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Sunday, December 23, 2007

Um podcaster em uma auto-entrevista



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Em um esforço para melhor conhecer os podcasters, e por não haver conseguido convencer ninguém a tempo, publico minha auto-entrevista. Quem sabe um podcaster misericordioso venha a colaborar nas próximas edições?

Muitos ouvintes querem saber o que motiva os podcasters a fazerem o que fazem; e por seu lado, os podcasters desejam saber para onde vai o podcasting. Então eu decidi bolar um questionário para “arrancar” estas informações de alguns podcasters. Como até o momento nenhum me enviou suas respostas, tudo bem... começo eu a responder:

P. Comecemos com uma breve auto-descrição, uma pequena biografia...

R: Meu nome é Sérgio, e nasci em Ourinhos, São Paulo, há 50 anos. Desde meu primeiro mês de vida até os 17 anos vivi em São Paulo. Passei os 5 anos seguintes no interior paulista, onde frequentei a Escola de Engenharia de Lins. Com 22 anos voltei para São Paulo em definitivo. Casei, tornei-me pai, e hoje possuo uma sólida vida familiar e profissional. Sempre me envolvi - de maneira bem auto-didata e diletante - com expressões artísticas e, modéstia à parte, me considero um razoável pintor e designer gráfico.
P: Quando e como, você conheceu o podcasting?
R: Foi nos fins de 2004 quando esbarrei em uma notinha em inglês sobre iPods e Adam Curry, a qual possuia um link sobre esta nova coisa chamada podcasting...
Foi algo que me interessou de cara. Tá certo que tudo sobre tecnologia sempre me interessou. Na época eu estava um tanto intrigado com CSS e Tableless, conceitos de webdesign, ou seja, usar formas melhores de relacionar usuários com a internet... mas pareceu-me tudo um pouco complicado e um pouco fora daquilo que eu já conhecia como usabilidade... meio fora de alcance dos conhecimentos do usuário comum. E eu estava certo! Até hoje pouca gente sabe o que é RSS, feed, podcasting...

P: Qual foi o primeiro podcast você assinou, e porquê?
R: Bom, na realidade eu não tenho certeza... porque após ler vários artigos sobre podcasting eu me fixei em outras tecnologias e quando instalei o iPodder lembro que assinei 4 ou 5 podcasts de uma vez, o do Adam Curry, um outro inglês sobre tecnologia e os podcasts do Danilo Medeiros, do Gui Leite, e do Diego Eis. E juro não lembro qual deles ouvi primeiro, mas foi no G5, eu não tinha mp3player ainda. E a razão foi a de sempre: curiosidade tecnológica.

P: O que você procura em um podcast?
R: Conteúdo, que em resumo é a informação qualificada e o entretenimento inteligente. Gosto de apresentadores engajados com o seu conteúdo e que me façam rir. Uma boa combinação de notícias e música ajuda também, mas é muito melhor quando me identifico com o podcaster, com sua personalidade e principalmente com o caráter pessoal aberto e honesto de suas experiências e conhecimentos. Ahn, o essencial é que o podcast seja autoral e que não possua nada em comum com aquilo que é produzido pelas rádios tradicionais.

P: O que faz você abandonar um podcast?
R: Essa é fácil. Cópias mal-feitas de rádio-apresentadores extravagantes falando sem parar sobre nada, o conhecido “enrolation”. Não há nada mais chato do que alguém que não tem nada a dizer.

P: O que levou você a se tornar um podcaster?
R: Novamente a curiosidade, um pouco de diletantismo... e claro, uma dose de desafio. Afinal, quem já ouviu meus podcasts sabe que não possuo uma voz muito adequada.
Outro fator foi a oportunidade de eu poder “escrever o meu livro” de uma forma oral. Pois creio que todo ser humano deseja ser ouvido e reconhecido como detentor de idéias e opiniões próprias.
Imagina só... uma rádio de alcance mundial só sua! Isso é irresistível!!!

P: O que motiva você, atualmente, para continuar a desenvolver o podcasting?
R: Exatamente estes mesmos três motivos: curiosidade artística, desafio tecnológico e desejo de divulgar idéias e opiniões. O mundo - mais do que nunca - é um lugar confuso, a possibilidade de acesso e a quantidade de informação disponível para um indivíduo é mostruosa. Precisamos cada vez mais qualificar e compartilhar a informação para evitar a estupidificação e a manipulação.

P: Os podcasts mudaram a sua atitude em relação com os meios de comunicação tradicionais?
R: Por eu possuir uma proximidade muito maior que a pessoa comum com a mídia (a família sempre esteve envolvida com jornalismo, produção áudio-visual, rádio e tv), meu modo de consumir e me relacionar com estes meios não mudaram em quase nada. Continuo ouvindo rádio, assistindo TV, lendo jornais, livros e revistas. Em certos horários, ao invés de ouvir música, agora ouço podcasts. O que houve mesmo foi o aproveitamento deste meu envolvimento com a mídia na produção do podcast.

P: A produção de podcasts mudou a sua vida?
R: Mudou sim... e a maior mudança creio ter sido o reacender da garra - na minha idade! - de possibilitar eu encarar e desenvolver todo um projeto complexo e desafiador, do zero, sozinho!!! E apaixonadamente manter o Impressões Digitais, aparando arestas aqui e alí, criando novas formas de expor minhas idéias e opiniões desde dezembro de 2005.
Realmente me espanta a minha dedicação na produção, essa paixão pelos podcasts e o envolvimento e apoio aos outros podcasts e seus produtores.
Outro ponto a salientar é a oportunidade social que o envolvimento com a comunidade de podcasters me oferece e a oportunidade de conhecer pessoas realmente muito inteligentes e interessantes, e claro, de expandir meus conhecimentos gerais e técnicos, permitindo, assim, a criação e a experimentação.

P: O que atrai você no podcasting?
R: O fato de que ele permite a convivência de milhares de opções inventivas, assim como de produtores talentosos sem conflito de espaços e - mais importante - a possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar do planeta, poder consumir entretenimento, cultura, informação a custo irrisório e com um grau de liberdade nunca antes colocado à disposição da humanidade.

P: O que você vê no futuro para você e seu podcast?
R: Comecei a notar que a exposição do podcast tem aumentado, novas pessoas estão descobrindo o Impressões Digitais todos os dias. Seria bom vê-lo crescer com mais vigor, mesmo porque estou ampliando os produtos do que chamo Projeto Impressões Digitais. Estou preparando meios de reforçar o blog e implementar umas coisinhas bem interessantes no conteúdo escrito, assim espero ampliar o raio de ação e penetração do Projeto. Em última análise, a dominação mundial!!!
Made it, Ma. Top of World!”(*)


Sérgio Vieira - autor deste artigo, que além de podcaster é um cinéfilo assumido, não pode deixar de lançar mão de uma das (*)frases mais famosas da história do cinema, proferida pelo personagem Cody Jarret, de James Cagney na cena final do filme White Heat (no Brasil, Fúria Sanguinária) de 1949. http://impressoes.vocepod.com idigitais@gmail.com

Saturday, December 15, 2007

I Dig it Special03

Esta aqui é uma versão do ADD (podcast do MaestroBilly) especialmente preparada para atender o projeto Natal do Billy. Neste especial eu elegi quatro canções de artistas ainda desconhecidos do grande público.


A primeira artista é pernambucana Lucinha Guerra (lucinha.guerra@gmail.com / (81) 9133-0236 e (81) 3241-0236) interpretando ‘Samba pra João’, uma canção do compositor também pernambucano Romero Andrade. Lucinha é cantora, atriz, percussionista, dançarina e diretora musical. O repertório de Lucinha é de grande diversidade musical, trazendo composições inéditas e antigos clássicos da MPB, variando do frevo de bloco, do samba, do baião, canções francesas, cantigas populares, fox trot, tango e algumas árias de ópera com arranjos originais. Seu 2ºCD “O Samba de Mariazinha”, traz canções inéditas do Pernambucano Romero Andrade, do carioca Marcelinho Di Samba, do cancioneiro popular, e da própria Lucinha Guerra. Trazendo sempre ritmos diversificados como sambas, xotes, frevos de bloco e canção, maxixes… E participações mais que especiais como o cantor Geraldo Maia, a cantora Anastácia Rodrigues, Terezinha do acordeom, Cezinha do Acordeom entre outros.


A seguir a jovem cantora, compositora e arranjadora Elisa Gatti (benedetta16@gmail.com), paulistana de apenas 23 anos, interpreta sua composição, em parceria com Frederico Barbosa, “Nós Paisagens“ e também uma gravação ao vivo de sua composição “Che ci posso fare”.




Para encerrar este especial temos a canção “Alento”, composição de Luisinho Vieira (luis.vieiradasilva@gmail.com) e do publicitário Sérgio (Cultura) Valente, que também interpreta esta canção, que faz parte do CD Provocação lançado em setembro de 2007. Este trabalho com direção do próprio Luisinho Vieira, faz parte do acervo do grupo OPA que desenvolve a arte como meio de oração.

Divirtam-se!

Post Scriptum: Ahn, o original do ADD 0383 do MaestroBilly tem muito mais músicas e uma apresentação “sui generis” feita pelo Billy deste velho aqui… :P

Sunday, December 09, 2007

I Dig it 040

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua quadragésima edição - versão Compacto Duplo.

LADO A & B - I´ve got you under my skin (Cole Porter)
Fransces Day (lado A), Frank Sinatra e Bonno Vox (lado B)
I've got you under my skin
I've got you deep in the heart of me
So deep in my heart, that you're really a part of me
I've got you under my skin
I've tried so not to give in
I've said to myself this affair never will go so well
But why should I try to resist, when baby will I know so well
That I've got you under my skin
I'd sacrifice anything come what might
For the sake of having you near
In spite of a warning voice that comes in the night
And repeats, repeats in my ear
Don't you know you fool, you never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you
Makes me stop before I begin
'Cause I've got you under my skin

INTRO - Não resisti e só usei como background músicas dos anos 30 e 40... a garotada vai estranhar pacas! Mas como o tema do Homo Sapiens é a releitura (maniqueísta) da nossa historia recente - os anos do Estado Novo de Vargas. A coesão do podcast ficou garantida.

HOMO SAPIENS - Certas releituras da política de nosso país realmente me deixam abestalhado pela capacidade demonstrada por alguns ditos intelectuais na distorção pura e simples de uma realidade histórica...
Há pessoas divulgando que o estado novo de Getúlio Vargas não foi apenas uma tirania, mas um sistema político necessário que legou a industrialização ao Brasil. Para estes, Vargas foi um déspota esclarecido, líder de uma “revolução pelo alto” que lançou as bases da industrialização do Brasil.
Uma das facetas das novas estruturas sócio-econômicas surgidas em 1920, é sem dúvida a crítica às instituições representativas da democracia liberal. A reação a este movimento liberal veio na forma de substituição dos partidos e das organizações por câmaras ou setores da produção organizados e liderados por um Estado fortalecido e extremamente centralizador.
Vargas não foi capaz de chegar através do voto à Presidência em 1930 . Seu grupo resolveu então através de um golpe alçá-lo ao poder e invalidaram a Constituição republicana. Uma nova Constituição só foi estabelecida em 1934, e completamente desprezada pela ditadura Vargas até o golpe final em 10 de novembro de 1937, quando da outorga pelo próprio ditador Vargas de uma constituiçãoque validou a ditadura do Estado Novo até 1945.
Alguns destes neo-historiadores não avaliam as transformações ocorridas com o reconhecimento de direitos trabalhistas - a famosa CLT, conjunto de leis totalmente baseado na Carta del Lavoro fascista de Mussolini - mesmo que o preço disso tenha sido a perda da autonomia política dos trabalhadores pelo atrelamento dos sindicatos ao Estado. Da mesma forma, saudando os benefícios aos “trabalhadores do Brasil”, outros passam ao largo do engessamento causado pelo caudilhismo e peleguismo, quase não tocando nos desmandos dos interventores da ditadura no governo dos estados e nas milhares de arbitrariedades jurídicas. Antes de ceder às pressões econômicas e políticas e ingressar na II Guerra Mundial ao lado dos aliados, Getúlio Vargas deixava claro sua simpatia pelos regimes fortes.
Setenta anos depois da implantação do Estado Novo, não estamos ainda no que Braudel chamava de “tempo longo”, mas já é possível analisar aquele período de maneira menos maniqueísta, mas não tão levianamente quanto este pessoal... Analisando as datas de inauguração da CSN, da CVRD, da FNM de da CHESF verifica-se que industrialização promovida pela ditadura de Vargas iniciada em 1930 só ocorre pelas ações de guerra do início dos anos 40 e de subsídio ao pós-guerra, ambas dirigidas pelos EUA!
No final de 1945, a vitória aliada na Segunda Guerra e a própria conjuntura nacional viraram o País de cabeça para baixo. Um país calcado no velho fascimo derrotado e extinto nos campos europeus não podia mais existir no campo geo-político do grande vencedor... Um novo realinhamento de forças políticas e, principalmente, do status quo depuseram Vargas em 29 de outubro daquele ano. O Brasil nunca mais seria o mesmo.

BACKGROUND - Rosalie / Love for sale (Cole Porter), A Media Luz - Hugo del Carril (Carlos Gardel), Sweet Lorraine / Jumpin´ At the Woodside / Chicago / Get Happy (Benny Goldmann).

INCIDENTAL - Getúlio Vargas, South American Way - Carmen Miranda (McHugh - Dubin)

Saturday, November 24, 2007

Jazz e Podcasting

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Muitos ouvem a palavra JAZZ e imediatamente a associam ao passado e a nomes como Dizzy, Coltrane, Monk, Miles, Chet, Brubeck e muitos outros. Então, alguém pode explicar como é que este estilo musical ainda sobrevive?

O jazz é sem dúvida uma das mais criativas formas da arte norte-americana, bem como a sua única vertente musical realmente original.

Se você gosta de jazz e tentar buscar nas rádios brasileiras, você provavelmente ouvirá na maioria das vezes - quando e se encontrar! - algo como jazz misturado com R&B ou com bossanova. Na internet você pode até encontrar o jazz tradicional ou clássico, como também as suas dezenas de variações: moderno, experimental, acid, progressista, fusion ou ainda o nu-jazz...

...

Todos os que acompanham meu podcast - Impressões Digitais - sabem que além de eu utilizar constantemente o jazz como background de meus podcasts, a seção onde toco uma peça completa - a Jazz em Paz - é quase uma constante do Impressões Digitais versão Full. E sabe porque eu faço isto? Óbvio que é por que eu gosto de jazz! Mas o principal motivo é o mesmo deste artigo: minha expectativa de que você se aproxime do jazz, pois este tipo de música não é muito conhecido pelo público de podcasting.

Para lançar alguma luz sobre o jazz, e, em particular, o jazz em podcasting, eu me proponho aqui a responder as seguintes questões:

1) O que significa jazz?

2) E será que o podcasting é uma maneira eficaz de divulgação do jazz?


Bem... de cara eu posso dizer que jazz possui inúmeras definições... então, mais uma ou menos uma, não faz diferença, não é? Pois então... eu diria que além de ser um tipo de música sincopada, polirítmica e calcada no canto e contra-canto e na improvisão o jazz, basicamente, está nos ouvidos de quem ouve.

Assim como duas pessoas podem olhar para uma pintura e derivar dois diferentes significados, duas diferentes interpretações, o jazz é mais uma das formas subjectivas de arte. No meu entendimento jazz é, sempre, uma evolução constante e criativa de uma forma musical complexa.

Seja você admira o jazz tradicional ou é um amante do jazz contemporâneo, qualquer que seja seu matiz jazzístico, sabe que o improviso é fator comum, é a característica fundamental do jazz. Ele vem do coração, é expressivo, carrega um elevado grau, muitas vezes desprezado, de disciplina musical e virtuosismo, e por isso mesmo exige um maior amadurecimento musical e artístico tanto dos executores como de seu público. Eu sei, vocês vão dizer que jazz é elitista... eu sei, eu sei... e vocês estão corretíssimos!

O jazz é o resultado da derivação de um tema musical numa direção diferente de sua forma original. Frequentemente associa-se o jazz como sendo uma evolução do blues, no entanto, podemos tomar uma peça clássica interpretá-la numa versão jazzy, em uma outra abordagem, bem diferente da intenção original.

Jazz e podcasting parecem ser uma combinação quase perfeita, uma vez que muitos podcasters - assim como músicos de Jazz - trabalham a partir de um esboço muito simples para com seu estilo pessoal desenvolver temas, fazendo-os fluir livremente em direções nem sempre percorridas pela mídia tradicional.

Alguns afirmam que jazz é o resultado da mistura entre blues e gospel, em uma outra forma de se ver a vida cotidiana, empacotada, sufocada e recoberta de improvisos.

Jazz é a liberdade de idéias, de espírito, de alma e de sons. Através da improvisação estes elementos se tornam vivos para o intérprete, bem como ao ouvinte pela interpretação.

Jazz é uma forma muito disciplinada de arte. Apesar dele parecer caótico, na realidade ele é - devido a sua complexidade - extremamente aberto e permeável. Basta ser versado em teoria musical para perceber isso.

...

Quanto à segunda questão - se o podcasting é uma maneira eficaz de divulgação do jazz - uma parte de mim não vê o podcasting ajudando a trazer mais pessoas para o jazz, mas para o gosto jazzístico do podcaster. Parece que o podcasting só atinge aqueles que já apreciam o gênero. Mesmo enriquecendo a divulgação da obra, complementando as informações sobre a peça e o autor, esse meu lado mais pragmático diz que o podcasting é só e apenas mais uma forma de transmitir música. Só isso!

Eu creio - também - que o podcasting pode dar uma mãozinha às pessoas que já têm algum, ou muito, interesse no jazz. No entanto, para as pessoas que não curtem jazz, com certeza, o podcasting não vai mudar a maneira de se encarar este tipo de música, ao menos, assim de imediato. A longo prazo? Quem sabe?

...

Claro que o podcasting também serve como uma bela vitrine para exposição de artistas, novos ou velhos. Já está mais que claro que esta forma de distribuição de conteúdo inédito é a mais promissora da nova tecnologia de informação, via cabo ou wireless. Pois, abrange tanto o entretenimento como a cultura e a educação.

A ampla disponibilidade da tecnologia internet, a facilidade de acesso à música que ela proporciona, e claro, os baixos custos de divulgação tornam o podcasting em uma ferramenta imprescindível de transmissão da música em todas as suas variações e formas... Em contraponto a este aspecto encorajador, devemos lembrar que o podcasting ainda é um pouco complexo, de compreensão e domínio muito difíceis para a maioria das pessoas que navegam na internet, e portanto, ainda não atinge quase nada do que poderia em termos de ouvintes.

Um aspecto instigante do jazz reside na sua capacidade, diferentemente de tantas outras formas musicais, de atrair e manter o convívio de pessoas de diferentes culturas. Outro exemplo, alguns lembrarão, é a música clássica. Entretanto, esta última não possui aquilo que também é uma das caraterísitcas únicas do jazz: a capacidade de evoluir em nichos distintos e fundir-se rapida e naturalmente com novas estruturas como Rock'N'Roll, Hip Hop e R&B, dando origem a inovadores campos musicais.

...

Assim como outros podcasts sobre tendências musicais, aqueles que se utilizam do jazz podem apresentar aos novatos ouvintes: clássicos, medalhões, experimentalismos “mucho locos”, e claro, novos músicos... permitindo a exposição e alavancando uma nova geração jazzy.

Agora, o que atrapalha mesmo é o pouquíssimo espaço que o jazz dispõe nos meios tradicionais de comunicação. Tirando a vontade do adepto de buscar na internet, nas prateleiras das lojas de cds e em alguma estação de rádio - ou tv - aqui, outra acolá, é que se tem acesso fortuito ao jazz.

O que p´ra mim é, com certeza, uma dádiva por um lado e uma cruz pelo outro! Afinal, creio ser um dos pouquíssimos podcasts em língua portuguesa que divulga o jazz. Isso é muito bacana p´ro meu ego, mas é péssimo p´ra nossa cultura...


Sérgio Vieira - autor deste artigo, gosta muito de jazz, mas curte outros estilos musicais, afinal tudo tem seu momento.

http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com





Sunday, November 11, 2007

I Dig it 039

Até que enfim! Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais na versão Full, edição nº 39 de 4 de novembro do ano gregoriano de 2007.


Roda Viva - Chico Buarque e Fernanda Porto (Chico Buarque)
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


Introdução: Quando uma voz é ativa, o status quo busca desqualificá-la, tudo fica a um passo do desastre, com um ar rançoso e rancoroso permeando os círculos, tanto à esquerda como à direita, agora ou quarenta anos atrás.
Para enriquecer esse singelo Impressões lanço mão dos inteligentes, intrigantes, elegantes e sempre mais-que-perfeitos pensamentos do seu Milton: “Depois de tantos anos de vida, por consciência, temperamento ou até mesmo cansaço, descubro que sou e continuo sendo um democrata... Alguém tinha que ser!!!“ conversa entre seu Milton e Flávio Damm, fotógrafo em 1973.
Para quem viveu uma época pra lá de estúpida e esdrúxula, sob uma ditadura militar, onde se vivia um um teatro de chancela, onde os direitos da cidadania estavam restritos aos ditames do AI-5 (clica aí no Google e pesquisa sobre o assunto!), onde só havia o certo e o comunista, o homem de bem e o terrorista, os aparelhos e os porões da Oban e do Doi-Codi, as cadeiras-do-dragão e os paus-de-arara, os murros em ponta de faca, o arena e o opinião, a resistência e os movimentos, gente espancada por grupos para-militares e comandos, como o de Caça aos Comunistas , as fugas, os exílios, os pais e filhos desaparecidos, mortes suspeitas em acidentes inverossímeis, e jornalista enforcado em suas próprias meias, amarradas numa grade a 1,2 m de altura... é duro, é muito difícil suportar impassivelmente os imbecis arautos das benesses de um passado ditatorial e das possíveis catastrófes advindas da liberdade de escolhas democráticas atuais da maioria de um povo. Se errou, procure acertar da próxima vez. Sempre dentro das regras democráticas...


O Manual do Torneiro Mecânico: “As novas realidades nem sempre ultrapassam a velha sabedoria. Uma coisa é conceito, outra experiência existencial... Teu avô pode não ter um curso secundário, mas tem 67 anos“ - extraido de um texto do seu Milton de título: Conflitos, de 1963.
Caso você não saiba, os vegetais nunca foram considerados uma das espécies mais inteligentes do planeta. Mas nada disso importa no processo de seleção natural. O que importa nessa vida é deixar muitos descendentes, ocupar de maneira eficiente os ecossistemas e ser capaz de se adaptar quando o ambiente muda. Por tal ponto de vista, o milho, é muito mais bem-sucedido que a espécie humana. Pois, ele domesticou direitinho os seres humanos. O processo de nossa domesticação começou por acaso, em algum lugar do México. Naquela época, quando o milho vivia em constante competição com outros vegetais, eles sofreram mutações que pareciam letais. Os grãos deixaram de se soltar do sabugo ao amadurecer e as espigas, ainda pequenas e primitivas, deixaram de se abrir facilmente. Os homens passaram a colher o grão antes que caísse no chão. Além de comê-los, estes passaram a plantar os primeiros campos de maneira organizada. Com a alimentação abundantemente produzida o ser humano foi induzido a deixar de ser um animal primitivo e violento, fez de nós animais relativamente dóceis. Nos organizamos em sociedades capazes de dedicar esforços para promover a expansão do milho. A dependência humana é tanta que gasta-se bilhões de dólares para encontrar petróleo e assim produzir fertilizantes e para transportar vegetais. Outros bilhões são gastos para modificar a genética deles e produzir inseticidas...
Estamos chegando ao absurdo de destruir em definitivo o ambiente e o equilíbrio natural na busca de meios para alimentar mal e porcamente 6 bilhões de seres humanos hoje e em uma geração algo em torno de 20 bilhões... O homo está provando que de sapiens ele não possui nada, apesar do cérebro.


Os Pensamentos do seu Milton, o guru do méier: “O único democrata autêntico que conheci em minha vida foi o Papa Doc do Haiti. Fuzilava inimigos, amigos e até parentes com absoluta imparcialidade.” - conversa entre seu Milton e o fotógrafo Paulo Gancez em 1971.


Caiu Na Rede: “O extraordinário desenvolvimento da ´civilização´ só trouxe como consequência o idiota alcançar um raio de ação jamais imaginado. O mundo tem hoje, pela primeira vez, o idiota global.” - extraído do texto de seu Milton, Ilusões de 1957.
Pois bem, pesquisando sobre o tropicalismo para o podcast anterior bati no site music.download da cnet e olha só, encontrei uma perfeita pérola da desinformação estruturada . A Molly Wood devia perder o emprego!
Outra bobagem que caiu na rede: Em Novembro de 2004, circulou um spam convidando para a World Multi-Conference on Systemics, Cybernetics and Informatics (WMSCI) que se realizou em Julho de 2005. Estudantes do MIT decidiram sacanear e criaram um software capaz de gerar textos acadêmicos com gráficos, tabelas e equações mais ou menos ordenados, de tal forma que pudessem ser lidos sem problemas de coerência lingüística, mas que na verdade não possuiam sentido ou significado algum. Dois desses textos gerados pelo programinha foram enviados para participar do danado do congresso e um deles, o documento intitulado Rooter: A Methodology for the Typical Unification of Access Points and Redundancy foi aceito!!!
Após a publicação da notícia de que um artigo desta natureza havia sido aceito pela WMSCI, o meio acadêmico questionou-se: qual o método de validação e análise foi utilizado? Isso era um caso isolado ou recorrente? E também, quem era Nagib Callaos? Você pode encontrar um trabalho publicado por este senhor, de título: Toward a Systemic Notion of Information: Practical consequences onde ele propõe uma interpretação do modelo matemático proposto pelo cientista Claude Shannon, utilizado pelos teóricos da comunicação.
Muitos afirmam que não existe apenas uma má interpretação da teoria de Shannon, mas também que Callaos faz uma mistureba enorme de conceitos e, portanto, o seu texto parece seguir os mesmos princípios desenvolvidos pelos alunos do MIT, ou seja uma bobajada sem tamanho com aspecto acadêmico.


É a Ignoranssa qui Astravanca u Porgréssio: "A censura começa por impedir a circulação pública de poucos textos muito legais de alguns escritores e acaba deixando como legado escrito muitas proibições legais de circulação tanto de escritores como de público." - frase de seu Milton proferida não sei onde, não sei quando.
Mais frases:
“O fato de um camponês poder tornar-se rei não torna um reino democrático.” - Woodrow Wilson, 28º Presidente estadounidense de 1913 a 1921.
“A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes.” - Bernard Shaw, escritor irlandês
Na década de 70 conheci a Revista Grilo e um grande cartunista, o Edgar Vasques, gaúcho, criador do magnifíco Rango: um personagem miserável, esfomeado, marginalizado, pobre, desempregado, e que vivia dentro de uma lata de lixo.
Em um cartum - que, p´ra mim, é a melhor representação do que foram os anos de chumbo - Rango é questionado pelo seu filho: "Paiê! O que é democracia?!" - E o Rango responde: "É grego!"
Passaram-se muitos anos... conseguimos a redemocratização do estado brasileiro, de modo meio capenga, certo, mas estamos indo... cada vez mais envoltos nas sutilezas e opções deste mundo interligado, instantâneo e de compressões e expansões globalizantes. Ou seja, nossas relações formais - sociais e políticas - estão muito mais complexas... e creio que todas estas distorções que envolvem nossas instituições políticas estão vinculadas a esta complexidade. E é por aí, nessa relação Dr. Jekyll-Mr. Hyde da política que encaro, pois creio que é no entendimento, no reconhecimento desta linha divisória naquilo que chamo de domínio cultural da ética, que talvez se encontre uma solução para nossas agruras.
Primeiro alguns exageros de nossa jovem democracia, ou simplificações políticas, ou melhor, mentiras deslavadas de políticos pilantras:
1. A desinformação do eleitor é um problema de cultura, de educação.
2. Para acabar com isso que esta aí no Congresso tem que haver uma ampla reforma política o mais rápido possível, assim - pá! - numa canetada só.
3. Alardeia-se toda semana que precisa-se fortalecer o Legislativo.
4. Muitos exigem que deve-se reduzir o número de partidos e financiar as campanhas.
5. O Congresso é o fórum de debates e decisões legislativas.
Derrubar estas perorações não é nada difícil (ouça o podcast, ô criatura!) o difiícil é atentar que é necessário compreender que:
a. Aguardar alguma proposta destas instituições que aí estão é pura perda de tempo e paciência. Pode esquecer...
b. Estas insituições são arcaicas, desconectadas da realidade atual, seus patrocinadores ignoram os novos paradigmas, e cabe à sociedade o patrocínio imediato de uma nova maneira, inventiva de se tratar as relações políticas e seus reflexos sócio-econômicos.
c. A solução exige reais lideranças sociais muito bem organizadas e com projetos de gestão política globalizantes de curto, médio e longo prazo muito bem definidos.
Tendo isto em vista, também é necessário que deve-se: Excluir aqueles que propõem projetos de poder. Que você faz parte da solução, caso contrário é parte do problema. Ninguém cria uma grande obra sozinho de um dia para outro, portanto, paciência e perseverança é a receita. E por fim, mas não esgotando o assunto, a tecnologia básica atual permite que você crie redes sociais interessadas em um tema comum... Você quer uma dica melhor do que esta?!

Como ainda temos que conviver com este modelito tacanho, de poder desbalanceado, mais do que nunca a minha campanha cidadã Congresso 2010 deve ser lembrada...
Não deixe essa turma de loucos lá de Brasília fazer mais bobagens do que já fizeram, lembre-se:
ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA MUITO O SACO DE SEU REPRESENTANTE!
Ligue pra ele, mande emails, cartinhas pelo correio... aporrinhe o danado. Aumente suas chances de provocar um momento de lucidez nele. Se você não fizer nada, a chance dele mudar é ZERO!
Então: ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA O SACO DE SEU REPRESENTANTE!


Jazz em Paz: Já que gringo não sabe o que é Tropicália. Já que gringo acha que samba é bossa nova e bossa nova é jazz:

Wave - A Jacarandá (Tom Jobim)
Vou te contar, os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar, e tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais, a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Desde que o samba é samba - Victoria Abril & Rosa Passos (Caetano Veloso)
A tristeza é senhora,
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura,
a noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora,
tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece,
no quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer,
veja o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer,
o samba é o filho da dor
O grande poder transformador


BackGround: One O'clock Jump (Tommy and Jimmy Dorsey); Boogie Woogie (Tommy Dorsey); Lester Left Town & Moanin' (Art Blakey & The Jazz Messengers); Gisele (A Jacarandá)

Thursday, November 01, 2007

Paz sem voz é medo...













Imagine (John Lennon)

Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one















Versão (mais ou menos) livre: Sérgio Vieira

Imagine: não há paraíso,
É fácil, tente!
Nenhum inferno lá embaixo,
Apenas o céu lá em cima.
Imagine: todos
Vivendo apenas o hoje...

Imagine: não há países,
Não é difícil imaginar,
Sem motivos p'ra matar ou morrer,
Sem nenhuma religião também.
Imagine: todos
Vivendo a vida, em paz...

Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas, não sou o único.
Espero que algum dia você se junte a nós,
Assim o mundo viverá unido.

Imagine: não há posse,
Você consegue?
Sem ganância ou fome,
O homem irmanado.
Imagine todos
Compartilhando tudo.



*****

Se não houver o sonho, a vontade torna-se apenas desejo.
Se não houver a disposição, a realidade é apenas um sonho.

*****

"Saúde, paz e grato pela companhia..."



P.S. Post integrante da blogagem coletiva proposta pelo Lino Resende, clique aqui para conhecer os participantes e seus textos.


Sunday, October 28, 2007

Etmologia e podcasts

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Etmologicamente o termo “comunidade“ é muito interessante. Suas origens remontam aos primórdios da civilização e a uma teia de termos relacionados a uma palavra do latim arcaico: “communis”, um substantivo usado para descrever o que é comum, o que é geral, ou seja, de todos sem um dono específico... de usufruto livre e público, enfim.

Em uma época em que proliferam redes eletrônicas de acesso globais - via cabos ou wireless - e inúmeros ambientes sociais digitais expandem as suas portas da percepção, onde licenciamentos do tipo Creative Commons e ferramentas Open Source são livremente distribuídos, é pertinente, interessante e intrigante a percepção de que - hoje - qualquer pessoa com um computador e uma conexão de rede pode criar, gerir ou participar das mais variadas comunidades focadas em interesses comuns.

Em 2005, eu descobri apenas uma comunidade específica sobre o assunto podcasting. Inicialmente ela era relativamente pequena, consistia de alguns ouvintes e podcasters precocemente agrupados em torno de alguns programas pioneiros como os do Gui Leite, do Danilo Medeiros, do Diego Eis, e do Bruno Torres.

Apesar disso a comunidade era ativa e cheia de gás. Possuia uma energia cativante e uma abertura generosa a novos participantes e idéias. Teve seus momentos geek - tanto no tom como no conteúdo - mas também foi também desastrada, divertida, sensível, e inventiva na alavancagem de novos podcasters (como este que vos digita estas palavras).

Algo sobre o casamento da tecnologia de assinatura RSS, arquivo de áudio e entretenimento, transferidos para meu computador apenas com um clique do mouse?! Isso sim era um excelente método para obter acesso a coisas que eu queria ouvir quando e onde quisesse. E devia ser difundido!

Essa criativa, tolerante e pioneira comunidade de podcasters brasileiros, centrados em uma ética guerilheira e regras não muito definidas, que apenas engatinhava, impulsionou despretensiosamente uma série de programas e podcasters inovadores, muito longe do padrão DJ de FM, MTV ou Mesa Redonda de Futebol...

Embora fosse tecnicamente assustador para alguns o ato de criar e “subir” seu arquivo mp3 para um servidor, a liberdade absoluta de produção de seu prórprio conteúdo e de difusão, é e sempre será o grande e definitivo diferencial entre um Podcast e um mero arquivo de áudio/vídeo distribuído via RSS.

Que maravilha! Não há restrições de estilo e formato que tanto tolhem a criatividade no rádio tradicional. As pessoas ouvindo e produzindo podcasts instigantes, desenvolveram também ferramentas que realimentaram todo o processo de podcasting, popularizando lentamente este formato. Tudo era novo.

Depois de acompanhar por alguns meses este universo efeverscente decidi fazer um podcast... e passaram-se seis meses até eu lançar o primeiro programa. Pouco tempo depois desta minha decisão, descobri inúmeros outros fóruns mais focados em agregar ouvintes do que discutir o podcasting... Mesmo assim, inúmeros podcasters foram descobertos ou se descobriram.

Muitos destes eu vim a conhecer mais de perto. Alguns se tornaram excelentes podcasters, muitos abandonaram o barco e hoje só blogam. Outros desapareceram... Uns ainda são valiosos parceiros e há aqueles que chamo de amigos.

Durante estes quase 3 anos, muito mais que me divertir produzindo o Impressões Digitais, aprendi que os podcasts são poderosas ferramentas de aproximação de pessoas, construindo relacionamentos, permitindo o compartilhamento de histórias, sentimentos e conhecimentos.

Igualmente importante foi o fato de eu descobrir a minha própria comunidade dos ouvintes: as pessoas interessadas no conteúdo que eu estava produzindo. Muitos dos quais oferecem apoio, aconselhamento, informação adicional ou apenas amigável e desinteressado encorajamento.

Através desta descoberta consegui entender esse poder único e intrínseco ao meu podcast, assim passei encará-lo como uma forma de propagar - através de outras estruturas sócio-culturais - a minha mensagem pessoal, e também como uma forma de permitir que outras pessoas chegassem até mim.

Percebi também todo o poder que a web oferece às pessoas que possuem um interesse específico, dentre os variados assuntos que desenvolvo em meu podcast, principalmente o de responder-me apenas sobre um tema, uma idéia muito mais profundamente analisada e a capacidade outorgada de compartilhar um interesse comum. Ou seja, um nicho dentro de um outro nicho!

Os podcasts são particularmente eficazes na criação de um sentido amplo de comunidade, obviamente e porque a palavra falada é o mais eficaz transmissor de significado pessoal e emocional. Muito daquilo que fazemos é calcado apenas em nossa capacidade de falar.

O podcasting ajuda a restaurar tanto o senso de igualdade como a tradição oral, que, por vezes, parece definhar irremediavelmente numa cultura de difusão necessariamente saturada de mensagens comerciais. Os podcasts permitem às pessoas redescobrirem a diversidade de pensamentos, uma riqueza oculta de opiniões, posturas, informações, músicas, dramatizações, culturas, notícias e histórias.

Os podcasts nos colocam novamente em contato com as comunidades que nos são caras e as quais nós pertencemos, mesmo sem saber. Eles nos ajudam a escutar e compartilhar assuntos que desejamos. Ambas situações são ferramentas poderosas para a auto-expressão e importantes veículos para compartilhamento de sentimentos e potencialização de nosso sentimento tão latino de comunidade.



Sérgio Vieira - autor deste artigo, mesmo gostando de filologia, causa arrepios na comunidade quando comete pequenos assassinatos contra a língua pátria.

http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com



Sunday, October 21, 2007

I Dig it 038

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua trigésima-oitava edição - versão Compacto Duplo.

LADO A:
2001- Mutantes (Rita Lee e Tom Zé); álbum Mutantes, 1969

Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Eu quase posso palpar
A minha vida que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor do céu me compõe
O mar azul me dissolve
A equação me propõe
Computador me resolve
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Amei a velocidade
Casei com sete planetas
Por filho, cor e espaço
Não me tenho nem me faço
A rota do ano-luz
Calculo dentro do passo
Minha dor é cicatriz
Minha morte não me quis
Nos braços de dois mil anos
Eu nasci sem Ter idade
Sou casado sou solteiro
Sou baiano e estrangeiro
Meu sangue é de gasolina
Correndo não tenho mágoa
Meu peito é de sal de fruta
Fervendo no copo d'água
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia

INTRO: Você, provavelmente mais novo, atento e esperto notou que Tom e Rita brincam já nos idos de 68, bem no início da revolução da comunicação de massa, com nossa cultura frente ao futurismo do filme do Stanley Kubrick, 2001 Uma Odisséia no Espaço. Até os efeitos sonoros quando da aparição do monolito no filme são sacaneados pelos Mutantes nesta gravação. assim como percebeu, ao ouvir o trecho rock, desta visão tropicalista e musical, um certo quê do Pato Fu, né? A voz da Rita e da Takai se confundem...

Up date (24.Out) - Meninas me desculpem. Esqueci de coloocar os links de seus podcasts que citei no podcast, assim, aqui estão os ditos:
Privada Elétrica Podcast da Carolina Garofani de Curitiba,PR.
Aline Multiply Podcast da Aline Rodrigues do Rio de Janeiro, RJ.

HOMO SAPIENS: Neste Homo Sapiens eu retomo as idéias de Marshall McLuhan - lááá dos idos de 1960 e caquerada - para tentar clarear o que anda acontecendo com esta profusão de meios e uma torturante falta de mensagens...
ATENÇÃO RAPAZIADA: O MEIO É A MENSAGEM!!! Essa é a central deste canadense, ou seja, a mídia é um elemento determinante da comunicação. Pois até então o meio era geralmente pensado como simples canal de passagem do conteúdo comunicativo, mero veículo de transmissão da mensagem.
McLuhan chama a atenção para o fato de que uma mensagem quando proferida, transmitida por alguma mídia, introduz e exige diferentes estruturas perceptivas, desencadeando diferentes mecanismos de compreensão, ganhando diferentes contornos e tonalidades, e no extremo adquirindo diferentes significados. Em outras palavras, para McLuhan, o meio, o canal, a tecnologia em que a comunicação se estabelece, não apenas constitui a forma comunicativa, mas determina o próprio conteúdo da comunicação.
Partindo desta tese central, McLuhan aprimora seus estudos já abordados em seus outros 2 livros fundamentais: The Gutenberg Galaxy: The making of Typographic Man, de 1962 - onde analisa a evolução dos meios comunicativos usados pelos homens ao longo da sua História; e, Understanding Media: The extensions of Man, de 196, no qual identifica as características específicas de cada um desses diferentes meios de comunicação.
McLuhan distingue também três grandes períodos, culturas ou como ele as chamou: galáxias: A cultura oral ou acústica, própria das sociedades não-alfabetizadas; a cultura tipográfica ou visual que caracteriza as sociedades alfabetizadas; e a cultura eletrônica, determinada pela velocidade instantânea que caracteriza os meios foto-elétricos de comunicação e pela integração sensorial para que esses meios apelam.
Pela sua riqueza interpretativa e sugestiva, a palavra oral subscita à criatividade de quem fala e de quem ouve, estimula a imaginação, deixa o ouvinte livre para imaginar a seu modo as realidades e acontecimentos de que ela fala, ao passo que a escrita favorece a adoção de um ponto de vista único, desenvolve a uniformidade de quem escreve e de quem lê, suscita a ordenação lógica do discurso permitindo a construção de saberes racionais.
Quanto aos meios de comunicação elétrica, a sua instantaneidade, a velocidade com que a difusão das mensagens é feita, o caráter massivo da sua recepção (difusão), não só permite a partilha de experiências distantes e exóticas, como promove um novo tipo de aproximação social, agora em larga escala.
Como diz McLuhan, “A era eletrônica, que sucede à era tipográfica e mecânica dos quinhentos últimos anos, coloca-nos face a novas formas e a novas estruturas de interdependência humana“.
Não é estranho que MacLuhan defenda que as novas formas de interdependência que a tecnologia eletrônica arrasta consigo estejam, afinal, recriando o mundo à imagem de uma “aldeia global“ atravessada, e mesmo constituída, por redes altamente complexas de velozes e vibrantes meios de comunicação.
Ao permitir, e mesmo solicitar, a participação ativa da pessoa no seu próprio processo de aprendizagem, ao colocar à sua frente um universo permissivo onde a exploração imaginativa é livre no estabelecimento de encontros, aproximações, agregações sugestivas, redes analógicas insuspeitas, a formação cultural cibernética vislumbrada faz desaparecer o paradoxo da sociedade industrial do século 20, o binômio trabalho / lazer.
Em termos de históricos e filosóficos, é importante sublinhar: a tese de Macluhan segundo a qual as mutações fundamentais na História do Homem são pontuadas, não por grandes acontecimentos políticos, grandes decobertas, invenções ou progressos no conhecimento humano, mas pelo desenvolvimento de determinados canais ou meios de comunicação; e a necessidade, apontada por ele, de se pensar sobre a educação, o conhecimento, e a cultura face aos meios de comunicação e às suas transformações.
Não se trata de saber se somos nós que dominamos as mídias ou se somos dominados por elas, mas de perceber em que medida elas nos transformam (a nós e às instituições).
Numa época em que, como a nossa, os meios são cada vez mais poderosos e variados em todo o planeta, num momento em que a sociedade sinaliza sua sujeição a um processo de mediocratização e hedonismo cada vez mais preocupantes, não me parece legítimo que se possa continuar a pensar a cultura local e global sem questionar o papel das mídias e seus aspectos de distribuição, penetração, convergência, personalização e portabilidade.
Daí quem sabe eu, você, os estudiosos e os pesquisadores conseguiremos entender porque - em meio a seconds lifes, twiters, teatros mutimidiados e cinemas interativos - é legal a tropa e um certo capitão nascimento se tornarem parte dessa "elite".

LADO B: Panis Et Circenses - Mutantes (Caetano Veloso e Gilberto Gil); álbum Tropicália ou Panis et Circenses, 1968

Eu quis cantar minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer de puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Essas pessoas da sala de jantar (10 vezes)
Essas pessoas na sala...


LADO B (Bônus): Don Quixote (Rita Lee e Arnaldo Baptista)

A vida é um moinho
É um sonho o caminho
É do Sancho, o Quixote
Chupando chiclete
O Sancho tem chance
E a chance é o chicote
É o vento e a morte
Mascando o Quixote
Chicote no Sancho
Moinho sem vinho
Não corra me puxe
Meu vinho meu crush
Que triste caminho
Sem Sancho ou Quixote
Sua chance em chicote
Sua vida na morte
Vem devagar
Dia há de chegar
E a vida há de parar
Para o Sancho descer
E os jornais todos a anunciar
Dulcinéia que vai se casar
Vê, vê que tudo mudou
Vê, o comércio fechou
Vê e o menino morreu
E os jornais todos a anunciar
Armadura e espada a rifar
Dom Quixote cantar na TV
Vai cantar pra subir


BACKGROUND: Mozart Symphony No 40 (Waldo de Los Rios), Annen Polka, op. .117 (Johann Strauss), Beethoven La Pastorale e Haydn Symphonie No 101 (Waldo de Los Rios)

Friday, October 12, 2007

Guia de sobrevivência

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Agora, no finzinho de 2007, eu vou completar - e comemorar devidamente - dois anos desta vidinha ininterrupta de podcaster.

E quando digo comemorar, posso orgulhosamene afirmar que, essa sim, é uma data a ser festejada - com festa - enfim, um evento digno de nota, uma efeméride nesta aldeota meio assim-assim em que se encontra o podcasting verde-amarelo varonil.

Lembro-me bem que durante alguns meses acompanhei os primeiros podcasts ingleses e norte-americanos e acabei descobrindo no início de 2005 os pioneiros tupiniquins. Infelizmente a maioria destes brasileiros desligaram seus microfones, apesar de manterem - alguns, apenas alguns - um bloguezinho aqui, outro acolá...

Àquela época, após somente algumas semanas de convivência com os podcasts me bastaram para eu tomar a decisão: "Vou nessa!"

Porém, meu lado engenheirol questionou: "'Tá legal - ô mané! - você vai nessa e vai fazer o quê? Vai manter o podcast como? Tem assunto interessante para seu blá-blá-blá semanal? (Olha só a pretensão!? Fazer um podcast semanal!!!). De onde virá a grana p'ra pagar a hospedagem e a banda de tráfego? Será necessário comprar hardware e software? Quanto custa tudo isso?..." e mais um monte de questões estruturais e operacionais. Mesmo assim, assim como todo adolescente que “vai” e só depois se preocupa com as conseqüências do ato, tomei fôlego e enfiei a cara.

Devo esclarecer que esta "tomada de fôlego", entre decidir fazer o podcast e colocar o primeiro programa na rede, durou quase 5 meses.

Este longo período não deveu-se à indecisão ou paura, é que eu havia decidido utilizar apenas meu tempo livre para estudar tudo o que se referia a podcast, xml, css, html, e cavocar na rede tudo quanto é software de áudio (grátis!), provedores (grátis!), banda de tráfego (grátis!), email (grátis!), ou seja, qualquer coisa... grátis!

Eu estava determinado, uma das premissas fundamentais para me tornar podcaster foi a de não vou gastar um tostão para produzir, editar, divulgar e distribuir o meu podcast. Outra premissa, também fundamental: no mínimo devo manter o podcast por um ano (algo como 25 episódios, um número p'rá lá de razoável, quando percebi que um podcast semanal era inviável) para decidir se continuava ou não com essa loucura. Acho que foi por isso que não me importei em comemorar o primeiro aniversário do Impressões Digitais.

Tive sorte, admito, muita sorte mesmo. Os pioneiros e a efervescência do podcasting naqueles dias me ajudaram muito na divulgação, assim obtive uma excelente divulgação através do público deles. Ao mesmo tempo tive me esmerar no conteúdo para não ficar defasado. É... a concorrênca estimula a excelência.

Consegui mais alguns ouvintes fazendo um ahn... hum... spam calcado na minha lista de emails. Bem, ao fim consegui me estabelecer razoavelmente no meio podcasting, mesmo com minhas deficiências técnicas e vocais, daquelas que causam arrepios nos profissionais de rádio.

Confesso que durante o primeiro ano acompanhei frenetica e ansiosamente o lento acréscimo de downloads no registrador do Loudblog (meu antigo gerenciador de podcasts). Quando eu decidi, em maio de 2007, mudar para o WordPress e depois de passar por algumas dificuldades para ajustar o contador de downloads, cheguei a conclusão que isso - contar downloads - não valia a pena e também não significava muita coisa (pelo menos para mim).

Eu sempre me deliciei e me preocupei com os contatos e comentários dos ouvintes; a quantidade de downloads não me interessa diretamente. Creio que já alcancei uma "massa crítica" - uhm, excelente termo este, perfeito para demonstrar minha idéia - que atende as minhas egocêntricas expectativas em conjunto com minhas necessidades de controle e avaliação pública.

Alguns ouvintes comentam no blog, eventualmente (o que faz um bem danado para o ego público); outros enviam emails e áudios; alguns não comentam nada, mas me adicionam como fãs em serviços de agregação de blogs ou podcasts (e quando eu descubro isso fico muito lisonjeado com esta declaração pública desinteressada); outros tornam-se parceiros, companheiros e amigos!!! Com esses é uma troca danada de e-mails, IMs, VoIPs e mp3s, fomentando situações singulares de apoio, interação e aproximação.

Vocês não sabem, nem fazem a menor idéia do que nós acabamos fazendo para simplesmente nos encontrar tête-a-tête.

Após quase dois anos de lida me pego um pouco preocupado, não surpreso, apenas preocupado. Sempre, em uma nova mídia, muitos a abraçam inicialmente e em dado momento ocorre uma deserção, em maior ou menor intensidade (acaba-se a fantasia e descobre-se a realidade), mas, aparente e infelizmente o que ocorre atualmente com o podcasting brasileiro vai na contramão do que acontece no hemisfério norte ocidental.

Eu digo parece, porque não possuo nenhum dado muito concreto, apenas minha mísera e humilde observação dos fatos que me chegam à mão. Enquanto o podcasting no mundo inglês mantém-se em crescimento, inúmeros podcasts brasileiros somem todos os dias... puf! Outros piscam feitos vagalumes numa noite de verão, outros, ainda, pedem licença sine-die.

Creio que aqueles que buscavam soluções econômico-financeiras para alavancar, sustentar e gerar lucro com a continuidade de seus podcasts - dentro das estrututuras formais da internet - foram os primeiros a abandonar o barco.

Aqueles que atrelaram o podcast a uma outra estrutura de divulgação ou o utilizaram como out-door dinâmico de seus afazeres mais ou menos profissionais, aparentemente, deram-se bem e mantêm seus podcasts alegres e felizes com os resultados da exposição.

Outros que também sorriem pela existência e longevidade de seus podcasts são aqueles - que como eu - não estão nem aí para o quesito “reembolso e remuneração em moeda sonante para produzir o bichinho”. Com certeza estão felicíssimos pelo prazer que ele - o podcast - lhes dá. Se no futuro aparecer uma possibilidade de alavancar uns trocados - ou milhares, oxalá! - tudo bem... sem problemas.

Na realidade creio que os podcasters brasileiros mais felizes hoje em dia são aqueles que prazeirosamente e sem expectativa alguma ou quaisquer preocupações com o AdSense do Google, botam a voz na rede, sem grandes expectativas e sem medo de serem felizes.


Sérgio Vieira - autor deste artigo, como um descendente direto da cultura caipira paulistana "trupica mas num cai", e assim vai levando seu podcast.

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Monday, September 24, 2007

Wednesday, September 19, 2007

Febeapa [012]

Ou, MAC.BRrrrrrrrr

Sei não acho que cabeças vão rolar... Tio Steve não é de levar essas coisas para dentro do elevador não.

Explicando: Entrando no site da Apple www.apple.com/br/imac para descbrir as quanta anda ($$$) o dito cujo por aqui cliquei no botão COMPRAR. (seta vermelha na 1ª imagem)
Fui parar numa página que indica CAN'T BE FOUND (fig. 2), quando olhei o endereço da danada saquei a bobagem .Olha lá tá escrito: www.apple.com/br/ondecomPAr !!!! (bota o erre entre o pê e o a que tudo funciona direitinho... Vamuvê quanto tempo isso fica no ar...
Updated (01Out): +1 dia (desde 19Set) e contando... (ainda não se tocaram... xiiii pelo visto a Apple BR é tão importante como o sub-sub-sub do assessor do carimbador de fotocópia do arquivo morto)


(Clica na imagem pra ela ficar grandona)

Wednesday, August 29, 2007

Metropolis [010]

Bancos roubam... se bem que isso não é novidade, né?!

Ser despedido por falar a verdade também não é...

E foi justamente o que ocorreu com a jornalista Salete Lemos após botar a boca no trombone com respeito às nossas "perdas" (roubo mesmo! na cara dura) com o Plano Bresser (o Pereira) de 1987 .

Uma dica: clica PLANO BRESSER no Google e você vai ter um montão de informações a respeito.

Clica aí (duvido que você assista a TV Cultura de São Paulo):

Saturday, August 25, 2007

Shownotes detalhado


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...valor agregado ou perda de tempo?

Notas do podcast (ou shownotes, como preferir), uhm... algo que eu - na maioria das vezes que ouço um podcast no computador - vou olhar lmediatamente, já que o considero, por princípio, como um componente vital para um bom podcast.

Alguns podem questionar porque dou tanta importância assim p´ra este elemento do podcast, então deix´eu explicar:

  • É muito mais fácil, para todos, durante seu podcast você citar apenas o seu endereço referindo-se ao shownotes onde todas as URLs estão lá organizadinhas para o deleite do seu ouvinte-leitor.
  • Para aqueles que utilizam-se de músicas em seus podcasts, agradecem a existência do shownotes. Já pensou que tédio a gente ficar falando - e você escutando - o endereço URL, o e-mail, o Myspace, ou sei lá mais o que, após cada música?
  • O shownotes permite que você expanda um poucos mais, em palavras, aquilo que foi mencionado rapidamente no podcast ou, como vira-e-mexe ocorre comigo, mencionar algo esquecido durante a gravação.
  • Para os podcasts não-musicais o uso do shownotes é essencial para aprofundar as informações e apontar sites que as complementem.
No meu shownotes, ofereço além dos inevitáveis links para RSS e resumo do podcast, métodos de tagged, de download do mp3 e de reprodução em flash e pop-up. E mais! Um link direto (o Log Entry) cuja função é direcionar o visitante para meu blog pessoal onde eu coloco ao dispor da distinta freguesia - basicamente - um resumo do podcast e links complementares sobre os assuntos nele tratados, assim como informações sobre as músicas do podcast e do background.

Este meu método - de redirecionar para o blog pessoal - permite que os links de contato comigo (e-mail, voip, áudio record...), tags e serviços de podcasting e blogging estejam integrados.

O podcast complementa o blog e vice-versa.

Desta maneira, eu creio poder fornecer aquilo que um ouvinte necessita para se aprofundar no assunto em pauta e para os leitores do blog, uma forma de interagir com o podcasting.

Aqui cabe um parênteses: as tags ID3, informações associadas aos arquivos de áudio também são excelentes meios para transmitir informações complementares do podcast, mas isto é um outro assunto para um outro momento...

Às vezes me pego questionando se vale a pena todo este esforço.

Preparar a pauta, vasculhar informações na web e verificar se elas são confiáveis e coerentes... Dá um trabalhão compilar tudo isso, e com esmero editar, revisar e publicar, adicionando links e imagens. Os ouvintes realmente visitam o site e lêem as notas? Será que eles reconhecem nosso esforço e dedicação? Esta parafernália serve p´ra alguma coisa? Constantemente cogito em manter apenas o essencial, aquilo que consta do que é publicado no http://impressoes.vocepod.com.

Parece que os campeões de audiência do mundinho podcasting não estão nem aí p´ra esta questão, publicando apenas notinhas minimalistas... alguns já nem se dão ao trabalho de escrever algo sobre o seu próprio podcast, suas legiões de fãs fazem isso por eles... ai, ai, que inveja.

E porque esta cogitação de manter apenas a essência, algo bem paradoxal à minha afirmação de que o podcast completa o blog e vice-versa? Bem... por que eu não sou um blogueiro por essência... e na realidade nem sei se sou um podcaster.

Realmente, não tenho certeza se devo continuar elaborando minhas longas notas com valor agregado para ajudar meu podcast e blog, ou se direciono o tempo utilizado para as tarefas essencialmente de produção.

Essas minhas dúvidas, eu sei, afligem vários outros podcasters, que como eu sentem-se sem eira nem beira quando se trata da questão: o que meus ouvintes acham disso? Apesar de haver meios de se auferir a quantidade de downloads do arquvo mp3 e de acessos ao seu site, a quantidade real, o perfil, quem são de verdade seus ouvintes, são todas elas informações impossíveis de se conseguir apenas com ferramentas da internet. Você precisa que seus assinantes e ouvintes se apresentem e forneçam estas informações, e vamos e venhamos, isso é uma utopia. A gente pede, solicita, implora, até que algumas almas caridosas, condoídas com nosso desespero respondem e deixam um traço aqui, uma palavra acolá... e não tenho vergonha de dizer: graças-aos-deuses!!!

Não me compreenda mal - shownotes são, sim, vitalmente importantes para um podcast. Eu só não estou tão convicto - agora - que gastando um tempão para coletar, processar e editorar uma montanha de letras para fornecer mais informações valide o esforço despendido pelos podcasters deste mundão-de-meus-deuses.

O que você acha?!

Sérgio Vieira - autor deste artigo, por enquanto, não acha nada, ficou pendurado na brocha, não sabe se vai ou se volta com esta estória de shownotes... mas vai, sim, continuar produzindo o podcast.

http://impressoes.vocepod.com

idigitais@gmail.com

Wednesday, August 22, 2007

Febeapá [011]

O bagulho 'tá doido? O negócio 'tá feio? A vida 'tá do avesso?

Ora meu amigo, seus "poblema se acabaram"...

Graças aos hercúleos esforços dos correspondentes do FEBEAPÁ (FEstival de BEsteiras que Assola o PAís desde os meados de 1960 com o Sérgio - êita nome supimpa, sô! - Porto) aqui estão, ao seu dispor preclaro e dileto leitor, alguns exemplares - nominalmente declarados - do quesito "é a ignoranssa qui astravanca u porgréssio):

1º Antes de mais nada, você não pode e não deve ser mesquinho; assim, inicie a sua recuperação mundana auxiliando o caridoso e inigualável senhor CARLOS MAGALHÃES:

























2º Você pensa que só sua vida é uma merreca? Que não dá p'ra sair dessa? Olha só que exemplo de determinação e comprovação viva de que milagres acontecem. Mire-se no exemplo deste palmeirese, o ex-corinthiano LUIS CLÁUDIO:



















3º Por outro lado, se seu cãozinho escafedeu-se, você ainda tem recaídas e saudades do reduto e/ou do casino, ana necessitado de um pedicuro ou 'tá pensando seriamente em se converter ao judaísmo... Nem pense! Vá de PAI AMBRÓSIO:

























4º Mas, se nada disso ajudar o caro consulente, busque o auxílio infalível da "garrafada", que com certeza, PRA alguma coisa ela vai funcionar... Basta procurar o JOSE FLAVIANO COSTA, olha o endereço aí:

Tuesday, August 21, 2007

Metropolis [009]

Grooving, reforma e "maquiagem", ANAC, sobre-peso de combustível, super-lotação, Infraero, falha mecânica, reverso, falha humana, regra, aviso, pista curta e molhadinha... o scambáu!!!

Para aqueles que dizem que Congonhas deve ser desativado por estar completamente encravado em área urbana, eu apresento a seguir algo p'ra lá de LAX (quem sabe, sabe, quem não sabe, clica no Google), este é a pista principal de pouso do Aeroporto Internacional de Gibraltar (p'ra quem não sabe onde é isso... ô saco... clica no Google):

foto 1: note que há semáforo (ou seja, "Pára! Vai passar um Boeing a 400 km/h...")










foto 2: note que a avenida é em aclive... para os paulistas que divertiam-se em 1970 com a roleta paulista, esta avenida de Gilbratar é o que há!

I Dig it 036

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua trigésima-sexta edição - versão Compacto Duplo.


LADO A: Para Lennon e McCartney - Elis Regina (Milton Nascimento)

Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês



INTRO: Hoje é o dia do CANSEI !!! Campanha meio torta capitaneada pela OABSP - o que já meida com a pulga atrás da orelha - pois, além dessa turma possuir alguns representantes muuuuito ativos no leva-e-trás da corrupção institucional e endêmica brasileira, eles pedem que faça-se SILÊNCIO, quando mais é necessário botar-se a boca no trombone, e se propor novas políticas e soluções para nossas mazelas... Parece coisa orquestrada pela dupla política muda-e-surda PSDB-Democratas.

Deixemos estas ações inócuas (minuto de silêncio e meus resmungos) p´ra lá. Quem merece minuto de silêncio em nossa cultura é defunto - e no mote lembre-se do Elvis (Uá babiluba uá bem bum) Presley.


HOMO SAPIENS: É necessário reacender lembranças bem mais edificantes e dignas àquelas que normalmente eu reproduzo aqui como exemplos de leviandade desta classe tão maltratada por mim - a classe dos advogados. Assim hoje falo das Arcadas de São Francisco.. Não, não se trata de uma matéria científica, arqueológica ou buco-maxilar, muito menos sobre algum relicário ou algo estritamente ligado ao catolicismo... as arcadas aqui são elementos construtivos do ex-convento de São Francisco da cidade de São Paulo, do século 17, transformado em academia de direito por obra e arte de D. Pedro I, em 11 de agosto 1827, e berço do liberalismo brasileiro graças as idéias e ideais de seus estudantes ao longo dos anos.

Após a declaração da independência, tornou-se necessária a criação de uma universidade brasileira (só concretizada em 1920) para atender as necessidades de formação de quadros para administrar o aparelho do Estado e dirigir a jovem nação. Asim foi instituída a lei que estabeleceu a criação de 2 cursos de ciências juridicas e sociais, um em São Paulo e outro em Olinda.

Dois fatos políticos marcaram os primeiros anos da vida acadêmica paulistana: o assassinato de Líbero Badaró e a abdicação de D. Pedro I.

O italiano Giovanni Battista Badaró - de apelido de Líbero - formado em medicina pelas universidades de Turim e Pavia dava aulas preparatórias aos candidatos ao ingresso na faculdade, e foi fundador do jornal Observador Constitucional, Badaró atacava duramente os absolutistas. Badaró sofreu um atendado e antes de morrer proferiu a frase que o transformou em lenda: morre um liberal, mas não morre a liberdade... Ironicamente e por outras razões bem diferentes dos esbravejos jornalísticos de Badaró, poucos meses depois, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicava. A rua Nova de São José em que morava o jornalista e onde ocorreu a emboscada que o vitimou passou a ser a atual rua Líbero Badaró, bem no centro da capital paulista.

O sucessor de Badaró na difusão das idéias liberais entre os estudantes - e por meio deles em todo o Brasil - foi Johan Julius Gottfried Ludwig Frank, alemão de sólida formação cultural foi indicado, em 1833, para dar aulas de história e geografia no “curral dos bichos” - como os alunos chamavam o curso preparatório. Frank acabou transmitindo muito mais que matérias curriculares aos garotos, ensinou-os a se organizarem nos moldes das sociedades de jovens - as Burschenschaft, abrasileirado para A Bucha - cuja principal função é prover assistência material aos estudantes necessitados e noum segundo estágio uma confraria política. Julius Frank, protestante, quando morreu em 1841 causou um certo embaraçp. Onde enterrá-lo? Só havia cemitérios católicos... Os estudantes conseguiram resolver a questão: Frank está enterrado no pátio da escola sob um obelisco de 4 metros.

A comunidade estudantil com vários moradores em uma única residência, tanto para combater a falta de moradias de aluguel como para economizar, foi apelidada de “república”, formalizando a hostilidade à monarquia vigente.

A existência da academia arrancou a modorrenta e insonsa São Paulo do torpor colonial. Até 1930, quando foi inaugurada a Universidade de São Paulo, a qual contribuiu, juntamente com a Revolução de 1930, para o esvaziamento da Bucha, a Academia foi uma das poucas opções de formação da intelectualidade brasileira.

Em 1930 sob a comoção do assassinato de João Pessoa e às vésperas da revolução que levaria Getúlio ao poder, os estudantes enfrentam a polícia com discursos e comícios. Mesmo a vitória de Vargas não conseguiu paralisar a República do Bacharéis, em 1932, a Academia voltava à carga, sediando o quartel-general do MMDC, o movimento cívico-militar que mobilizou o estado e cujo nome foi criado pelas iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, jovens mortos em confronto com os getulistas na praça da república, meses antes da Revolução Constitucionalista deflagrada em 9 de julho por São Paulo.

Em 1964, tanto professores como alunos se dividiram profundamente... até o retorno da democracia em 1988, arduamente defendida desde a famosa Carta aos Brasileiros lida pelo prof. Goffredo da SIlva Telles Jr na Tribuna Livre do Largo de São Francisco, em 1977, exigindo em desafio ao poder ditatorial o Estado de Direito Já.

Hoje em dia ainda resistem duas antigas tradições acadêmicas: A singela trova cantada em coro ao final da refeição o conhecido "Pendura do XI de Agosto":

Garçom, tire a conta da mesa
e ponha um sorriso no rosto
Seria muita avareza
cobrar no 11 de agosto


E a passeata político-circense-carnavalesco-etílica, conhecida como Peruada, que se realiza pelas ruas do centro de SP no mês de outubro. Seu nome deriva do hábito caipira de embebedar - com pinga - os perus, antes de matá-los. E sabe qual é o lema da Peruada? Só podia ser um aforismo latino (advogado não tem jeito): RIDENDO CASTIGAT MORES (na pronúncia da última flor do lácio: O riso corrige os costumes).


LADO B: Milagre dos Peixes (Milton Nascimento)

Eu vejo esses peixes e vou de coração
Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza
Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no ardor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor
Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor
Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais
E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer
Eu vejo esses peixes e dou de coração



BACKGROUND: Mood Indigo, Sophisticated Lady, Misterioso (Thelonious Monk), My Favorite Things (Dave Brubeck Quartet) e Tutti Frtti (Elvis Presley).

Wednesday, August 08, 2007

I Dig it 035

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais Full, edição nº 35 de 27 de julho do ano gregoriano de 2007.

Money, Money - Liza Minelli e Joel Grey (Cabaret)

Money makes the world go around,
the world go around, the world go around,
Money makes the world go around,
it makes the world go round.
A mark, a yen, a buck or a pound,
a buck or a pound, a buck or a pound,
Is all that makes the world go around,
that clinking clanking sound,
Can make the world go round.
(money, money ...)
If you happen to be rich, and you feel like a night's entertainment,
You can pay for a gay escapade.
If you happen to be rich, and alone and you need a companion,
You can ring ting-a-ling for the maid.
If you happen to be rich and you find you are left by your lover,
Tho you moan and you groan quite a lot,
You can take it on the chin,
call a cab and begin to recover on your fourteen carat yacht.
(what?)
Money makes the world go around,
the world go around, the world go around,
Money makes the world go around,
of that we both are sure.
(Raspberry) On being poor,
(money, money ...)
When you haven't any coal in the stove and you freeze in the winter
And you curse to the wind at your fate.
When you haven't any shoes on your feet and your coat's thin as paper
And you look thirty pounds underweight,
When you go to get a word of advice from the fat little pastor,
he will tell you to love evermore.
But when hunger comes to rap, rat-a-tat, rat-a-tat, at the window
See how love flies out the door.
For money makes the world go around, the world go around,
the world go around.
Money makes the world go around,
the clinking, clanking sound
of Money, money, money, money,
Money, money, money, money,
Get a little, get a little,
Money, money, money, money,
Mark, a yen, a buck or a pound,
That clinking, clanking clunking sound
is all that makes the world go round,
It makes the world go round.


INTRO - A imprensa - como tudo nesta vida como políticos e oportunistas - possui seu lado negro (alguns chamam de marrom numa associação um tanto escatológica), mas o que se destaca mesmo é a estupidez (proposital ou não) no trato de nossa realidade tabajara...

Eu, entre incerto e pasmo, recolhido ao meu pequeno habitáculo pragmático só posso afirmar - frente à essa constatação - com toda a convicção do mundo, que tudo, mas tudo mesmo não passa de uma réles questão de partilha malfadada de cifrões... Lembre-se o que faz o mundo girar não são as forças gravitacionais e sim, como muito bem afirmou Nelson Piquet há algus anos atrás quando questionado sobre o que o fazia pilotar um fórmula um ele respondeu na bucha: "grana, é a grana".

OMDTM - A internet é fantástica, né?! Alguns acham que não... Para estes, a melhor solução para os problemas (atuais e futuros) da Internet é projetá-la do zero. Isso mesmo! Começar tudo de novo…

O governo estado-unidense, através da National Science Foundation, está desenvolvendo desde 2005 um ambiente inovador destinado puramente à pesquisa, chamado Global Environment for Network Innovations – GENI que permitirá aos desenvolvedores construir, aplicar e experimentar projetos e capacidades inovadoras para a criação da Internet do século 21. O GENI não é a próxima Internet, ele é apenas um ambiente de pesquisa de onde pode surgir uma nova Internet e outras tecnologias de comunicação, ou seja, os EUA acabaram de criar definitivamente – ao menos para os próximos 50 ou 100 anos – uma verdadeira mina de ouro.

OPDSM - Os Pensamentos do seu Milton, o guru do méier:

"Os teóricos do laissez-faire continuam ativos na esperança de que a lei da oferta e da procura (a oferta sempre controlada pelos poderosos - a procura sendo apenas uma conseqüência desse interesse) continue a engordá-los, ou a pagar o regime de emagrecimento de suas belas mulheres. Mas é fácil calar os que afirmam que a economia é um assunto particular entre produtores e consumidores perguntando-lhes se o assassinato também é um affair particular entre assassino e assassinado." - Diálogo com Ivan Lessa diante de um programa de televisão em cores, em 1972.

CNR - Eu não consigo resistir e me arrisco a perder alguns assinantes... Sublimando todos os conceitos musicais e com um destemor interpretativo apavorante, a incrível Sonia Rocha nos brinda com uma homenagem (?!!) aos roqueiros verde-amarelos. Faça o downbload deste Impressões Digitais e confira a canção Tributo aos Roqueiros.

(CNR complemento) - Consegui um áudio institucional de 1970, sobre o Programa de Saneamento da Grande São Paulo, espécimen representativo daquilo que chamo de maniqueísmo político-administrativo na sanha arrecadadora. Pois, em um país em que covardia explícita é acolhida como prudência, falsidade é aplaudida como habilidade política, escapismo fiscal é considerado esperteza, e mentira deslavada é considerada ato falho... nada como um reclame estatal que enaltece as boas intenções de mais uma taxa.

EAIQAUP - Nada pior que amplificar-se ao extremo a comoção causada por um desastre onde - de uma só vez - quase duzentas vidas são ceifadas para embasar comentários sócio-políticos (ambos partidários).

Eu sei, eu sei... ninguém agüenta mais ouvir falar de Airbus, Congonhas, TAM... mas meu lado gaiato observando nossa estrutura jurídica, legislativa, executiva, as atitudes de órgãos como ANAC, Infraero, companhias aéreas remanescentes das tramóias dos anos 90 e, principalmente, a fala de alguns decisores destas entidades, fica patente p´ra mim que as reuniões entre estes próceres da eficácia e eficiência poltica-administrativa são como o diálogo abaixo:

Who’s On First
By Abbott and Costello

Abbott: Well Costello, I'm going to New York with you. The Yankee's manager gave me a job as coach for as long as your on the team.
Costello: Look Abbott, if your the coach, you must know all the players.
Abbott: I certainly do.
Costello: Well you know I've never met the guys. So you'll have to tell me their names, and then I'll know who's playing on the team.
Abbott: Oh, I'll tell you their names, but you know it seems to me they give these ball players now-a-days very peculiar names.
Costello: You mean funny names?
Abbott: Strange names, pet names...like Dizzy Dean...
Costello: His brother Daffy
Abbott: Daffy Dean...
Costello: And their French cousin.
Abbott: French?
Costello: Goofe'
Abbott: Goofe' Dean. Well, let's see, we have on the bags, Who's on first, What's on second, I Don't Know is on third...
Costello: That's what I want to find out.
Abbott: I say Who's on first, What's on second, I Don't Know's on third.
Costello: Are you the manager?
Abbott: Yes.
Costello: You gonna be the coach too?
Abbott: Yes.
Costello: And you don't know the fellows' names.
Abbott: Well I should.
Costello: Well then who's on first?
Abbott: Yes.
Costello: I mean the fellow's name.
Abbott: Who.
Costello: The guy on first.
Abbott: Who.
Costello: The first baseman.
Abbott: Who.
Costello: The guy playing...
Abbott: Who is on first!
Costello: I'm asking you who's on first.
Abbott: That's the man's name.
Costello: That's who's name?
Abbott: Yes.
Costello: Well go ahead and tell me.
Abbott: That's it.
Costello: That's who?
Abbott: Yes.
...
Costello: Look, you gotta first baseman?
Abbott: Certainly.
Costello: Who's playing first?
Abbott: That's right.
Costello: When you pay off the first baseman every month, who gets the money?
Abbott: Every dollar of it.
Costello: All I'm trying to find out is the fellow's name on first base.
Abbott: Who.
Costello: The guy that gets...
Abbott: That's it.
Costello: Who gets the money...
Abbott: He does, every dollar of it. Sometimes his wife comes down and collects it.
Costello: Who's wife?
Abbott: Yes.
...
Abbott: What's wrong with that?
Costello: Look, all I wanna know is when you sign up the first baseman, how does he sign his name?
Abbott: Who.
Costello: The guy.
Abbott: Who.
Costello: How does he sign...
Abbott: That's how he signs it.
Costello: Who?
Abbott: Yes.
...
Costello: All I'm trying to find out is what's the guys name on first base.
Abbott: No. What is on second base.
Costello: I'm not asking you who's on second.
Abbott: Who's on first.
Costello: One base at a time!
Abbott: Well, don't change the players around.
Costello: I'm not changing nobody!
Abbott: Take it easy, buddy.
Costello: I'm only asking you, who's the guy on first base?
Abbott: That's right.
Costello: Ok.
Abbott: Alright.
...
Costello: What's the guy's name on first base?
Abbott: No. What is on second.
Costello: I'm not asking you who's on second.
Abbott: Who's on first.
Costello: I don't know.
Abbott: He's on third, we're not talking about him.
Costello: Now how did I get on third base?
Abbott: Why you mentioned his name.
Costello: If I mentioned the third baseman's name, who did I say is playing third?
Abbott: No. Who's playing first.
Costello: What's on base?
Abbott: What's on second.
Costello: I don't know.
Abbott: He's on third.
Costello: There I go, back on third again!
...
Costello: Would you just stay on third base and don't go off it.
Abbott: Alright, what do you want to know?
Costello: Now who's playing third base?
Abbott: Why do you insist on putting Who on third base?
Costello: What am I putting on third.
Abbott: No. What is on second.
Costello: You don't want who on second?
Abbott: Who is on first.
Costello: I don't know.
Together: Third base!
...
Costello: Look, you gotta outfield?
Abbott: Sure.
Costello: The left fielder's name?
Abbott: Why.
Costello: I just thought I'd ask you.
Abbott: Well, I just thought I'd tell ya.
Costello: Then tell me who's playing left field.
Abbott: Who's playing first.
Costello: I'm not...stay out of the infield!!! I want to know what's the guy's name in left field?
Abbott: No, What is on second.
Costello: I'm not asking you who's on second.
Abbott: Who's on first!
Costello: I don't know.
Together: Third base!
...
Costello: The left fielder's name?
Abbott: Why.
Costello: Because!
Abbott: Oh, he's center field.
...
Costello: Look, You gotta pitcher on this team?
Abbott: Sure.
Costello: The pitcher's name?
Abbott: Tomorrow.
Costello: You don't want to tell me today?
Abbott: I'm telling you now.
Costello: Then go ahead.
Abbott: Tomorrow!
Costello: What time?
Abbott: What time what?
Costello: What time tomorrow are you gonna tell me who's pitching?
Abbott: Now listen. Who is not pitching.
Costello: I'll break your arm if you say who's on first!!! I want to know what's the pitcher's name?
Abbott: What's on second.
Costello: I don't know.
Together: Third base!
...
Costello: Gotta a catcher?
Abbott: Certainly.
Costello: The catcher's name?
Abbott: Today.
Costello: Today, and tomorrow's pitching.
Abbott: Now you've got it.
Costello: All we got is a couple of days on the team.
...
Costello: You know I'm a catcher too.
Abbott: So they tell me.
Costello: I get behind the plate to do some fancy catching, Tomorrow's pitching on my team and a heavy hitter gets up. Now the heavy hitter bunts the ball. When he bunts the ball, me, being a good catcher, I'm gonna throw the guy out at first. So I pick up the ball and throw it to who?
Abbott: Now that's the first thing you've said right.
Costello: I don't even know what I'm talking about!
...
Abbott: That's all you have to do.
Costello: Is to throw the ball to first base.
Abbott: Yes!
Costello: Now who's got it?
Abbott: Naturally.
...
Costello: Look, if I throw the ball to first base, somebody's gotta get it. Now who has it?
Abbott: Naturally.
Costello: Who?
Abbott: Naturally.
Costello: Naturally?
Abbott: Naturally.
Costello: So I pick up the ball and I throw it to Naturally.
Abbott: No! You don't you throw the ball to Who.
Costello: Naturally.
Abbott: That's different.
Costello: That's what I said.
Abbott: Your not saying it...
Costello: I throw the ball to Naturally.
Abbott: You throw it to Who.
Costello: Naturally.
Abbott: That's it.
Costello: That's what I said!
Abbott: You ask me.
Costello: I throw the ball to who?
Abbott: Naturally.
Costello: Now you ask me.
Abbott: You throw the ball to Who?
Costello: Naturally.
Abbott: That's it.
Costello: Same as you! Same as YOU!!! I throw the ball to who. Whoever it is drops the ball and the guy runs to second. Who picks up the ball and throws it to What. What throws it to I Don't Know. I Don't Know throws it back to Tomorrow, Triple play. Another guy gets up and hits a long fly ball to Because. Why? I don't know! He's on third and I don't give a darn!
Abbott: What?
Costello: I said I don't give a darn!
Abbott: Oh, that's our shortstop.
THE END


Antropofagicamente, nossa sociedade aparentemente urbanóide e pós-moderna, mas ainda ingênua e sertaneja tal qual um macunaíma relaxou e foi gozosamente arrastada pelo eterno mito de uma Yara plenipotenciária e burocrática para as profundezas de um afogante rio de marasmo e inanição...

Poesia numa hora dessas? - de Sérgio (êita nome supimpa, sô!) Porto - também conhecido como Stanislaw Ponte Preta ou Laulau
Para completar a imagem que faço de toda esta barafunda sociológica, lanço mão do poema que sustenta o mais espetacular samba-enredo da história musical brasileira, pois ele resume o que nós somos, histórica e metafisicamente falando, em alguns crus e satânicos versos.

Samba do Crioulo Doido (Sergio Porto - vulgo Stanislaw Ponte Preta, 1968)

Foi em Diamantina,
Onde nasceu JK,
Que a princesa Leopoldina,
Arresolveu se casá,
Mas Chica da Silva,
Tinha outros pretendentes,
E obrigou a princesa,
A se casar com Tiradentes,
Lá iá lá iá lá ia,
O bode que deu vou te contar,
Lá iá lá iá lá iá,
O bode que deu vou te contar,
Joaquim José,
Que também é,
Da Silva Xavier,
Queria ser dono do mundo,
E se elegeu Pedro II,
Das estradas de Minas,
Seguiu pra São Paulo,
E falou com Anchieta,
O vigário dos índios,
Aliou-se a Dom Pedro,
E acabou com a falseta,
Da união deles dois,
Ficou resolvida a questão,
E foi proclamada a escravidão,
E foi proclamada a escravidão,
Assim se conta essa história,
Que é dos dois a maior glória,
Dona Leopoldina virou trem,
E Dom Pedro, é uma estação também...
O, ô , ô, ô, ô, ô,
O trem tá atrasado ou já passou,
O, ô , ô, ô, ô, ô,
O trem tá atrasado ou já passou...


No rescaldo desta bagunça política-administrativa detonada pela explosão do Airbus em Congonhas em 17 de julho, ainda fumegantes, pode-se retirar - além da dor, do luto e da solidariedade para com as famílias que perderam os seus - algumas lições valiosas:

1. Há capacidade técnica e organizada, sim, aqui em Sampa para combater um incêndio de grandes proporções e para análise médica legal;
2. As companhias aéreas e entidades relacionadas à gestão de suas atividades possuem padrão muito aquém do incompetente para questões emergenciais, pois comprovaram-se inexistentes;
3. O Governador de São Paulo ´tá louquinho para demonstrar publicamente sua fictícia capacidade de liderança, visando as próximas eleições.
4. A imprensa brasileira demonstrou, de forma crua e nua seu viés tendencioso e apaixonado... julgando e acusando todos e qualquer um à revelia de comprovação factual. O mais interessante, foi que ninguém disse nada sobre as pressões e manipulações do duopólio TAM-GOL e das relações esquisitas entre estes e os silentes deputados e senadores... que ajoelhados ainda agradecem a burrice jornalística.
5. Vários políticos não deveriam abrir a boca. Desastrosamente falaram o que quiseram e desde então desapareceram, sumiram, tão na muda... Na maioria para não perder a chance de manter as benesses, outros para serem relaxadamente esquecidos... Outros menos votados, ou melhor nem votados, simples aspone-mor e aspones de aspones apenas, utilizaram linguagem de surdo-mudo e, agora, nem abrindo a boca conseguem se safar do enterro político.
6. A capacidade técnica da aeronáutica precisa, urgentemente, ser atualizada. Ela deve abandonar o uso do francês imprescindível para estudo dos manuais do 14-bis e passar a utilizar a língua inglesa para conseguir distinguir uma caixa-preta (que é laranja e possui escrito em sua parte externa a frase "Fly Recorder - Do Not Open") de um pedaço de painel plástico calcinado.
7. Nada como pegar a classe média-alta no contra-pé do conforto isolado pelo alto valor monetário para haver uma barulheira dos infernos nos status quo políticos e jornalísticos...
8. No último feriado prolongado de 3 dias, nas estradas brasileiras morreram um Airbus da TAM e meio e ficaram feridas mais de 3 Airbus da TAM, e eu não vi nenhum repórter de TV apoplético, espumando; ninguém esganiçadamente pedindo, no parlatório, a cabeça de algum ministro; a imprensa deve ter colocado uma notinha de 3 linhas... Não vi nenhuma manifestação de familiares e amigos das vítimas nos pedágios...
9. E, finalmente, porém não exaurindo o tema, não pode-se esquecer as nossas valorosas companhias aéreas. Elas comprovaram a existência de um novo modelo de negócio e serviços: o fuck-yourself.

Como a vida se fia pelo constante aprendizado da única coisa inevitável de seu desenrolar, ou seja, a morte, minha sensível visão - um tanto gaiata e pragmática - se arrisca a uma homenagem a todas as vítimas - falecidas ou não - do vôo TAM JJ 3054.

Volare - Dean Martin

Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Let's fly way up to the clouds
Away from the maddening crowds
We can sing in the glow of a star that I know of
Where lovers enjoy peace of mind
Let us leave the confusion and all disillusion behind
Just like bird of a feather, a rainbow together we'll find
Volare, oh oh
E cantare, oh oh oh oh
No wonder my happy heart sings
Your love has given me wings
Penso che un sogno cosi non ritorni mai piu
Mi dipingevo le mani e la faccia di blu
Poi d'improvviso venivo dal vento rapito
E incominciavo a volare nel cielo infinito
Volare, oh oh
E cantare, oh oh oh oh
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassu
E volavo, volavo felice piu in alto del sole ed ancora piu su
Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiu
Una musica dolce suonava soltanto per me
Volare, oh oh
E cantare, oh oh oh oh
No wonder my happy heart sings
Your love has given me wings
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassu


DDBC - Em toda mudança algo se ganha, algo se perde... e as coisas ficam uma pouco bagunçadas até se ajeitarem novamente. A página do Impressões Digitais agora é gerida pelo WordPress... minhas sinceras desculpas pelo transtorno. Se alguém tiver algum problema ainda manda um email para idigitais@gmail.com

A campanha cidadã Congresso 2010 continua a mil: Não deixe seu representante esquecê-lo, envie idéias, sugestões, palpites...
ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA O SACO DE SEU REPRESENTANTE!

Música do I Dig - Só p´ra encerrar este podcast sobre essa irônica e generalizada geléia sócio-cultural globalizada.

Money - Pink Floyd (The Dark Side of the Moon)

Money, get away.
Get a good job with good pay and you´re okay.
Money, its a gas.
Grab that cash with both hands and make a stash.
New car, caviar, four star daydream,
Think I´ll buy me a football team.
Money, get back.
I´m all right jack keep your hands off of my stack.
Money, its a hit.
Don´t give me that do goody good bullshit.
I´m in the high-fidelity first class traveling set
And I think I need a lear jet.
Money, its a crime.
Share it fairly but don´t take a slice of my pie.
Money, so they say
Is the root of all evil today.
But if you ask for a raise it´s no surprise that they´re
Giving none away.

Huhuh! I was in the right!
Yes, absolutely in the right!
I certainly was in the right!
You was definitely in the right. that geezer was cruising for a
Bruising!
Yeah!
Why does anyone do anything?
I don´t know, I was really drunk at the time!
I was just telling him, he couldn´t get into number 2, he was asking
Why he wasnt coming up on freely, after I was yelling and
Screaming and telling him why he wasn´t coming up on freely.
It came as a heavy blow, but we sorted the matter out


BackGround - Rhapsody on a Theme of Paganini (Sergei - êita nome supimpa, sô - Rachmaninoff); e Concerto #1, Romeo and Juliet Love Theme, Swan Lake (Pyotr Ilyich Tchaikovsky)