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Friday, February 23, 2007

Nível de Pressão Sonora ou Nível de Referência?






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Durante estas semanas eu tenho conversado com várias pessoas na busca de assuntos de interesse para estes artigos. Algumas sugestões foram ótimas, outras nem tanto... mas uma me chamou a atenção:
- "... por que você não escreve sobre nível?" Deu a dica um grande amigo - eu imediatamente retruquei:
- "Nível? Que tipo de nível?" - e obtive, de imediato, a resposta:
- "Nível de gravação, volume".
- "Ahn... zero dB..." - murmurei.
Agradeci e não disse nada, uma vez que já havia aventado a possibilidade de escrever sobre este assunto e havia desistido.
A verdade é que "volume" é algo muito difícil de compreender, e um pouco mais difícil de explicar. Posso ver você sentado aí, de frente pra seu computador, piscando os olhos em total descrédito, pensando: "Volume? Difícil de compreender? O Sérgio tá louco!!!! Ele - o volume, não o Sérgio - é alto ou baixo! Só isso! O Sérgio pirou de vez..."
Então 'tá! Vamos à luta, tentar explicar este conceito...
Você já leu, ou já ouviu por aí que 130 decibéis é um nível de ruído ABSURDAMENTE ALTO, doloroso e perigoso à integridade da audição humana. Para se ter uma idéia do isto seja, imagine-se ao lado de uma turbina ligada de um 767. Pronto! Isto é algo como 130 decibéis... Em comparação, um cochicho ao seu ouvido possui 20 decibéis.
Estranho né?! É que esta medida, decibél é logarítimica, assim como a escala Richter, ou seja, a cada unidade que se aumenta nesta escala, o seu valor equivale a 10 vezes mais que a unidade anterior...
Agora, p'ra você que utiliza um mixer (ou edita seus podcasts em softwares como Audacity, Garageband...) olhe bem para os indicadores de nível (ou controles das "tracks"), veja que estão graduados em dB (abreviação de decibél). Irá notar também que a escala parte de números negativos e que - no caso dos indicadores do mixer - a último led verde indica zero dB, os números positivos a seguir partem do amarelo, passam pelo laranja e atingem o vermelho.
Se você é um daqueles poucos que lêem manuais, sem dúvida leu o texto que orienta você a manter seu nível sonoro de gravação em torno da marca 0 dB.
Peraí? PÁRA TUDO!!!!! Se 20 dB é um suspirinho quase inaudível, e 130 dB é uma ensurdecedora turbina de jato, então 0 dB é... é... é o que?!???
Ahá!!!!! EU NÃO DISSE QUE VOLUME É ALGO COMPLICADO!
'Tá bom, confesso... Deliberadamente criei uma confusãozinha aí em cima. O que eu não disse antes, é que a palavra decibél pode ser usada para descrever mais que uma coisa. Enquanto para o exemplo do jato ela se refere ao "Nível de Pressão Sonora" de 130 dB, a marca de 0 dB do mixer é um "Nível de Referência".
Se você, mesmo assim, não entedeu toda esta bagunça, relaxa, não se preocupe... Esta questão de Nível de Pressão Sonora só interessa para quem deseja trabalhar em ambiente com alto nível de ruído (pista de aeroporto, usinas siderúrgicas, britador de rochas, etc.). Para você - que certamente está lendo isto aqui porque está interessado ou pretendendo gravar (ou gravando) podcasts - há somente três condições de volume a serem consideradas:
1. Quando ele é alto;
2. Quando ele não é tão alto ou não suficientemente alto; e
3. Quando ele é às vezes alto, às vezes não.
Você - com toda a certeza deste mundão-véio-de-guerra - sabe que para gravar um podcast há um montão de outras coisas a serem consideradas. No entanto, lembro, tudo pode desmoronar se não mantivermos nossos olhos nas questões - digamos - básicas.
Então, o que é volume? Se você digitar esta questão no Google, irá conseguir respostas bem estranhas (a mais maluca que encontrei foi "Volume é um termo genérico que descreve o nível de atividade em um mercado, porém referindo-se especificamente ao número de ações negociadas em um mercado ou de um título em particular" - eu tenho uma vaga compreensão do que isto quer dizer, mas se você não entender o economês aí, tudo bem... passa para o próximo parágrafo).
Mas, lá também encontrei uma outra definição bem mais adequada ao nosso problema:
"Volume é um termo usado para descrever o nível de um sinal de áudio, ou a intensidade do som."
Então, na gravação de um podcast - antes de qualquer outra coisa - tenha certeza que o volume está certinho. Senão vejamos as condições que indiquei acima:
1. Alto - Ou melhor, Muito alto. Quando o sinal é maior que aquele que o aparelho pode controlar, temos o "clipping", o som "estoura". Tenho certeza que você já ouviu um "clipping" (principalmente se ouviu meus primeiros podcasts - rsrsrsrsrs), quando um pico de sinal é tão alto que o gravador/mixer/editor não consegue processar o resultado é uma horrível distorção. Isto ocorre porque o sinal é "chanfrado" ("clipped") no nível máximo de controle do aparelho. O sinal, de forma senoidal em condições ótimas, irá parecer como uma onda quadrada, algo assim como o morro carioca do Pão de Açúcar com o pico chanfrado, retinho...


2. Não tão alto ou não suficientemente alto - Quando um sinal "estoura", ele é destruído. Não há salvação para a região acima do limite de "clipping"! Então o que se deve fazer? Simples. Diminua o volume. Mas atenção! Fazendo isso você irá inserir um novo elemento na equação: RUÍDO. Quanto menor o volume de gravação mais ruído o ouvinte irá ouvir na reprodução. Este é um fenômeno prefeitamente normal. Qualquer sinal - não importa a excelência da gravação - contém ruído. Normalmente isto não é um grande problema, desde que seu sinal tenha sido gravado com um nível suficientemente alto (sem "clipping"), aí o ruído quase não e notado. Diminua o volume de gravação e - pimba! - o ruído se torna irritantemente audível. Esta interação dinâmica é chamada de taxa sinal/ruído. Faça um teste: no volume que você grava seu podcast aperte a tecla record e não grave nada. Agora ouça o que gravou e vai escutar um barulho contínuo. Por isto é importante que você faça suas gravações com nível de áudio mais alto possível sem causar distorções.
O que nos leva à diferença de nível de sinal durante a gravação, ou seja,
3. Às vezes alto, às vezes não - Mesmo quando você consiga manter um confortável equilíbrio entre oscilações do nível de áudio (sem "estourar" o nível e uma adequada taxa de sinal/ruído), não será possível evitar - vez ou outra - um aumento (ou redução) repentino do volume (um nota aguda de um instrumento ou de um cantor, um grito em meio a uma narração sussurada...). Isto não vai arruinar seu podcast, pode ficar tranquilo. Mas se o danado possui grandes diferenças de volume a todo momento, prepare-se. O ouvinte de podcast odeia ter que ficar corrigindo o volume na munheca a cada 30 segundos, e se isso ocorrer, com certeza - mais cedo ou mais tarde - você vai perdê-lo.
Ainda bem que você pode brincar com o volume mesmo depois de gravar o podcast. É possível minimizar a dinâmica das diferenças com uma boa e cuidadosa edição (no Audacitiy, p. ex., você deve estudar o efeito Normalize). Você pode usar também um softwarezinho ducapeta gratuito chamado Levelator (versões Ubuntu, OS X e Windows - www.gigavox.com). Mas cuidado! Tudo tem seu preço... abusar da "normalização" na edição pode deixar sua voz com o jeitão daqueles locutores de rádio.
E você pensou que eu estava louco quando disse que volume era algo complicado...


Sérgio Vieira - autor deste artigo estudou eletrotécnica
no nivel colegial (hoje 2º grau) e engenharia elétrica
e eletrônica na faculdade (se bem que aquela época
ainda se usavam válvulas e réguas de cálculo,
apetrechos substituídos na faculdade por circuitos
solid-state e uma HP25); e mesmo assim, após horas
e horas na edição de seu podcast, malemá consegue
no máximo uma vozinha danada de ruim.

http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com

I Dig it Extra Edition 1



"Estava a toa na vida..." e o Christian Gurtner, do podcast Escriba Café, me apareceu com um áudio-protesto e uma solicitação para divulgá-lo no Impressões...

Topei com uma condição, "ouço primeiro o danado e depois comento em uma edição especial do I Dig, assim não há perda do timming". Tudo acordado, escutei o áudio mais uma vez, fiz umas rápidas anotações e liguei o microfone... Pronto! Taí o resultado: um Escriba Impressionado em um Café Digital.

BackGround:

With A Little Help From My Friends
de Lennon & MacCartney com Joe Cocker (versão estúdio e versão ao vivo Woodstock 1969)

What would you think if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key.

Oh, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

What do I do when my love is away
(Does it worry you to be alone?)
How do I feel by the end of the day,
(Are you sad because you're on your own?)

No, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

Do you need anybody
I need somebody to love
Could it be anybody
I want somebody to love.

Would you believe in a love at first sight
Yes, I'm certain that it happens all the time
What do you see when you turn out the light
I can't tell you but I know it's mine,

Oh, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

Do you need anybody
I just need someone to love
Could it be anybody
I want somebody to love.

Oh, I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends.


Hino Nacional Brasileiro de Joaquim Osório Duque Estrada & Francisco Manuel da Silva com Coral e Yamandu Costa

Como quase ninguém sabe o que quer dizer direito fulguras, florão, garrida, lábaro... achei que não faria diferença alguma colocar o Hymnus Brasiliensis aqui, a versão verdadeiramente latina dos versões de nosso intrincado hino.

Hymni Brasiliensis a Francisco Manuel da Silva (1795-1865) anno 1822 independentiae commemorandi causae composita est. Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) anno 1908 carmina scripsit et Mendes de Aguiar in latinam linguam eadem vertit, quae infra leguntur

Hymnus Brasiliensis

Audierunt Ypirangae ripae placida
Heroicae gentis validum clamorem,
Solisque libertatis flammae fulgidae
Sparsere Patria in caelos tum fulgorem.

Pignus vero aequalitatis
Possidere si potuimus brachio forti,
Almo gremio en libertatis,
Audens sese offert ipsi pectus morti!

O cara Patria,
Amoris atria,
Salve! Salve!

Brasilia, somnium tensum, flamma vivida,
Amorem ferens spemque ad orbis claustrum,
Si pulchri caeli alacritate limpida,
Splendescit almum, fulgens, Crucis plaustrum.

Ex propria gigas positus natura,
Impavida, fortisque, ingensque moles,
Te magnam praevidebunt jam futura.

Tellus dilecta,
Inter similia
Arva, Brasilia,
Es Patria electa!

Natorum parens alma es inter lilia,
Patria cara,
Brasilia!



II

In cunis semper strata mire splendidis,
Sonante mari, caeli albo profundi,
Effulges, o Brasilia, flos Americae,
A sole irradiata Novi Mundi!

Ceterisque in orbi plagis
Tui rident agri florum ditiores;
"Tenent silvae en vitam magis,
Magis tenet tuo sinu vita amores."

O cara Patria,
Amoris atria,
Salve! Salve!

Brasilia, aeterni amoris fiat symbolum,
Quod affers tecum, labarum stellatum,
En dicat aurea viridisque flammula
Ventura pax decusque superatum.

Si vero tollis Themis clavam fortem,
Non filios tuos videbis vacillantes,
Aut, in amando te, timentes mortem.


Tellus dilecta,
Inter similia
Arva, Brasilia,
Es Patria electa!

Natorum parens alma es inter lilia,
Patria cara,
Brasilia!

Sunday, February 18, 2007

I Dig it 027

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua versão full, edição nº 27.



Time - Album Dark Side of the Moon / Pink Floyd (Mason, Waters, Wright, Gilmour)

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

So you run and you run to catch up with the sun but it's sinking
Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you're older,
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over,
Thought I'd something more to say.


Abrimos o Impressões de hoje com uma música lançada quando eu tinha 16 aninhos: Time do álbum Dark Side of the Moon, para mim, obra definitiva do grupo inglês Pink Floyd - sem o Syd Garret, bem entendido - e que reflete muito bem o tema deste podcast.

OMDTM (o manual do torneiro mecânico) - O tempo - como senhor da razão - nos faz ficar a cada dia, a cada vez, mais propensos a não falar nada, a ficar de bico calado. Pois nada como um dia após o outro para a relatividade de uma verdade ser absolutamente revelada, e aí sim, darmos conta que toda uma velha certeza foi sobrepujada por fatos novos, e que agora ela não passa de pura balela, pura parvoice de um boquirroto?!
Uma ONG brasileira e grupo da área de cimentos, estão em Arapiraca (AL) beneficiando pneus velhos e usados para utilização como uma das matérias-primas na fabricação de cimento. O programa está sendo expandindo aos estados de Sergipe, Pernambuco e Bahia. Enquanto isso em New York, Uma Thurman cumpre tabela frente a jornalistas lançando um curta-metragem - a ser exibido apenas na Internet - de uma fábrica italiana. Para conquistar os jovens de alto poder aquisitivo, a empresa usou em 6 dias de filmagens, 200 profissionais e gastou algo em torno de US$ 3 milhões.... Tudo isso pra vender "pneuses"!!!!
Para completar o quadro de estupidez tecnologica/marketeira (ou seria puramente humana?): a bobagem youtubeana de lançar bala mentolada em garrafa de um refrigerante tipo sgruvs-cola da vida, propiciou um aumento de 15% nas vendas da maldita bala e uma mídia gratuita estimada em US$ 100 milhões!?
Mais uma: Lembra da sandalinha de plástico que vinha com uma pochete, e era vendida até em feira-livre? Hoje além dela ser considerada fashion em mercados europeus e custar 100 reais, possui comunidades orkutianas com mais de 127 mil membros e tem como embaixadoras no meio teen as garotas Mary Moon , Maluka, Impar e Lolly - via seus descolados blogs e fotologs. êi tá na hora de ressutiar o "Ferrugem" p'ra ele cantar: "ortopé, ortopé tão bunitinho".
Outra: Além de plantar embaixada e associação comercial e outros meios de capturar uns dinheiros dos incautos avatares dos second lifes da vida, tem gente comentendo bobagens pra lá de estúpidas... Sabe o slogan do Zune? - Welcome to the social - Lembre-se que em toda Inglaterra, Grã-Bretanha, Reino Unido e Commonwealth SOCIAL é onde o caras recebem seu salário-desemprego?! Vertendo p'ro nosso brasileiríssimo português, seria algo como: SEJA BENVINDO AO INSS!!!"
E por fim, depois dos $$ causados pelos iPhone, o Jobs - candidamente - demonstra que as 4 grandes da indústria fonográfica são as reais vilãs sedentas de cifrões e que basta que elas determinem, que ele abandona totalmente o DRM nos produtos Apple... Com esta declaração as ações da Apple pularam de US$ 83, para US$ 86.
Preciso continuar a falar mais alguma coisa?

CNR (caiu na rede!) - Embuído de todo este espírito e tempo momesco - evoé! Boto a voz na cantoria: " Caiu na rede é peixe! Le-le-á... Eu não posso bobear. A maré tá cheia ta-ta-ta ta-ta-ta. Cheia de sereia. No anzol Querendo se enfiar..."
Exponho assim, meus dotes do bel-canto, justamente para reverenciar um dos podcasters me motivaram a cair nesta armadilha: Rene de Paula e seu Roda e Avisa. Mas o que tudo isso tem a ver com o Caiu na Rede? Bem... é que o Rene decidiu gravar um podcast via telefone, usando bluetooth, enquanto passava roupa!
E assim, pr'a homenagear o feriadão quente, rebolativo e suarento ponho à prova o bom gosto de todos e - vai lá baixa o podcast e ouve - toco a versão Feriado da Gizele, a Madoninha Capixaba...

EAIQAUP (é a ignoranssa qui astravanca u porgréssio) - Inovo esta sessão apresentando uma parceria musical insólita: Hermeto Pascoal e Fernando Collor de Mello... O albino maluco de Arapiraca e em seu caldeirão musical cozinhou uma trilha sonora para um discurso delle, aquelle outro de base em Alagoas. Sonoridade perfeita para meu comentário sobre a eleição do novo congresso... Acho que não fui feliz na minha campanha de re-eleição: retornaram os malufes, as catraias, os cafifes, os energúmenos e chués...
Nossos representantes legislativos, legais e com poderes para retirar, extinguir, alterar, modificar, criar, inventar leis em benefício da sociedade viraram motivo de troça, piada, achincalhe e vitupério internacionais....
Não posso mais voltar ao menos tão cedo a este assunto - não porque o Congresso esgotou ou interrompeu o fluxo de estupidez crassa. Não posso voltar, por enquanto, porque estou me repetindo e aí as palavras me faltam.
Mas creio que dá p'ra começar algo agora mesmo. Consiga o email do seu deputado federal e do seu senador, envie uma mensagem semanal a cada um deles sobre os assuntos da pauta das casas ou sobre o que você quiser, mas não deixe de fazê-lo semanalmente, não deixe seu representante esquecê-lo, envie idéias, sugestões, palpites... enfim, encha o saco dele!
'Tá lançada a campanha cidadã: Congresso 2010 - ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA O SACO DE SEU REPRESENTANTE!

Ahn! Já teve gente me perguntando sobre como fazer isso... Uma boa dica é acessar o site da câmara e do senado achar os endereços do seu deputado e senador (Você quer o peixe ou aprender a pescar?!)

TB -
(terra brazilis) - Do album Cinema Trascendental de 1979 de Caetano Veloso e a outra Banda da Terra:

Oração Ao Tempo (Caetano Veloso)

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo

BG (background) - Tempo no tempo (Os Mutantes), Tempus Fugit (Yes), Time after Time (Cindy Lauper), Just in Time (Tony Bennett & Michael Bubble / Dean Martin / Nina Simone), Tempus Fugity (Miles Davis), As time Goes By (Tony Bennett).

Friday, February 16, 2007

O que um senhor de quase 50 anos faz neste mundo de Podcasters?




(texto inédito originariamente escrito para outra finalidade em dez/2005)

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Em primeiro lugar - dizendo em alto e bom MP3, AAC, WAV, AIFF ou qualquer outro formato de áudio digital - me divertindo muito!
De cara, muitos irão questionar: "Você não tem mais o que fazer, não?" - E eu respondo: "Tenho, ô se tenho... e muito!" Como profissional "dono do meu nariz" - quem me conhece pessoalmente sabe sobre o quão difícil é esta tarefa, literalmente falando - pai de duas universitárias e workaholic assumido, a simples tarefa de "ajeitar" algumas horas semanais para tocar o projeto Impressões Digitais (http://impressoes.vocepod.com - olha o jabaculê aí geeeeente!!!!) é pedir uma estafa rapidinho ou um belo ataque de ansiedade durante a madrugada vendo os ponteiros do relógio avançando celeremente e tudo o que você deseja finalizar parece estar ainda pela metade.... "Segundamente" - como diria Odorico Paraguaçu (*) - velho é o Brasil com 500 anos!!! Eu sou clássico!

(*) quem não sabe quem é esse personagem de Dias Gomes, merece crer na honestidade política de nossos preclaros deputados e, com certeza, é neto da Velhinha de Taubaté - personagem recentemente "falecida" pelo seu autor, Luís Fernando Veríssimo.

Pois, se qualquer boçal fala o que quer ao vivo e em cores (Não! Não estou falando de políticos - vejam os apresentadores de nossa TV aberta, em qualquer horário), por que um nerd dos anos 70 não pode? 'Tá bão, 'Tá bão... aceito, sou um tanto quanto... ahn, digamos, anacrônico, vá lá. Afinal colecionei tudo sobre os projetos Mercury, Venera, Lunakov e Apolo, estudei e projetei circuítos valvulados com auxílio de régua de cálculo, conheço direitinho todos os LPs "da vaca" e "das bolinhas" do Pink Floyd, e lembro perfeitamente: minha primeira experiência em computação foi a aplicação prática de Lógica Booleana em circuítos "solid-state", os quais combinados atuavam como um computador didático - do tamanho de uma mesa para seis pessoas - e que simulavam exatamente um exemplar da tecnologia de vanguarda (à época, gente...): um chipão de 4 bits, o 4044.
Uau! A "mesa" executava as quatro operações e apresentava os resultados em doze displays de filamento de 3/4 de polegada (LED 'tava a anos de distância ainda)... Cara, saca isso! Uma máquina eletrônica que - somente com uns ajustes mecânicos (é isso mesmo, mecânicos), chamados programas - calculava, fazia contas! Tanto na base 10 e quanto na base 2!! Fantástico!!! Tudo bem que ela não conseguia fazer um décimo do que eu tirava de minha régua de cálculo, mas que era fascinante, ah... isso era. Voltando ao assunto em pauta (não liguem não, pessoas com certa idade são assim mesmo, tergiversam facinho, facinho, desandando a contar estórias e histórias...): Hoje, sendo apenas um geek mais maduro, posso tecer alguns comentários de como vivencio e encaro este diletante meio de comunicação (pelo menos para mim até agora): o podcast. Como assíduo (ok, e antigo) ouvinte de rádio - principalmente dos programas opinativos e de música selecionada - era esperada uma certa atração pelo ineditismo do modelo e das possbilidades deste formato off-line, on-demand, uni-direcional e armazenável que determina um podcast. Apesar do paralelismo midiático entre o podcast e o PY (o pessoal mais jovem desconhece que PY é sinônimo de rádio-amador, um bisavô da internet wi-fi), o aspecto mais alentador desta febre podcasteira é, certamente, a reinvenção - com aporte de uma tecnologia no estado-da-arte e extremamente barata - da CULTURA ORAL PESSOAL. Ou seja, estruturada e diretamente - sem traduções e/ou deformações pela transmissão por terceiros - distribui-se, simplesmente, cultura. Originada por algo íntimo, pessoal, e por princípio, filtrada pela consciência e pela moral do podcaster. Incautos questionarão: “Qual a vantagem desta cultura oral pessoal?” Bem... alguém aí lembra da brincadeira do "telefone sem fio", onde uma frase muito simples era cochichada ao pé do ouvido do vizinho de uma fila de pessoas e retransmitida até o último? Invariavelmente o que chegava lá no fim da fila não guardava qualquer traço de semelhança com a frase original... Não podemos perder de vista que a cultura humana em sua quase totalidade foi transmitida oralmente, de modo bem similar à nossa brincadeira acima, diga-se de passagem. Somente no fim do século XV Gutemberg começou a prensar suas Bíblias... (certo, certo... anteriormente alguns compiladores multiplicaram uns poucos textos aqui e acolá, mas pergaminho, pena de ganso e tinta a base de ferro não possuem grande durabilidade...). E, por favor, não venham tentar provar que hoje em dia temos livros e publicações em profusão transmitindo cultura, quando nosso autor mais vendido é o Paulo Coelho... Esta informação pessoal, oral e empacotadinha (alguém lembra o que siginifica POD em inglês?!) reaviva e impulsiona a tradição humana, fazendo o conjunto podcast+weblog funcionar tal qual uma fogueira ancestral, onde nossos antepassados acocorados em semi-círculo ouviam casos e lendas, cultivavam tradições, trocavam experiências e aprendiam. Criançada, a revolução da Tecnologia da Informação apenas começou.
(Pronto! Agora pode tocar o tema de 2001 - uma odisséia no espaço).

Sérgio Vieira - autor deste artigo era um novato podcaster (quando este artigo foi escrito em Dezembro de 2005), está mais maduro ainda e continua apaixonado pela vida e pela tecnologia.
http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com

Friday, February 09, 2007

Mais um Artigo para o PodCastCafe


Reproduzo abaixo mais um artigo preparado para o Podcastcafe do Christian Gurtner...


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O que você acha que mais assombra um podcaster?


Desde que decidi encarar a gratificante e divertida lida que é produzir um podcast em dezembro de 2005 - quando só alguns gatos pingados aqui no Brasil tinham colocado suas vozes na rede - minha maior preocupação foi a de buscar e compreender os anseios da audiência, e mais importante, abstrair de forma isenta o poder que o Ouvinte possui sobre um podcast. Algumas experiências pregressas com o meio radiofônico me embasaram para assumir esta postura.

Se por algum motivo houver um demônio habitando seu podcast - um diabinho que envia sinais de aprovação para aquilo que você está fazendo bem - tenha certeza que este é o Ouvinte. Claro que esta é minha modesta e humilde opinião, a qual meus ouvintes consideram exemplar, pois eles sabem que são a motivação e o objetivo deste estranho, diletante e auto-indulgente hobby que é produzir Podcasts.

Sem o Ouvinte - e sua total disposição e concordância em absorver esta barafunda de pensamentos e cacofonia sonora que nós, podcasters, produzimos - seria pura estupidez e completamente despropositado o zé aqui, periodicamente, escrever e reescrever uma pauta, ajustar ganhos de microfones, ajustar filtros e equalizar canais de gravação, esquentar as válvulas do computador e bancar o idiota no quarto fazendo sozinho exercícios de aquecimento de voz e o skambáu...

O Ouvinte é o Rei! Apregoam os seus servos... Ele deve ser obedecido, tolerado e diariamente reconhecido. Porém, ele deve, o-ca-sio-nal-men-te, também ser amarrado a um poste e devidamente açoitado, pois ele é um monstro faminto que certamente irá devorar glutonamente seu trabalho em um instante, desprezando partes importantes daquilo que você penou para compilar, lapidar, embalar e divulgar, ignorando solenemente o seu esforço e - mais importante de tudo - o seu ego. E para completar, monstruosamente e sem o menor senso de lealdade ou qualquer remorso abandonará seu podcast passando a escutar alguma outra coisa. Assim, sem mais nem menos: piff! Num piscar de olhos... Sem duvida, o Ouvinte é um completo e perfeito bastardo!

Após ouvir, com certeza, mais de 1000 podcasts nestes últimos anos e produzir cerca de 30 podcasts comecei a ter ciência e a delinear o que o Ouvinte espera genericamente de um podcast. O que compartilho a seguir não é um guia definitivo, são apenas alguns tópicos completamente desordenados e decorrem apenas de minhas experiências e observações:

Qualidade de Gravação
A maioria dos meus ouvintes - de acordo com seus comentários - confirmam (além da exigência de um microfone ao menos razoável para captação :P) meu acerto em buscar a nivelação entre a voz e a música de fundo, ou efeitos, de modo a um não sobressair em demasia ao outro; assim como equalizar todo o podcast em um nível razoável. Pois nada mais frustante para um Ouvinte (já passei por esta experiência) do que ter que ajustar o volume do tocador de MP3 a todo momento e - aqui é mais difícil - quando passa de um podcast para outro. O Ouvinte deseja ouvir todos os podcasts sem muito esforço, no mesmo nível sonoro se possível.

Conteúdo
O Ouvinte NÃO ouve podcasts seguindo uma ordem cronológica. Quaisquer que sejam os conteúdos do podcast eles devem encerrar-se em si, na mesma edição. Referências a edições anteriores devem ser evitadas; caso ocorra a necessidade de uma citação de origem deve-se resumir o já apresentado. Creio que não deve-se forçar o Ouvinte a buscar referências em outros podcasts para compreender o que está sendo tratado. A não ser que você esteja produzindo uma podNovela...

Duração
Alguns podcasts passam "um pouquinho" do tempo perfeito. Outros são looooooongos. Mas há os que parecem que nunca vão acabar... Já estou até cansado de encontrar por aí receitas de quanto deve ser a duração adequada de um podcast. Muitas vezes recebi indicações sobre a duração do meu podcast ("tá meio longo" ou "porque tá assim, tão curto?"), só porque decidi mantê-lo dentro de uma faixa de 20 a 40 minutos (a maioria dos manuais de podcasts recomendam como duração adequada a faixa entre 30 e 45 minutos). Mas na verdade, o que rege o tempo do meu podcast são as questões: Isto aqui é interessante ao Ouvinte? Devo resumir o assunto ou devo exaurir o tema? Mas uma regra é de ouro: não embrome, seja objetivo (se bem que vira e mexe, p'ra mim, a objetividade é um tanto circular).

Regularidade
Pessoalmente, não há nada mais frustante que assinar um feed, um podcast superinteressante e ter que esperar um novo episódio sabe-se lá quando... Nossa vida é envolta em programações. Temos horários pra tudo: para trabalhar, para transporte, para o futebolzinho de fim-de-semana e para dormir. Creio que o Ouvinte prefere que seus podcasts favoritos sigam uma periodicidade, qualquer que seja, para ele poder se organizar.

Personalidade
Porque você acompanha um programa de rádio ou tv? É bem possível que as razões recaiam sobre a personalidade do apresentador ou protagonista. Creio que isso também ocorre com o podcasting. Sua voz e seu modo de comunicar-se com a audiência é algo muito pessoal e o Ouvinte tende a sentir-se muito próximo a você. Já recebi várias mensagens que confirmam esta aproximação e, claro, vários ouvintes hoje são caros amigos. Vale lembrar que é a constância de publicação de novas edições o fator que pode criar este incrível modo de relacionamento.

Honestidade
Como já mencionei, o podcasting pode ser muito pessoal. No meu caso compartilho uma montanha de pensamentos e conceitos pessoais com meus ouvintes através de meu audio podcast e frequentemente sou relembrado de minha honestidade, de minhas falhas e lapsos... Como o podcast é do tipo one-man-"tagarela"-show, é óbvio que o ego se expõe, mas o sustentáculo de tudo é a minha verdade, mesmo que esta "verdade pessoal" esteja equivocada. Creio, sinceramente, que o Ouvinte aprecia a honestidade do podcaster, mesmo quando ele não compartilha os mesmos ideais, pontos-de-vista e opiniões.

Respostas
Eu respondo religiosamente - posso dizer com orgulho - e quando dá imediatamente, a todos ouvintes que me enviam e-mails e comentários (ainda dá tempo, afinal não são tantos ouvintes assim). Solicito em algumas edições que me enviem sugestões e opiniões... Se as mensagens não são espetaculares em quantidade, elas são em qualidade. Para mim é absolutamente imperativo o reconhecimento destas e o envio de minhas respostas através de um email pessoal ou vocalmente no podcast. Se o Ouvinte dedica tempo e neurônios para compor uma mensagem com seu ponto-de-vista, então o mínimo da boa-educação é uma resposta imediata agradecendo (isto deveria ser uma das regras do código de ética do podcaster).


Tenho absoluta certeza que há muito mais necessidades desta exigente fera, o Ouvinte de podcast. Eu ficaria muito agradecido se podcasters e leitores indicassem aqui outros itens considerados importantes para que possamos aprender como domar o monstro e como alimentá-lo com o melhor conteúdo possível.

Sérgio Vieira - autor deste artigo tem plena certeza que o Homem do Saco,
lá pelos idos de 1963, foi seu pior pesadelo infantil.
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Sunday, February 04, 2007

I Dig it 026

Hoje é dia de Impressões Digitais - Compacto Duplo em sua vigésima-sexta edição.




LADO A:
Carta ao Tom
Vinicius de Moraes e Toquinho

Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando prá Elizete
As canções de canção do amor de mais
Lembra que tempo feliz
Ai, que saudade...
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E, além disso, se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor


Uso Vinicius de Moraes em sua homenagem ao seu parceiro de inúmeras canções da decada de 50 e 60, para apresentar o maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim um dos dois aniversariantes do fim de janeiro a quem presto minhas homenagens...

HOMO SAPIENS - Correlacionando aniversários e gastronomia, orgulhosamente uso a eterna e amorosa rixa entre Sampa e Rio como contraponto para dar tratos a bola e analisar aspectos de dois dos quitutes mais apreciados desta embaçada, cinzenta e sufocante metrópole.

Que o Rio - apesar da violência entranhada - é lindo ninguém duvida.
Que Sampa - apesar da violência espalhada - possui o cardápio gastronômico mais completo quiçá do mundo, também é fato.
Agora, o que arrebata o coração - ou melhor - o estômago dos paulistanos são dois alienígenas elementos um frito e outro assado: pastel e pizza. Ambos conseguem, heroicamente, a sobreviver às tentativas de imprimirem - marketeiramente - griffes e exclusividade de produção. Culturamente, ambos dividem uma característica: possuem o mais amplo leque de recheios e coberturas salgadas e doces; como também estão associados a condições muito simples no tecido social: são elementos sócio-agregadores.

Um só funciona em feiras-livres. Não adianta, o produto pode ser excelente, mas se não estiver na ponta de uma feira-livre, ele não é tão bom assim. Sempre tem alguém p'rá comentar: "Ahn... é bom, mas o da feira da rua tal às quintas é imbatível..."

O outro então é muito mais complexo de analisar sobre a ótica qualidade por um aspecto: paulistano é vi-ci-a-do em pizza. Mesmo assim, ele admite as estripulias e inovações nos sabores nada ortodoxos (alguém já comeu pizza de carne de sol? de filé mignon?). Ele só não admite em hipótese alguma o uso de temperos quaisquer após a pizza ter sido servida, principalmente aqueles típicos de fast-foods (ketchup, mostarda, maionese...). Na falta daquela maravilha crocante e aromática da cantina do bairro, o paulistano não se faz de rogado e encara, sem pudores, uma coisinha meio insonsa do tipo massa semi-pronta, lambuzada com molho de tomate industrial, queijinho meio assim e orégano no forno a gás.

Mas viciado é viciado... Nada melhor para um paulistano que um pedaço de pizza fria na manhã seguinte para aplacar a fome descomunal após uma noitada.

LADO B
esta música é uma homenagem à aniversariante agora do início de fevereiro, minha esposa

Fotografia
Tom Jobim

Eu, você, nós dois
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo e o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz,
Escureceu
O sol caiu no mar
E aquela luz
Lá em baixo se acendeu...
Você e eu
Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar já vai fechar
E há sempre uma canção
Para contar
Aquela velha história
De um desejo
Que todas as canções
Têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo
Aquele beijo


BACKGROUND - Apenas Tom Jobim e interpretações de Meu Amigo Radamés, Modinha, Wave, Surfboard, Estrada do Sol, Samba do Avião e Samba de uma Nota Só.

Friday, February 02, 2007

Articulista do PodCastCafe


Reproduzo abaixo minha estréia como articulista do Podcastcafe do Christian Gurtner. A partir de hoje - e se-deus-quiser - todas as sextas estarei publicando um artigo inédito lá sob a tag "artigos".

Como sou um ambientalista convicto, não irei desperdiçar esta montanha de letras, assim irei reaproveitá-las aqui, publicando o mesmo artigo.



ArtPC_001_02fev07

O que faço aqui?


Bem... em primeiro lugar vim atender, alegremente, a um convite muito cortês do Christian, que apesar de ter sido sacaneado por mim em um dos meus podcasts especiais, de maneira muito elegante relevou as estripulias do moleque, intrínseco a este podcaster ancião, e propiciou este espaço para que eu pudesse - e aí vai a segunda razão - "escrivinhá" algumas palavras sobre assuntos relevantes, tanto àqueles que produzem como aos que ouvem podcasts.

Não sou nenhum "expert" no assunto, mas enchi-me de coragem e depois de ajeitar o teclado de meu iMac verde-limão, aqui estou eu, prontinho para iniciar esta série semanal - oxalá! - de artigos.

O quê?!? Parece simples, né?! Bastam apenas algumas linhas aqui e alí a cada sete dias e, pronto! Pronto?! Que nada...

Para escrever artigos, você precisa ser mais que um poeta, mais que um fingidor, daqueles preconizados pelo Fernando Pessoa (ou um de seus heterônimos, sinceramente não lembro se foi o poeta ou o fingido autor), que "finge a dor que deveras sente".

Você necessita estabelecer - com algumas míseras palavras - uma relação fluida e isenta de imposição para e com o leitor, este eterno desconhecido. E vamos concordar aqui que você leitor, p'ra ajudar, sempre se apresenta como uma total e imensa interrogação esparramada em minha tela, enquanto eu - 'tadinho de mim - como "escrevinhador" devo descobrir a forma mais simples, direta e qualificada de saciar sua sede de informação, de atender suas expectativas mais íntimas e, claro, sua curiosidade...

Como podcaster, no entanto, você precisa disso tudo e algo mais. Pois, esta nova estética midiática exige (ao menos num primeiro instante) que o produtor do podcast seja um one-man-show, e que além de desenvolver o conteúdo (som, imagens e texto), atue como comunicador, editor, técnico de manutenção, "marketeiro" e também manuseie programas diversos, e concomitantemente resolva problemas envolvendo siglas como XLS, PHP, HTML, CSS, et cetera, ou pelos menos compreenda o que elas representam neste arcabouço e na envoltória referentes à elaboração e publicação de um podcast.

Nos próximos artigos vou compartilhar informações e experiências como também irei abordar alguns aspectos e percalços do processo de produção, edição e publicação de podcasts, evitando - sempre que possível - o tecnicismo extremado.

Espero que, como intróito a este novo papel de articulista, eu tenha conseguido ao menos me fazer entender. Até a semana que vem.


Sérgio Vieira, autor deste artigo é podcaster desde Dezembro de 2005.
É um articulista neófito e um maduro senhor de 49 anos
que não sabe bem onde tudo isto vai dar.

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