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Sunday, November 27, 2005

Orkuticídio assistido

Após longa, profícua e esclarecedora permanência nas hostes do Orkut, simplesmente, cheguei a uma proveitosa conclusão: não farei falta alguma àquele circo... Assim, simplesmente, aproveitando o ensejo de mais uma falha do sistema orkut (desta vez ele apagou todos meus comentários quando abandonei uma comunidade) cometi - conforme palavras da ponderada e instigante Raquel Beolchi - um orkuticídio. Apesar de haver enviado um email a todos meus amigos cadastrados no orkut, esta palavra "orkuticídio" me levou a raciocinar com mais profundidade sobre minha participação e desligamento deste fenômeno sócio-digital tupiniquim.
Obs.: Não vou aqui abordar diretamente o porque do fascínio brasileiro pelo ambiente... mas, provavelmente, algumas das minhas conclusões poderão elucidar aspectos gerais que sustentam e justificam esta invasão tupiniquim.
Voltemos ao assunto... E por que "orkuticídio"? E naturalmente comboiando a questão primeira: Porque "circo"?
Primeiramente, é um "orkuticídio" porque é um abandono absoluto, um expurgo de um círculo social (algumas vezes, nem tããão social assim), embora digital, muito similar a morte física (àqueles crentes na reencarnação da consciência um alento, e uma simplificação digital, no Orkut basta pedir um amigo para emitir um convite ao seu email, e presto!, estás ressureito!!! Se tal operação for bem feita, o renascido pode reiniciar uma vida digital novíssima sem máculas, pecados e relações com o passado... Uma maravilha para políticos!). Deixando o Orkut, além de você perder o poder de atuar neste meio, todas as suas referências pessoais são retiradas. Somente seus textos lá ficam, só que perpetrados anonimamente, os quais inexoravelmente irão se deteriorar, pois as referências serão também perdidas: alguns abandonarão e nomes perderão significado; outros, pelo prazer de vandalizar, vincados pelo ódio ou por pura covardia e medo de sentir-se expostos por referências alheias excluirão as próprias mensagens originárias dos comentários do agora anônimo e inexistente ex-integrante. Assim, conformo-me, minhas idéias e intervenções não mais me pertencem, nem possuem meu "perfil", ficarão, a partir de agora, dia-a-dia cada vez mais esgarçadas em uma pseudo-realidade cada vez mais extemporânea...
''Segundamente", avaliando o "circo" Orkut, porque podemos encarar este espaço de modo "circensemente", ou seja, podemos agir como platéia e comportadamente nos expressar aplaudindo o que nos agrada ou guardando silêncio no desagrado... a platéia na maioria educada reprime o apupo, ignora e/ou retira-se caso determinado show em curso não atinja suas expectativas e pacientemente aguarda nova atração, afinal sempre algo de bom pode vir a seguir, não? No picadeiro? Bem... no picadeiro a coisa é diferente, é mais ou menos cada um por si... mas há um fator que permeia todos seus participantes e os une: é, fundamentalmente, onde eles depositam e afagam seus egos. Seja através de "perfis", "fotos", "recados" e, principalmente, "tópicos" e "posts". Por fim, há a minoria, os circunspectos funcionários do "circo" que burocraticamente mantêm a "função" sob rígido horário e diligentemente organizada. Estes últimos, politicamente adestrados que são, usam e abusam das prerrogativas de "colocadores de panos quentes"...
O que poderia ser - culturalmente - um "Cirquinho do Arrelia", sob um olhar mais atento desnuda-se em um verdadeiro "Circo dos Horrores do Dr. Skroq"
Aderi ao Orkut (como membro 15 mil e pouco) somente pela curiosidade do tipo: "quiporra-é-essa?" e quase que imediatamente a deixei de lado, considerando-a como mais uma salinha de bate-papo de infantes e desequilibrados. Retomei meu interesse pelo danado algumas semanas depois devido a um convite de meu irmão mais novo (já havia uns 50 mil usuários) sobre a facilidade de encontrar conhecidos a muito "desconectados" de nossas relação e, o que me agradou, a troca de posts de modo offline. Sob este prisma "encontrar" velhos conhecidos encarei o desafio de - aos 48 anos - me "enturmar" num meio que, tinha certeza, seria dominado pela linguaguem, ansiedade e "cultura" de pessoas com 20 e poucos anos... mas vá lá, afinal eu entendo o que minhas filhas falam (ok, nem sempre tenho certeza de que elas estão entendendo o que eu falo). Resumindo, rapidamente cheguei ao meu núcleo de amigos e conhecidos e das comunidades que me interessaram... mais algumas aquisições em ambas as classes... alguns cortes de comunidades que perderam a objetividade inicial e, pronto! Estagnei em meus 40 amigos e 9 comunidades... um bom tamanho de relações digitais para administrar, no meu caso - pela falta de tempo - "malemá" (não consigo conceber alguém "possuir" 800 e tantos amigos e "participar" de 400 comunidades no Orkut).
Participei seriamente, avaliei brincando, analisei desavergonhadamente e fui abandonando, paulatinamente, até que... acabou. Nem o voyeur que em mim existe atiça minha vontade ou sobrepuja meus outros afazeres e planos... Garimpar relacionamentos (principalmente intelectuais) no Orkut é uma tarefa descomunal... apesar - devo admitir - de ser muito recompensador o encontro de raras pessoas valiosíssimas "de per si".
No fim o que me restou foi o pano de fundo do Orkut:
1) Boa parte daqueles que adooooram "postar", principalmente, na base do achômetro, ou pior ainda, no chutômetro, apesar de rechear com riqueza de detalhes particulares seus perfis, fotos, testemunhos e "scraps", revoltam-se espumantemente quando tais detalhes são citados em comentários de um tópico, esgoelando que seu "interlocutor" é um invasor da privacidade alheia... Ou seja, expõem-se voluntariamente, mas crêem que tais informações não podem ser divulgadas por terceiros... Incrivel! Mas estes mesmos também são especialmente sensíveis a comentários anônimos (mesmo os pertinentes) pela não existência de uma foto e perfil (mesmo que sejam totalmente falsos). Acompanhei uma longa discussão de um cara p...da vida com a existência de um anônimo no tópico, com o Mr. Bean!!!!????
2) Outros (e aqui devemos excluir a turma do internetiquês tatibitático e pseudo-fonético e os seguidores do Cyber Movie do Telecine Premium - desnecessários quaisquer comentários, não?) consideram qualquer texto um pouco mais elaborado como alta-literatura; não conseguem compreender um português do padrão das páginas 2 e 3 do Jornal O Estado de São Paulo, e o mais assustador: poucos, muitos poucos conseguem interpretar, não o comentário (post), mas o tópico (conjunto de posts)!!! É clara a percepção focal, pontual desta geração... o que vale, sempre, é o último post, o conjunto anterior de idéias, a história que se danem!... Referências? P'ra quê?! Zero... o que vale é o aqui e o agora... só.
3) A grande maioria "silenciosa" apenas observa, nada digita... nada propõe. Estes apenas "sapeiam", lêem inúmeros posts, comunidades e creio, pouco ou quase nada absorvem, pois a média do conteúdo das comunidades é abaixo de crítica.
4) A multiplicidade de grupos para um mesmo assunto (encontrei num passar de olhos 40 comunidades com mesmo propósito E NOME IDÊNTICO!!!!!) dilui qualquer tentativa de agregar uma discussão mais elaborada...
Ou seja, o Orkut fundamentalmente (a meu ver) é um espaço único para o estudo sociológico e antropológico - pois como círculo digital de relacionamento social onde deve-se inscrever-se em um grupo para ser "ouvido" - que propicia a multiplicidade anárquica fundamental para a proliferação de todas as fraquezas das inter-relações humanas. Um bom exemplo foi a invasão brasileira do Orkut, com centenas de "bogus" (falsos personagens) não denunciados (com certeza devido ao não entendimento da língua inglesa - única à época) e que hoje é fato perfeitamente aceito pelos seus membros...
Muito mais há sobre esta experiência, mas creio estar sendo já um pouco extenso...


Ahn... o podcast? Bem... 'tamos indo... arrumando espaços e planejando tudo muito direitinho para, além de lançar o 1o., manter o podcast vivo durante muito tempo...

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