriado prolongado. Dou como exemplo, o planejamento da viagem em família, porque tanto os trabalhadores quanto os estudantes terão o sábado, o domingo e a segunda‐feira para descansar. Para as empresas, a medida é importante porque não interrompe a produção semanal.

Quando o feriado cai na terça‐feira, por exemplo, alguns setores emendam e outros não. Isso é muito ruim para o ritmo da nossa economia e para o próprio trabalhador. É importante lembrar que será mudada apenas a comemoração do feriado. A data continua a mesma, com sua importância e seu significado. Se o dia 21 de abril cair na quarta‐feira, por exemplo, ele continua sendo Dia de Tiradentes. Apenas o feriado é que será guardado na segunda‐feira. Muita gente me pergunta sobre as semanas com dois feriados. Neste caso, um feriado fica automaticamente transferido para a segunda‐feira da semana seguinte.

Penso que essa medida beneficiará a grande massa de trabalhadores brasileiros e, também, contribuirá para fortalecer a economia brasileira, que precisa crescer para gerar cada vez mais empregos para nossas famílias.

Agradeço sua atenç ão que muito me honra.

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A estupidez da proposta beira as raias do absurdo. Alguns comentários:

Boa para os trabalhadores e para economia do país? Hummm... se você recebe o mesmo para produzir menos, se o país gasta mais para produzir menos, isso é bom?! Minha lógica indica o contrário.

O argumento do PL prossegue com uma premissa bem tupiniquim: há feriados de 1ª e de 2ª classes. Afinal FERIADOS maiúsculos são "imexíveis", enquanto que os menorzinhos a gente pode fazer o que quiser...

Se ocorre um feriado no meio da semana (os de 2ª classe, pois lembre-se os de 1ª tão fora da proposta do Exmo. Deputado) e a justificativa é de que ele interrompe o processo produtivo, quebrando os ritmos da economia e da vida, qual a razão de colocá-lo na 2ª? Porque não o coloca no DOMINGO!!! Se é para "manter o ritmo do processo produtivo, se é para contribuir com o fortalecimento da economia, que precisa crescer e gerar mais empregos" BOTA A TURMA P'RA TRABALHAR! Cáspite!

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