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Tuesday, November 29, 2005

SEQUISSO:

Não resisiti e enviei este texto para o Diogo Lopes&Alicinha apresentadores do podcast Podsexo (http://www.podbrasil.com.br/podcanais/podsexo/index.php):

Diogo & Alicinha

Recebi esta aqui de um grande amigo que já passou por 5 casamentos... Tem tudo a ver com o futuro daqueles que assiduamente ouvem o podcast de vocês. Deleitem-se (sugestão: se vcs conseguirem reproduzir o diálogo como se fosse uma novelinha radiofônica do final de 1950 ia ficar ótimo ... daquelas com arranjos melodramáticos grandiosos para as pausas...). Vamulá:

Vai, Horácio. Toma logo.
- Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?
- Pendurados no seu pescoço.
- Isso é ridículo, Maria Helena. Ridículo.
- Então todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos estão tomando. E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí o bololô que você me faz nas cobertas.
- A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí o Pedro Paulo, taí o Zé Augusto que não me deixam mentir. Fora aquele aborto que você fez.
- Horácio, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse negócio.
- Isso aqui faz mal pro coração, sabia? Um monte de gente já morreu tentando dar uma trepadinha farmacêutica.
- Foi por uma boa causa. E não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você tem mais.
- Não começa, Maria Helena, não começa.
- Pode ficar sossegado que você não vai morrer do coração por causa dessa pilulinha. Eu vi num programa do GNT um velhinho de 92 anos que toma isso todo dia.
- Sério?
- Preciso de sexo, Horácio.
- Mas hoje é segunda, Maria Helena...
- Quero trepar. Foder. Ser comida por um macho de pau duro.
- Francamente, Maria Helena, que boca. Parece que saiu da zona.
- Quero ser penetrada, quero gozar.
-O sexo é uma ditadura, Maria Helena. A gente tá na idade de se livrar dela.
- Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho de merda.
- Além do mais, Maria Helena, nós já tivemos um número mais do que suficiente de relações sexuais na vida, por qualquer padrão de referência, nacional ou estrangeiro. A quantidade de esperma que eu já gastei nesses anos todos com você dava pra encher a piscina aqui do prédio.
- Com o esperma que você ordenhou manualmente, talvez. O que o senhor gastou comigo não daria nem pra encher o bidê aqui de casa. Um penico, talvez. Até a metade.
- Maria Helena...
- E faz quase um ano que não pinga uma gota lá dentro!
- Sossega o facho, mulher. Vai fazer ioga, tai chi chuan. Já ouviu falar em feng shui, bonsai, shiatsu? Arranja um cachorro. Quer um cachorro? Um salsichinha?
- Quero um salsichão, Horácio. Olha aí: outra piadinha infame.
- É porque você está com idéia fixa nessa porcaria.
- Que porcaria?
- O sexo, Maria Helena, o sexo.
- Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Horácio?
- Não estou interessado.
- Deu que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de ter câncer. É científico.
- Come brócolis que é a mesma coisa, Maria Helena. Protege contra tudo que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com alho, fica uma delícia.
- A que ponto chegamos, Horácio. Eu falando de sexo e você me vem com brócolis puxado no azeite!
- Com alho.
- Faça-me o favor, Horácio.
- Maria Helena, escuta aqui, você já tem 50 anos, minha filha, dois filhos adultos, já tirou um ovário, já...
- Não fiz 50 ainda. Não vem não. E o que é que filho e ovário têm a ver com sexo?
- Maria Helena, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não precisam mais de sexo.
- Ah, não? Quem decidiu isso?
- Sexo nessa idade é pras imaturas. Pras deslumbradas, pras iludidas que não sabem envelhecer com dignidade.
- Prefiro envelhecer com orgasmos.
- O que é que o Freud não diria de você, Maria Helena.
- E de você, então, Horácio? No mínimo, que você virou gay depois de velho. Boiola.
- Maria Helena! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha própria casa, na minha própria cama, diante da minha própria televisão?
- Aliás, gay gosta de trepar. É o que eles mais gostam de fazer. Você virou outra coisa, sei lá o quê. Um pingüim de geladeira, talvez.
- Maria Helena, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.
- Fazer? Essa é boa. O que é que um funcionário público aposentado com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber?
- Sem comentários, Maria Helena, sem comentários.
- Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita bula.
- Só que precisa de dois óculos pra ler isso. Olha só o tamanhico da letra. Se é um negócio pra velho, deviam botar uma letra bem grande. Pelo menos isso.
- Vira o foco do abajur para cá... assim... melhorou?
- Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.
- Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez. O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.
-Sei.
- Veículos excipientes: celulose microcristalina...
- Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.
- Onde foi parar a sua pouca educação, Maria Helena?
- Vai lendo, Horácio. Depois conversamos sobre a minha pouca educação.
- Cros... camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Maria Helena. Recuso-me a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção de camelo. Se não for coisa pior.
- Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum adoçante artificial. Pro seu pau ficar doce, meu bem.
- Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Maria Helena.
- Troco toda a lucidez do mundo por um pau tinindo de tesão por mim.
- Absurdo, absurdo.
- Que mais, que mais, Horácio?
- Dióxido de titânio.
- Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.
- índigo carmim...
- índigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.
- Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?
- E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que eu saiba. Ou sai?
- Mas, e se eu for a um mictório público? o que é que o cara ao lado não vai pensar do meu pinto azul?
- Diz que você é um alienígena, ora bolas. Que o seu corpo está pouco a pouco se adaptando à Terra, que ainda faltam alguns detalhes. Ou explica que você é um nobre, de sangue e pinto azul. Ou não diz nada, ora bolas. Acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.
- Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.
- Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.
- Presta atenção. "O óxido nítrico, responsável pela ereção do pênis, ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e permitindo assim o influxo de sangue:' Cacete. Corpos cavernosos. Já pensou, Maria Helena? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro Zé do Caixão.
- Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês homens evoluem muito lentamente.
- Pára de viajar, Maria Helena. Parece que fumou maconha.
- Não era má idéia. Pra relaxar. Vou roubar do Pedro Paulo. Eu sei onde ele esconde. Podíamos fumar juntos.
- Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.
- Lê, lê, lê, lê aí. Você já dormiu tudo a que tinha direito nessa vida.
- Vou ler. "Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante diretamente sobre os corpos cavernosos..:'
- Não?
- Não, Maria Helena. Ele apenas "aumenta o efeito relaxante do óxido nítrico através da inibição da fosfodiesterase-5, a qual" - veja bem, Maria Helena, veja bem - "a qual é a responsável, pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso?". Ouviu isso? Degradação, Maria Helena. Dentro dos meus próprios corpos cavernosos. Degradante..
- Degradante é pau mole.
- Olha o nível, Maria Helena, olha o nível. Vamos ver os efeitos colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.
- Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Horácio. Pra cabeça de baixo gozar, a de cima tem que padecer.
- Não me venha com essa sua erudição de internet, Maria Helena. Estamos off-line.
- Deixa de ser criança, Horácio. Se der dor de cabeça você toma um Tylenol, reza uma ave-maria, canta o "Hava Naguila'; que passa.
- Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê, Maria Helena? De camarão no espeto?
- Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?
- Enjôos. Ó céus. Enjôos...
- Você sempre foi um tipo enjoado, Horácio. Ninguém vai notar a diferença.
- Vamos ver o que mais... hum... dispepsia. Que lindo. Vou trepar arrotando na sua cara.
- Você me come por trás. Arrota na minha nuca.
- É brincadeira... É essa a sua idéia de amor, Maria Helena?
- Isso não tem nada a ver com amor, Horácio. Já disse: é profilaxia contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem a menor cerimônia. Na mesa, na sala, em qualquer lugar.
- Como se você não arrotasse, Maria Helena. - Mas não fico trombeteando os meus arrotos. Isso é coisa de machão broxa. Em vez de trepar com a esposa, fica arrotando alto pra se sentir o cara do pedaço.
- Como você é simplória, Maria Helena, como você é... menor. Desculpe, mas acho que o seu cérebro anda encolhendo, sabia? Ou mofando. Ou as duas coisas.
- Vai, Horácio, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos colaterais.
- Como, "pula os efeitos colaterais"? É porque não é você quem vai tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?
- Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não agüentei.
- Admiro seu humor refinado, Maria Helena. Torna você uma mulher tão mais sedutora, sabia?
- Obrigada, Horácio.'Agora, quanto aos seus gases, pode relaxar o esfíncter, meu filho. Numa boa. Tô tão acostumada que até sinto falta quando estou sozinha. Sério. Fico pensando: Ah, se o Horácio estivesse aqui agora pra soltar uma bufa de feijoada com cerveja na minha cara...
- Maria Helena, qualquer dia você vai ganhar o Oscar da vulgaridade universal.
- Vou dedicar a você.
- Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah! Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald. Qüém, qüém. Qüém.
- Um pateta com voz de pato. Perfeito.
- Ridículo. Absurdo. Idiota.
- Ridículo você já é, Horácio. E quem não é? Além do mais, é só calar a boca que você não fica fanho.
- Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?
- Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Horácio. Vai dizer justo na hora de trepar?
- Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Maria Helena.
- Já percebi.
- Hum. Ouve só; diarréia!
- Quê?
- É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Maria Helena. Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita.
- Deixa de ser pueril, Horácio. 'Magina se alguém vai ter todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.
- A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os gases?
- Faz um cocozinho o antes. Pra esvaziar. agora, Horácio. Eu espero.
- Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Maria Helena. Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.
- Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que já não viu?
- Maria Helena, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo por causa de uma reles trepadinha? E se a minha visão não voltar? Vou andar de bengala branca pro resto da vida?
- Pode deixar que eu guio a sua bengala, Horácio. Olha, pensa no lado bom da cegueira: você vai poder me imaginar 20 anos mais moça. Trinta, se quiser.
- Maria Helena, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.
- Dá aqui essa cartela, Horácio. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a água aqui.
- Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá,ô! Me borrifou toda! Que nojo! Quer . que bata nas suas costas? Ai, meu Deus! Horácio? Você está bem? Respira fundo! Isso, isso... E aí, amor? Melhorou? Morrer afogado num copo d'água ia ser idiota demais, até prum cara como você.
- Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por cima! Ufff! Me dá mais água
- Quanto tempo isso aí demora pra bater?
-Isso aí o quê?
- A pílula, Horácio, a píluIa.
- E eu sei lá?
- Vê na bula, Horácio.
- Hum... tá aqui: 30 minutos.
- Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela...

Sunday, November 27, 2005

Orkuticídio assistido

Após longa, profícua e esclarecedora permanência nas hostes do Orkut, simplesmente, cheguei a uma proveitosa conclusão: não farei falta alguma àquele circo... Assim, simplesmente, aproveitando o ensejo de mais uma falha do sistema orkut (desta vez ele apagou todos meus comentários quando abandonei uma comunidade) cometi - conforme palavras da ponderada e instigante Raquel Beolchi - um orkuticídio. Apesar de haver enviado um email a todos meus amigos cadastrados no orkut, esta palavra "orkuticídio" me levou a raciocinar com mais profundidade sobre minha participação e desligamento deste fenômeno sócio-digital tupiniquim.
Obs.: Não vou aqui abordar diretamente o porque do fascínio brasileiro pelo ambiente... mas, provavelmente, algumas das minhas conclusões poderão elucidar aspectos gerais que sustentam e justificam esta invasão tupiniquim.
Voltemos ao assunto... E por que "orkuticídio"? E naturalmente comboiando a questão primeira: Porque "circo"?
Primeiramente, é um "orkuticídio" porque é um abandono absoluto, um expurgo de um círculo social (algumas vezes, nem tããão social assim), embora digital, muito similar a morte física (àqueles crentes na reencarnação da consciência um alento, e uma simplificação digital, no Orkut basta pedir um amigo para emitir um convite ao seu email, e presto!, estás ressureito!!! Se tal operação for bem feita, o renascido pode reiniciar uma vida digital novíssima sem máculas, pecados e relações com o passado... Uma maravilha para políticos!). Deixando o Orkut, além de você perder o poder de atuar neste meio, todas as suas referências pessoais são retiradas. Somente seus textos lá ficam, só que perpetrados anonimamente, os quais inexoravelmente irão se deteriorar, pois as referências serão também perdidas: alguns abandonarão e nomes perderão significado; outros, pelo prazer de vandalizar, vincados pelo ódio ou por pura covardia e medo de sentir-se expostos por referências alheias excluirão as próprias mensagens originárias dos comentários do agora anônimo e inexistente ex-integrante. Assim, conformo-me, minhas idéias e intervenções não mais me pertencem, nem possuem meu "perfil", ficarão, a partir de agora, dia-a-dia cada vez mais esgarçadas em uma pseudo-realidade cada vez mais extemporânea...
''Segundamente", avaliando o "circo" Orkut, porque podemos encarar este espaço de modo "circensemente", ou seja, podemos agir como platéia e comportadamente nos expressar aplaudindo o que nos agrada ou guardando silêncio no desagrado... a platéia na maioria educada reprime o apupo, ignora e/ou retira-se caso determinado show em curso não atinja suas expectativas e pacientemente aguarda nova atração, afinal sempre algo de bom pode vir a seguir, não? No picadeiro? Bem... no picadeiro a coisa é diferente, é mais ou menos cada um por si... mas há um fator que permeia todos seus participantes e os une: é, fundamentalmente, onde eles depositam e afagam seus egos. Seja através de "perfis", "fotos", "recados" e, principalmente, "tópicos" e "posts". Por fim, há a minoria, os circunspectos funcionários do "circo" que burocraticamente mantêm a "função" sob rígido horário e diligentemente organizada. Estes últimos, politicamente adestrados que são, usam e abusam das prerrogativas de "colocadores de panos quentes"...
O que poderia ser - culturalmente - um "Cirquinho do Arrelia", sob um olhar mais atento desnuda-se em um verdadeiro "Circo dos Horrores do Dr. Skroq"
Aderi ao Orkut (como membro 15 mil e pouco) somente pela curiosidade do tipo: "quiporra-é-essa?" e quase que imediatamente a deixei de lado, considerando-a como mais uma salinha de bate-papo de infantes e desequilibrados. Retomei meu interesse pelo danado algumas semanas depois devido a um convite de meu irmão mais novo (já havia uns 50 mil usuários) sobre a facilidade de encontrar conhecidos a muito "desconectados" de nossas relação e, o que me agradou, a troca de posts de modo offline. Sob este prisma "encontrar" velhos conhecidos encarei o desafio de - aos 48 anos - me "enturmar" num meio que, tinha certeza, seria dominado pela linguaguem, ansiedade e "cultura" de pessoas com 20 e poucos anos... mas vá lá, afinal eu entendo o que minhas filhas falam (ok, nem sempre tenho certeza de que elas estão entendendo o que eu falo). Resumindo, rapidamente cheguei ao meu núcleo de amigos e conhecidos e das comunidades que me interessaram... mais algumas aquisições em ambas as classes... alguns cortes de comunidades que perderam a objetividade inicial e, pronto! Estagnei em meus 40 amigos e 9 comunidades... um bom tamanho de relações digitais para administrar, no meu caso - pela falta de tempo - "malemá" (não consigo conceber alguém "possuir" 800 e tantos amigos e "participar" de 400 comunidades no Orkut).
Participei seriamente, avaliei brincando, analisei desavergonhadamente e fui abandonando, paulatinamente, até que... acabou. Nem o voyeur que em mim existe atiça minha vontade ou sobrepuja meus outros afazeres e planos... Garimpar relacionamentos (principalmente intelectuais) no Orkut é uma tarefa descomunal... apesar - devo admitir - de ser muito recompensador o encontro de raras pessoas valiosíssimas "de per si".
No fim o que me restou foi o pano de fundo do Orkut:
1) Boa parte daqueles que adooooram "postar", principalmente, na base do achômetro, ou pior ainda, no chutômetro, apesar de rechear com riqueza de detalhes particulares seus perfis, fotos, testemunhos e "scraps", revoltam-se espumantemente quando tais detalhes são citados em comentários de um tópico, esgoelando que seu "interlocutor" é um invasor da privacidade alheia... Ou seja, expõem-se voluntariamente, mas crêem que tais informações não podem ser divulgadas por terceiros... Incrivel! Mas estes mesmos também são especialmente sensíveis a comentários anônimos (mesmo os pertinentes) pela não existência de uma foto e perfil (mesmo que sejam totalmente falsos). Acompanhei uma longa discussão de um cara p...da vida com a existência de um anônimo no tópico, com o Mr. Bean!!!!????
2) Outros (e aqui devemos excluir a turma do internetiquês tatibitático e pseudo-fonético e os seguidores do Cyber Movie do Telecine Premium - desnecessários quaisquer comentários, não?) consideram qualquer texto um pouco mais elaborado como alta-literatura; não conseguem compreender um português do padrão das páginas 2 e 3 do Jornal O Estado de São Paulo, e o mais assustador: poucos, muitos poucos conseguem interpretar, não o comentário (post), mas o tópico (conjunto de posts)!!! É clara a percepção focal, pontual desta geração... o que vale, sempre, é o último post, o conjunto anterior de idéias, a história que se danem!... Referências? P'ra quê?! Zero... o que vale é o aqui e o agora... só.
3) A grande maioria "silenciosa" apenas observa, nada digita... nada propõe. Estes apenas "sapeiam", lêem inúmeros posts, comunidades e creio, pouco ou quase nada absorvem, pois a média do conteúdo das comunidades é abaixo de crítica.
4) A multiplicidade de grupos para um mesmo assunto (encontrei num passar de olhos 40 comunidades com mesmo propósito E NOME IDÊNTICO!!!!!) dilui qualquer tentativa de agregar uma discussão mais elaborada...
Ou seja, o Orkut fundamentalmente (a meu ver) é um espaço único para o estudo sociológico e antropológico - pois como círculo digital de relacionamento social onde deve-se inscrever-se em um grupo para ser "ouvido" - que propicia a multiplicidade anárquica fundamental para a proliferação de todas as fraquezas das inter-relações humanas. Um bom exemplo foi a invasão brasileira do Orkut, com centenas de "bogus" (falsos personagens) não denunciados (com certeza devido ao não entendimento da língua inglesa - única à época) e que hoje é fato perfeitamente aceito pelos seus membros...
Muito mais há sobre esta experiência, mas creio estar sendo já um pouco extenso...


Ahn... o podcast? Bem... 'tamos indo... arrumando espaços e planejando tudo muito direitinho para, além de lançar o 1o., manter o podcast vivo durante muito tempo...

Tuesday, November 08, 2005

Caramba! Como o tempo voa









Foto de: Scott Ard




Na foto temos 5 dos primeiros participantes do Homebrew Computer Club - HCC, durante a comemoração do seu 30o. aniversário. Da esquerda para a direita temos os lendários: Michael Holley, Steve Wozniak, Allen Baum (que ajudou a criar Apple I e trouxe o Wozniak para o clube), Lee Felsenstein (designer do Osborne 1, e moderador nos primeiros anos do HCC ) e Bob Lash.

Agora, sobre a mesa temos (ainda vivo!) um Altair que foi programado para tocar "Daisy", reproduzindo uma demonstração dos primeiros dias do HCC (No fim dos anos 50 a 1a. canção executada por um computador foi "Daisy", por muitos considerado como sendo o início da música digital...). Agora vocês sabem a razão do porque o HAL em 2001 (de Stanley Kubrick e W.C. Clark) canta esta musiquinha quando está sendo desligado pelo Dave...

Sunday, November 06, 2005

To melhorando...

Ao invés de quinzenal, o blog começa a ser mensal... isto é que é desleixo.
A desculpa? É a mesma: a rotina profissional impede a realização dos planos pessoais (podcast, pinturas e bicos-de-pena).
Quando sobra um tempinho procuro colocar minhas leituras em dia, dar atenção às minhas mulheres (todas as três!) e ao restante da família que anda um tanto quanto dispersa neste mundão-de-deus.
A bem da verdade, estas últimas semanas tenho recebido inúmeras notícias, e como normalmente ocorre na vida de qualquer um, algumas boas, outras neutras (a maioria) e outras completamente desastrosas... Porém, como fui treinado e, admito, me aprimoro em transformar limões em limonada, me dedico mesmo aos pequenos desastres diários, aos quais um chefe-de-família é submetido... e uma vez que ficar propagandeando problemas nunca foi uma boa política, abandonei o weblog por 30 dias...