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Saturday, March 31, 2007

I Dig it 030 - Compacto Duplo

Hoje é dia de Impressões Digitais - Compacto Duplo em sua trigésima edição



LADO A:
Vatapá - Danilo Caymmi (Dorival Caymmi)
Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá


1º de Abril, dia da redentora ação deste podcaster (colocar seu Podcast na rede...), atordoado pelo golpe histórico desta data, e pelas coincidências que andam ocorrendo (o que me deixa um tanto orgulhoso e assustado - ouçam este podcast para sader quais são estas coincidências) percebi que basta uma centelha lúcida para disparar todo um reordenamento cultural:

HOMO SAPIENS - O Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade faz 79 anos em maio e definitivamente exemplifica o que é ser brasileiro, determina a identidade cultural brasileira contemporânea, delimita aquilo que sempre fomos: deglutidores de culturas longínqüas (européia, asiática, norte-americana, africana...) e digerindo-as da mesma forma que as próximas (ameríndios, afro-descendentes, cablocos, euro-descendentes, descendentes de orientais) todas num mesmo banquete existencial. Somos sim, macunaímas chafurdando nas águas de Yara.

Arvoro-me em uma incorporação locutiva e leio (se algum gaiato disser que interpreto, eu nego) o planfetário manifesto de 1928, o Manifesto Antropófago.

Complemento o Homo Saiens com umaa abordagem troppo-trágica, ma non molto: Tem texano inteligente no planeta, minha gente!!!!

O Museum of Fine Arts de Houston, Texas estabeleceu o Centro Internacional para Artes das Américas para estudar a arte latino-americana do século 20, permitindo assim a mostra: Hélio Oiticica - the body of color.

Organizada pelo Projeto Hélio Oiticica do Rio e por Mari Carmen Ramirez, a curadora de arte latino-americana do museu, fundadora do Centro Internacional e também editora do catálogo raisonnée de Hélio Oiticica, a mostra cobre 25 anos de produção do artista e apresenta 220 peças, sendo estas predominantemente compostas de pinturas, relevos bi-demensionais as esculturas do período 1955-1966. Já está prevista uma segunda mostra até 2012, também organizada pela própria Mari, com o título: “Hélio Oiticica: The Space of the Senses,” a qual irá penetrar na desmaterialização e nos esforços anti-arte pelos quais Oiticia é mais conhecido.

Hélio foi um dos fundadores de um movimento estético e cultural dos anos 60 que abraçou o nome de uma de suas obras derivadas de um experimento sensorial criado por ele, denominado "penetrável" e usado para definir um espaço em forma de labirinto no qual o espectador dentro dele, ficava exposto a experiências multi-sensoriais, hoje isto chama-se instalação. O seu penetrável mais famoso é o Tropicália de 1967. Ahn... preciso dizer mais alguma coisa?!

...
Da série "Poesia numa hora dessas?" de Caetano Veloso:
Tropicália
Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do País
Viva a bossa
Viva a palhoça
O monumento é de papel crepon e prata
Os olhos verdes de mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira
Entre os girassóis
Viva Maria
Viva Bahia
No pulso esquerdo bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores ele põe os olhos grandes
Sobre mim
Viva Iracema
Viva Ipanema
Domingo é o fino da bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai á roça
Porém
O Monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Viva a banda
Carmem Miranda


LADO B:
Feijoada - ou será Feijoada Completa?, sei lá... só sei que é ótima! (Chico Buarque)
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

BackGround - Fernando Reis ao piano interpreta:
Vamos, maninha - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Vamos ver a mulatiinha - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Todo mundo passa - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Nesta rua tem um bosque - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Cai, cai, balão - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Coral (Canto do Sertão) - Bachianas Brasileiras nº 4 (Heitor Villa-Lobos)
Prelúdio (Introdução) - Bachianas Brasileiras nº 4 (Heitor Villa-Lobos)
Lindos olhos que ela tem - Cirandinhas (Fernando Reis/Heitor Villa-Lobos)
Dança (Miudinho) - Bachianas Brasileiras nº 4 (Heitor Villa-Lobos)

Música Incidental em Poesia Numa Hora Dessas?! - REMIX Sergio Vieira: Sem Lenço Sem Documento (Caetano Veloso)

Friday, March 30, 2007

A breve história do podcasting


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Vamos dar uma olhada na breve história do podcasting...
Obviamente o podcasting não seria possível sem a internet. Desde os anos 90 a internet desenvolve-se a uma velocidade espantosa, e a cada dia que passa fica mais difícil acompanhar toda esta barafunda. Piscamos e de repente, de uma hora para outra, o mundo ficou menorzinho e, sem percebermos, ficarmos expostos à informação super-massiva.
A presença cada vez maior de computadores e da internet em residências tornou possível a distribuição mundial de bits, informações, e claro, podcasts a custos irrisórios, quase nulos. Hoje você pode navegar pela rede todo alegre e faceiro e quando se dá conta.. ploft! Cai numa piscina natural e imensa de informações (RSSs) em texto e áudio (podcasts) e, amalucadamente, começa a assinar e baixar vários arquivos mp3 para seu player.
Bastou liberar a internet para fins comerciais, para os web logs - blogs - começarem a pipocar aqui e ali. A popularidade deste tipo de "Meu Querdio Diário" cresceu - hoje chamamos este processo de blogging - tornando-se o mais popular modo de as pessoas compartilharem suas idéias e ideais, graças a um modo simples de publicação de texto e imagens em um formato visual bem organizado.
De várias maneiras o blog é o predecessor do podcasting. Ao longo do período de maturação os blogs passaram de meros diários pessoais para uma mídia legítima de informação e formação. Os blogs, atualmente, permitem que qualquer um atue como um comentarista social ou empresarial. Qualquer um pode ser um jornalista ou entrepreneur, comunicando seus pensamentos ao mundo através de um clique na tela do computador.
O podcasting foi a progressão natural deste enoooorme forum online.
O recebimento e leitura das novidades dos blogs favoritos tornaram-se muito simples graças a criação de uma inovadora maneira de se capturar automaticamente um arquivo publicado, um novo post do blog: a chamada Realy Simple Syndication - RSS, desenvolvida por Dave Winer.
Pela subscrição do blog através do feed a ele associado, você é notificado e recebe a nova informação, automaticamente, assim que publicada. Um programinha genericamente chamado News Reader (leitor de noticias) ou Agregador, regularmente verifica a existência de atualizações e as encontrando as "baixa" para seu computador.
Obviamente, a evolução, o passo à frente desta história foi o audio blogging. A habilidade de transferir grandes pacotes de informação em conexões cada vez mais rápidas permitiu a alguns bloggers a tornar disponíveis arquivos de áudio em seus blogs. Ao invés de botarem seus pensamentos em letras de forma, o pessoal começou a entupir os blogs de arquivos mp3... O problema com estes áudio-blogs era que os programas agregadores (Readers) tinham que verificar regularmente se havia novos arquivos mp3, para - de posse desta informação - o assinante ir até o web site de origem e "na unha" iniciar o processo de download do arquivo. Simplesinho, né?!
Adam Curry (um ex-VJ dos anos 80 da MTV norte-americana) encucou que tinha que simplificar este processo. Foi dele a idéia de automatizar a distribuição e o sincronismo do conteúdo de arquivos de áudio para aparelhos portáteis de reprodução, os mp3 players.
Adam foi conversar com Dave sobre como aprimorar a tecnologia de tal forma que um arquivo mp3 adicionado a um blog pudesse ser automaticamente detectado e transferido por comando do feed RSS. Dave simplesmente adicionou o "file enclosure" (o pessoal que domina o XML sabe do que estou falando) à tecnologia, cuja função é informar ao seu computador onde armazenar o arquivo que será transferido.
A última peça do quebra-cabeça da jovem história do podcasting refere-se ao primeiro agregador de podcasts, que foi escrito e desenvolvido por Adam Curry. Este software, basicamente, verifica a existência de novas publicações, lê o conteúdo do arquivo e determina onde armazená-lo. Finalmente o mp3 podia ser então automaticamente transferido para o iPod.
Voltando um pouquinho nessa história. O podcasting não teria se desenvolvido tanto sem o rápido crescimento do mp3 e sua capacidade intrínseca de compressão, permitindo a transmissão pela internet e armazenamento em players.
  • Nota pessoal: Eu que ando muito - quase sempre a pé e em transportes públicos - por toda esta paulicéia desvairada, noto e me espanto com o quantidade cada vez maior de foninhos que encontro enroscados nos pescoços das pessoas de todas as classes e idades.
A primeira aparição formal da palavra "podcast" na história humana foi em um artigo no jornal britânico Guardian em 12 de Fevereiro de 2004. A criação do termo é creditada a Ben Hammersley que escreveu o artigo e usou podcast como sinônimo para audioblogging, ou seja, "rádio produzido por amadores transmitido via internet".
O pequeno grupo de podcasters, que surgiu da comunidade blogueira, rapidamente expandiu-se, iniciando a revolução midiática, ainda não muito bem aquilatada em seu poder, que vem de encontro aos anseios das pessoas que andam bem cansadas das mesmices das rádios corporativas.
Esta é uma Breve História do Podcasting, uma ferramenta tecnológica de cunho social que preenche a nossa necessidade e desejo de compartilhar globalmente nossas criações em áudio com as pessoas que desejam conteúdos inéditos, focados e mais elaborados para rechear seus aparelhinhos de mp3.
Obviamente, nossa história não pára por aqui. Novas tecnologias para o podcasting continuam surgindo por aí. Novos mercados estão sendo criados. Novas idéias estão sendo propostas e debatidas. Afinal o podcasting mal completou 3 anos... temos muito o que fazer ainda.

Sérgio Vieira - autor deste artigo conheceu o podcasting em meados de 2004, é podcaster desde novembro de 2005 e se orgulha muito de participar desta inédita experiência humana.
http://impressoes.vocepod.com idigitais@gmail.com


Friday, March 23, 2007

O que é FTP?

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Embora este artigo não tenha muita relação com podcasting, este é um assunto que todo podcaster deveria entender ao menos um pouquinho, especialmente quando precisa transferir arquivos para seu host (serviço de hospedagem de arquivos).
Muitos serviços de hospedagem oferecem páginas web que facilitam este processo de transferência (upload). Porém, não é usual você receber destes alguma informação se tudo foi processado corretamente, de acordo com o roteiro.
A sigla FTP significa Files Transfer Protocol (protocolo de transferência de arquivos) e faz parte da estrutura básica de serviços da Internet. Os outros serviços são: HTTP (Hypertext Transfer Protocol - para acessar páginas web); TELNET (TELecommunication NETwork - para acesso remoto a computadores) e POP/SMTP (Point of Presence/Simple Mail Transfer Protocol - para envio e recebimento de emails).
O FTP promove a conexão de dois computadores e permite o envio e o recebimento de arquivos binários (áudio, vídeo, programas executáveis, etc.) ou em formato texto (código-fonte, txt, etc.). Na pré-história do FTP era comum a solicitação ao cliente (aplicativo) FTP qual o tipo de arquivo (binário ou texto) seria transacionado. Muitos clientes FTP atuais são muito inteligentes e entendem qual o tipo de arquivo em tráfego... na maioria das vezes.
Para você transferir um arquivo (por exemplo: seu último podcast) do seu computador para seu serviço de hospedagem, a primeira coisa necessária é um cliente FTP. Vários sistemas operacionais possuem alguma forma de FTP embutida em suas entranhas, normalmente o serviço é bem basiquinho e não muito intuitivo. Aqui vou sugerir apenas dois softwares (há centenas disponíveis nos tucows-da-vida), os quais considero as melhores soluções gratuitas: um para o sistema Windows e outro para o sistema OSX.
Para os usuários de Windows, um dos melhores é o FILEZILLA, (http://filezilla.sourceforge.net); e caso você ser usuário do OSX indico o CYBERDUCK (http://cyberduck.ch) (desculpem usuários de LINUX, não sou grande conhecedor deste sistema, assim, não me considero capaz de indicar algum).
A seguir, temos um pequeno glossário de alguns termos utilizados em um site FTP, os quais darão a você uma visão geral de como funciona todo este negócio de arquivo-p'ra-lá e arquivo-p'ra-cá.

FTP address - Este é o endereço internet utilizado para acessar o site. Por favor, tenha em mente que só porque um website está na Internet não significa que ele possua um serviço FTP. Tanto a Microsoft como a Apple possuem sites FTP (ftp.microsoft.com e ftp.apple.com), e ambos permitem o acesso como usuário anônimo (anonymous access), o que explico a seguir.

Anonymous Access - Este é um tipo especial de acesso FTP, que permite a qualquer um navegar pelas pastas e diretórios e também baixar (download) arquivos. Nenhum nome de usuário e/ou senha é exigido. Quase todos os sites de empresas de hardware e software permitem acesso anônimo aos seus sites FTP onde estão disponíveis patches e updates de seus produtos. Em alguns sites é solicitado para login que você digite no campo "user name" a palavra "anonymous" e como "password" utilize a palavra "guest", ou, ainda, que digite seu email.

User Name - O acesso FTP sempre solicita um nome de usuário (user name) e senha (password) válidos e fornecidos pela pessoa ou pelo serviço de hospedagem (host), permitindo o acesso aos seus dados.

Password - A senha (password) é composta de uma série de caracteres alfanuméricos e permite a liberação de acesso aos dados. Quando você digita a senha nos clientes FTP o que aparece na tela normalmente são asteriscos (*****) prevenindo que aquele bisbilhoteiro sobre seu ombro não leia o que você digitou.

Local Path - Este indica qual diretório ou pasta default de seu computador onde os arquivos serão arquivados após o donwload.

Remote Path - Este é o diretório ou pasta que você escolhe como default para início da sessão FTP no host.

Vários servidores e clientes FTP possuem a capacidade de retomar o download ou upload do ponto em que ocorreu uma interrupção do tráfego, mantendo a integridade dos dados do arquivo. Outra funçãozinha mão-na-roda dos clientes FTP é a capacidade de transferir vários arquivos ao mesmo tempo, em grupo, deixando você livre para fazer coisas mais importantes do que ficar acompanhando feito bobo o avanço da barrinha de progresso.

Pois bem, agora você sabe alguma coisa sobre como transferir arquivos através do FTP. A internet é um vasto universo em expansão. Quanto mais você descobrir mais você vai querer entender.


Sérgio Vieira - autor deste artigo fica maluco quanto solicita a um administrador de rede um acesso ao serviço FTP e o mentecapto fornece um login e uma password para um disco virtual
http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com

Sunday, March 18, 2007

I DIG IT 029 - FULL

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua versão full, edição nº 29.



INTRO
Comida - Titãs (Titãs)
bebida é água.
comida é pasto.
você tem sede de que?
você tem fome de que?
a gente não quer só comida
a gente quer comida, diversão e arte.
a gente não quer só comida,
a gente quer saída para qualquer parte.
a gente não quer só comida,
a gente quer bebida, diversão, balé.
a gente não quer só comida,
a gente quer a vida como a vida quer.
bebida é água.
comida é pasto.
você tem sede de que?
você tem fome de que?
a gente não quer só comer,
a gente quer comer e quer fazer amor.
a gente não quer só comer,
a gente quer prazer pra aliviar a dor.
a gente não quer só dinheiro,
a gente quer dinheiro e felicidade.
a gente não quer só dinheiro,
a gente quer inteiro e não pela metade.
bebida é água.
comida é pasto.
você tem sede de que?
você tem fome de que?

OMDTM (o manual do torneiro mecânico) - O caso do rapazote que fez-se passar como expert para ser colaborador formal da Wikipédia desvenda um pouco o "web faking" e demonstra a capacidadade da própria web de realimentando-se combater as falsidades do mercado.
Graças a esta anárquica web, desvendou-se um dos maiores escândalos do mercado de música clássica: o caso Joyce Hatto, pianista falecida recentemente e até a pouco de grande prestígio entre os experts. No seu obituário o classudo Guardian a pranteou como uma pianista genial.
A lista de obras fraudadas aumenta diariamente. Tudo começou quando alguém colocou um cd da Joyce no seu computador e o banco de dados do iTunes - o gracenotes - identificou a gravação como sendo de Laszlo Simon e não da Joyce Hatto. Verificando-se com um especialista descobriu-se a falcatrua.
E só pra terminar meus parabéns ao engenheiro de telecomunicações Fidelis Assis que desenvolveu um sistema antispam matador (pena que a criatividade para nomear o danado do programa não seja lá grande coisa e corresponda à capacidade técnica do Fidelis) o OSBF-Lua (Orthogonal Sparse Bigrams with confidence Factor, desenvolvido com a linguagem LUA e gratuito), o qual ganhou o prêmio instituído pelos Departamentos de Comércio e de Defesa norte-americanos, o TRECSPAM Track2006.

CNR (caiu na rede!) - Hoje nada de profissionais nesta seção. Vamos com o calouro Danilo Zero, que saudoso de sua origem um tanto quanto misógena supera as expectativas embalando seu canto acaipirado e seu banzo existencial à capela, introduzindo um intróito bluseiro de gaita e alguns vocalizes para um chimbauzinho meio perdido em sua canção.

EAIQAUP (é a ignoranssa qui astravanca u porgréssio) - Comento e reproduzo, descaradamente, uma matéria da revista piauí, pois sou adepto da reciclagem de bens inservíveis. O assunto que além de ter tudo a ver com esta seção, define muito bem para onde estamos indo... Então adivinhe qual foi o maior invento japonês do século XX? Pasme! Foi - de acordo com a própria japonesada - o Nissin ou Miojo Lamen (em japonês, pronuncia-se Ramen), aquele macarrãozinho instantâneo insonso, inventado por Momofuku Ando em meados de 1950. Atualmente cada japonês consome anualmente em média 42 pratos de macarrão instantâneo e o mundo quase 85 bilhões de porções!!!
Neste EAIQAUP eu não posso deixar passar minha nova presa, meu novo espécimen de caça e de mais uma ojeriza pra minha lista: os SAC's - Serviços de Atendimento aos Consumidores desta vidinha miserável, aos quais nós pobres brasileirinhos da classe média, estamos sujeitos, afeitos e atrelados. Realmente um pesadelo processual digno de Kafka... Nesta edição conto minha desventura com o serviço Speed da Telefônica que aparentemente não compreende português:
Numa manhã de março, recebi - via telefone uma oferta do Speed: "o senhor possui o serviço XPTO de tantos kilobits e podemos sem custo ampliá-lo para uma velocidade 4x maior que a atual"... Depois de eu conseguir a confirmação de que a velocidade de banda oferecida de 4x a atualmente contratada só poderia ser a de upload, perguntei o que era necessário para ter esta velocidade? "Nada, basta concordar com esta oferta e com a promessa de não romper o contrato de serviço Speed por 12 meses a partir de agora...", ou seja, oferecem ao usuário rapidamente e apenas meias verdades: velocidade maior, mas só para upload e que ficou restrita a apenas 2x, pois não havia disponibilidade técnica para fornecer 4x; sem custo desde que fique fidelizado por mais 12 meses, e mais uma detalhe se romper a fidelização você tem que pagar um valor residual de R$ 200 e tantos reais... Bem, para resumir, aceitei o aumento de velocidade e as condições de fidelização. Já no escritório abri o site do Speedy para verificar melhor as condições e qual não foi a minha surpresa descobrir que eles vem oferecendo aos novos assinantes do serviço - desde outubro de 2006 - esta mesma velocidade que agora foi fornecida a mim, por um preço equivalente a 75% daquilo que já pago!!!! Pê-da-vida troquei a seguinte correspondência com a Central de Relacionamento (há há há) do Speedy:

Dia 01/03/2007 - Hora 10:32 - Dúvida enviada através do site Speedy: Acabei de aceitar a fidelização por 12 meses para ter meu Speed XPTO alterado de xkb para 2xkb (4xkb não é possível por indisponibilidade "técnica") e acabo de verificar no site que aquele que assina HOJE o mesmo serviço além de receber a velocidade possível (mínimo de xkb) paga aprox/e 75% do valor mensal que pago há quase 2 anos!!!!!! Solicito imediata isonomia ao preço ofertado para os novos assinantes! No aguardo das devidas providencias. Sergio Vieira
Em 05/03/2007, as 08:22, 4 dias depois o Speedy responde: Prezado senhor Sergio, em resposta a sua mensagem, informamos que no momento as promoções são para novas aquisições, não tem como conceder a promoção. Permanecemos a disposição para qualquer esclarecimento que se faça necessário. Atenciosamente, Felipe Proença - Central de Relacionamento Speedy
No dia seguinte em 06/03/2007 as 11:17, ainda indignado com a pífia resposta decidi insistir no assunto: Senhores. Creio que vosso atendimento não compreendeu o significado da palavra isonomia. Eu estou solicitando LEGALIDADE! Não estou - em nenhum momento - solicitando uma promoção, estou solicitando isonomia de custos para o mesmo período de vigência desta "promoção" (a qual no site da companhia indica: assine o serviço Speedy XPTO agora por tantos reais). Fica claro que - como cliente há mais de 1 ano (e pagando 50% a mais do que agora é ofertado paa novos assinantes) - estou sendo tratado de modo descriminatório e penalizado com pagamentos a preços superiores aos pagos por novos assinantes para prestação do mesmo serviço desde o início desta oferta oficializada no site da companhia... No aguardo do ressarcimento dos valores pagos a mais e/ou pronunciamento de vossas senhorias com respeito ao que ao meu ver é um flagrante desrespeito à legislação vigente. Sergio Vieira
Creio ter sido bastante claro em meus emails sobre o que é meu desejo, não?! Pois bem, qual não foi minha surpresa quando, dois dias depois, em 8 de março de 2007 as 7h20min, o Speedy responder a este meu último berro por justiça e legalidade com as seguintes e esclarecedoras linhas:
Prezado Sergio. Em resposta a sua mensagem, informamos (sic) que verifiquei em sistema sua linha telefônica e seu plano não pode ser alterado para uma velocidade superior a kbps, pois a central do local, somente suporta até essa velocidade. Caso o plano seja alterado o serviço pode não funcionar ou se funcionar o sinal transmitido pela central será muito inferior a qualidade de acesso que o Speedy presta. Nossa área de tecnologia já está tomando as devidas providências no intuito de sanar a inviabilidade, porém até o momento não há uma previsão. Permanecemos a disposição para qualquer esclarecimento que se faça necessário. Atenciosamente, Durcilene Abreu - Central de Relacionamento Speedy.

Aceito sugestões para o próximo passo... seja ele qual for. SOCORRO!!!!!!!!!!!

DDBC (diário de borodo, complemento) - O judiciário brasileiro é uma porcaria, foi preciso um juiz de Nova York ensiná-los o que é crime financeiro, apropriação indébita, malversação de fundos e lavagem de dinheiro ilegal (caso Maluf, pra quem anda meio desligado...).
Por estas e por outras lembro a todos vocês que está na rede (aqui) a minha CCC-2010 , ou seja, Campanha Cidadã Congresso 2010: Não deixe seu representante esquecê-lo, envie idéias, sugestões, palpites... enfim, encha o saco dele! ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA O SACO DE SEU REPRESENTANTE!

TB (terra brazilis) -
Água de Beber - Zimbo Trio
(Antônio Carlos Jobim - Vinicius de Moraes)
Eu quis amar
mas tive medo
E quis salvar
meu coração
Mas o amor
sabe um segredo
O medo pode matar
o seu coração
Água de beber
Água de beber camará
Água de beber
Água de beber camará
Eu nunca fiz
coisa tão certa
Entrei pra escola
do perdão
A minha casa
viva aberta
Abri todas as portas
do coração
Água de beber
Água de beber camará
Água de beber
Água de beber camará

BG (background) - ZimboTrio

Friday, March 16, 2007

Guia Expedito para Neófitos


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Ou, como criar um podcast, bom, bonito e barato.

Você já ouviu alguns podcasters e, claro, leu alguns artigos aqui e acolá sobre este mundinho louco que é produzir podcasts e pensou: "Êi, sabe de uma coisa eu gostaria de fazer isso também!!!"
A única coisa que o coloca fora desta brincadeira é o custo disto tudo, né?! Você vai precisar de um computador up-to-date, topo-de-linha, um mixer de 4 canais, um caro microfone com supressor e um software de uns 900 paus, tipo Adobe Audition, para gravar e editar tudo isso, e... Pára! Enganei um bobo na casca do ovo, enganei um bobo...
Na realidade não é nada disso. Vamos jogar toda esta tralha fora deste artigo! Vamos arregaçar as mangas e colocar nossas mãos à obra! Vamos produzir um podcast com meu orçamento favorito R$ 0,00... Isso mesmo! Zero reais!!! Bem... talvez a gente tenha que colocar uns reais neste orçamento. Tudo vai depender do que você tem disponível. De qualquer modo, pode ter certeza, este será um podcast bem baratinho, bonitinho e bem bom.
1. Você tem um computador conectado à internet?
Para produzir um podcast você não precisa de um computador super-hiper-duper, no estado-da-arte. Tenho certeza que um computador velho, em bom estado, é suficiente. Para não complicar este artigo vamos assumir que você tem um computadorzinho com internet ou acesso a um (Óbvio, né?! Afinal você está lendo isto aqui). Este é o item mais importante para a confecção do que é chamado por aí de podcasting. Sim, pode-se fazer um podcast sem computador usando apenas um gravador digital, celular, pda, smartphone ou serviços de gravação de áudio via web, mas ainda é necessário um computador para transferir (upload) o bendito arquivo. Usando um computador também é possível dar vazão a toda sua criatividade e editar o produto final.
2. Tem um microfone aí?
Ainda bem que a maioria dos computadores de uns anos p'ra cá são vendidos com aquele microfoninho de plástico no pedestal e duas caixinhas de som (PCs), no caso dos Macs a coisa fica mais fácil eles já vem com microfone embutido ou disponível desde 1998. Tudo bem, eles são mais que suficientes para nossos propósitos. Se não tiver microfone, quebre seu porquinho e junte as moedinhas... 15 reais bastam p'ra um microfoninho pop encontrável nas boas lojas do ramo.
3. Hummmm... É preciso instalar um software de gravação...
Então, lá está seu computadorzinho, paradinho, inexpressivamente de frente p'ra você... Lembre-se: computadores são estúpidos. Eles só vão fazer aquilo que dissermos a eles p'ra fazer. Para gravar um podcast ele precisa de um software específico. O sistema Windows vem com um programinha bem ajustado o "sound recorder" que é muito bom p'ra você brincar com seu microfone e sua voz. Pra criar seu podcast eu recomendo um freeware chamado Audacity (http://audacity.sourceforge.net) disponível para os sistemas Windows, Linux e OSX.
4. É bom definir um formato p'ro podcast
Ok, você decidiu criar um podcast, mas qual será o formato, qual a estrutura dele? Há vários tipos, gêneros de podcast, uns mais fáceis que outros para produzir... Você escolhe. Os mais populares são os de música, notícias sobre tecnologia da informação, esportes, talk-show e comédia... mas também há os menos comuns como política, horóscopo chinês, alta costura... e até avaliação de cervejas ou vinhos, às vezes, em meio a um podcast sobre cultura, artes, tecnologia e comportamento humano :P.
5. 'Tá na hora de praticar
A sublime e cavalheiresca arte do podcasting passa pelo processo de descoberta de sua voz. Nas primeiras gravações você descobrirá que sua fala é permeada de ERRRRs.... AHNNNNs.... UMMMMs em profusão e outras formas vocais que dão um tempo para o seu cérebro concatenar algumas palavras. Gaste alguns minutos gravando sua voz, se acostumando com o microfone e a distância adequada - nem tão longe que pareça que você está falando com alguém a 15 metros de distância, nem tão próximo que a cada pê, bê e vê apareça um "puff" na gravação. Grave alguns minutos do seu podcast e ouça, colocando-se como sendo um ouvinte... Talvez você deva solicitar a opinião de um familiar ou amigo.
6. Êi! Não esqueça de criar um Web Log
Web Log (diário na teia, ao pé-da-letra) é representado pelo acrônimo BLOG, ahn... agora você sabe o que é isso. Muitos podcasters, descobriram que montar um blog é um bom meio de divulgação e suporte para seus podcasts. Não há motivo em ter um podcast se os ouvintes não possuírem um meio de descobrí-lo e de enviar seus comentários. Dirija-se ao Blogger (http://www.blogger.com) e assine uma conta sem medo (é grátis!). Por default o Blogger fornece um endereço web formado pelo nome do usuário seguido de "blogspot.com", então se o seu nome de usuário é "dalhecerveja" seu endereço web (URL) no Blogger será "dalhecerveja@blogspot.com" .
7. Você precisa de um Host
Este é um item que você deverá considerar cuidadosamente. Pode-se ter um serviço de hospedagem a custo zero, grátis (veja http://www.freewebspace.net); mas aviso: com certeza se você quiser continuar a fazer podcasts e tornar-se popular, vai ter que enfiar a mão no bolso e pagar um host. Recomendo que após o período de aprendizado e "arrendondamento" do podcast - quando você tiver certeza de que tudo isso não é "fogo de palha" - escolha um serviço de hospedagem que lhe ofereça, além de boa relação custo, espaço de armazenagem e banda de transferência, ofereça também ferramentas de blogagem e scripts para incrementar e controlar o fluxo de dados de sua página web.
8. Criando o feed do podcast
Para tornar arquivos de áudio acessíveis para downloads automáticos, ou seja, em podcasts você precisa criar um feed para cada um deles. Este provavelmente é um dos maiores complicômetros do processo de estruturação do podcasting. Graças-ao-nosso-bom-deus há um serviço duca e grátis, que funciona atrelado ao seu blog (criado lá no item 6). Este serviço chama-se FeedBurner (http://www.feedburner.com), e é, provavelmente, o mais popular de sua classe. Basicamente ele cria um endereço ao seu feed. Em nosso hipotético caso seria algo como http://feeds.feedburner.com/dalhecerveja. Assim, toda vez que o blog for modificado, o feed será automaticamente atualizado, isto se você habilitar a criação de um feed dentro do seu blog (não se preocupe... o Blogger orienta direitinho como fazer isso).
9. Criando o podcast
Até que enfim! Até agora só tratamos sobre o que é necessário para se fazer um podcast, eu chamaria isto tudo de infra-estrutura. Vamos falar, então, dos passos necessários para o danado sair da cachola e chegar aos ouvidos do seu público. O processo que você deverá seguir - ao menos de pequenas variantes de acordo com seu estilo e vontade - aproxima-se bastante do seguinte:
- escreva um roteiro, listando alguns tópicos do que você quer falar
- grave seu programa
- transfira o arquivo mp3 - e/ou AAC - para o host (upload via ftp)
- escreva e publique as notas sobre o programa (show notes) no Blogger com um link para o mp3
- envie emails para os envolvidos em seu podcast (convidados e artistas, se houver)
10. Divirta-se!
Você dá um duro danado para produzir e publicar seu podcast e como um artesão qualquer, você tem que fazer, refazer, aprimorando vezes e vezes, sem fim. A cada episódio criar algo novo e - vamos ser sinceros! - fazer tudo de novo... A única coisa realmente importante em tudo isso é que você se divirta muito fazendo podcasts. Pode ter certeza, no início, após alguns programas, vai parecer que você está pregando no deserto, que seu trabalho é inútil. Mas toda esta desesperança some assim que chega o primeiro email de alguém que realmente captou tudo aquilo que você se esforçou para transmitir...
Viu só?! Você não precisa de uma montanha de dinheiro para começar, mas prepare-se... Uma vez iniciado o processo, é claro, que você tenha tomado gosto pela fruta, certamente sua exigência por melhores equipamentos se fará presente. E aí meu irmão, o céu é o limite!

Sérgio Vieira - autor deste artigo, apesar de ter um escopião no bolso, paga todos
os poucos, é verdade, custos de seu podcast com recursos próprios

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Friday, March 09, 2007

Como agradar seu podcaster



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Ser um podcaster é uma maravilha!

Eu posso dizer o que quiser, quando quiser, coisas que me interessam - de verdade!!! - a uma audiência (cada vez maior, graças-aos-deuses) que se importa com elas.

Mas ser um podcaster não implica em passar finais de semana em Aruba, voando em um jatinho particular, cercado de modeletes... Entre cuidados com minha família, afazeres profissionais exaustivos no dia-a-dia do escritório e algumas poucas horas de lazer, eu fico envolvido com meu próximo podcast: mastigando um roteiro, caçando trilhas e backgrounds, gravando uma seção, editando, e claro, estruturando o site, corrigindo uma coisinha aqui outra ali, escrevendo mais um artigo como este ou respondendo a ouvintes e amigos podcasters... Dentre tudo isto, estimo que utilizo de 9 a 15 horas por semana para (apenas) produzir meus textos, artigos e meu podcast quinzenal...

Não me leve a mal, não estou resmungando... eu já admiti o quanto é recompensador ser um podcaster. É que após todo esse trabalhão eu - como muitos podcasters - frequentemente consigo algo - ahnnnn - não muito agradável da audiência, ou seja: um completo e absoluto... silêncio. Um grande, enorme e redondo nada.

Para não ser totalmente injusto, vez ou outra um caridoso podcaster/ouvinte dá o ar da graça em um comentário ou email...

Uma audiência carinhosa é o que faz um podcasting funcionar (ahn... se não fossem os contadores de download estaríamos nos sentindo completamente desamparados - agora entendo a obsessão da indústria rádio-televisiva com os índices de audiência). Então, a menos que você, caro e amado ouvinte, se digne a demonstrar sua preciosa opinião, nós - podcasters - não vamos ter a menor idéia de como o podcast está indo, se funciona ou não! A gente fica - literalmente - "perdidão", naquela de barata em galinheiro, sabe?... Antes de você, condoído com nossa sina, comece a questionar o que pode ser feito para elevar nossos espiritozinhos amarfanhados, me adianto e apresento a seguir algumas sugestões:

1) Alguns podcasters mencionam em seus podcasts os seus diversos meios de contato (email, formulário de post, número skype...). Caso você não tenha percebido, isto é uma excelente indicação de que eles estão ansiosos para receber comentários do tipo: "porque você ouve este podcast? O que você gosta ou o que você não gosta? Como você descobriu meu podcast? Alguma sugestão?..." Uma dica: como podcaster adooora divulgar qualquer coisa, deixe claro no seu comentário se ele está autorizado ou não a divulgar o teor da mensagem e o seu nome. E não seja tímido: podcaster também é louquinho por visões honestas de seu trabalho, então meta a boca no trombone. Aula de etiqueta: Pode meter bronca... mas é desejável uma certa elegância, envie sua crítica de forma pessoal. Não vá espinafrando o coitado, assim sem-mais-nem-menos, de primeira... Dê uma chance ao coitado de consertar o próximo podcast.

2) Alguns podcasts - além do blog - possuem fóruns. Envolva-se! Não só o podcaster vai notar a sua existência como também você poderá trocar figurinhas com outros que compartilham o interesse comum.

3) Se você usa o iTunes ou um serviço web de listagem de podcasts (Odeo, Podfeed, PodcastPickle...) irá encontrar um modo de deixar um comentário. Use-o, cáspite! Deixe um curto e simpático comentário. Ah... uma vez feito o comentário, normalmente, não dá pra revisar, então seja generoso... lembre-se o podcaster está fazendo o melhor que pode.

4) Outros serviços como PodcastAlley, DigitalPodcast, Vocepod possuem sistemas de votação e notas. Se você usa um destes serviços, não custa nada você votar e pontuar seus podcasts favoritos. Frente aos podcasts em inglês, nós - brasileirinhos - somos quase traço, zero, na pesquisa mundial, mas qualquer coisa é melhor que nada, né?!

5) Se você é um bom samaritano e quer descobrir onde o podcast está listado ou registrado (caso o site do seu podcaster não liste os serviços), basta dar uma "googleada". Pronto! Agora basta registrar-se, deixar um comentário e dar uma nota ao podcast... Isso mesmo, bom samaritano, ajude a aumentar a audiência do podcast que você gosta!

6) Divulgue seus podcasts favoritos para seus familiares, amigos, companheiros de escritório, até a turma do futebol... Se não gostou do podcast, não tem problema... Divulgue-o para os seus inimigos.

7) Adicione os links dos podcast no BlogRoll de sua página web (isso irá aumentar as taxas de busca e o tráfego será potencializado), aproveite e coloque uma pequena resenha dos podcasts que você acompanha... Garanto que o podcaster sabendo desta resenha irá citar seu blog, como também irá recompensá-lo com um link bem visível. Lembre-se: u'a mão lava a outra.

8) Você visita fóruns ou chats que tratam de temas relevantes ou referentes aos podcasts que você ouve? Então, mãos à obra, divulgue o podcast! Coloque lá uma pequena nota com o link do site.

9) Você está participando de um evento que envolve tecnologia? Considere a possibilidade de convidar um podcaster para uma palestra ou workshop. Ah... primeiro verifique se ele é de sua cidade e se o assunto coaduna-se com o tema do podcaster. Sair de São Paulo para palestrar no "X Encontro da 3º idade sobre como usar o seu microcomputador" em Quixadá pode ser um pouco desgastante e improdutivo.

10) Como podcaster você deve enviar comentários em áudio personalizados aos seus parceiros de labuta. Mas não se exceda, seja parcimonioso e não esqueça de incluir seu endereço no comentário.

11) Escreva seu próprio artigo sobre temas abordados no podcast e o envie ao seu podcaster. Não se espante que você ouça seu trabalho no próximo podcast. Podcaster vive tendo crise de criatividade...

12) Embora haja podcasters super-profissionais, com toda uma infra-estrutura técnica e comercial por trás, a vasta maioria (como eu) não possui nenhum apoio financeiro, ao contrário, bancam do próprio bolso todos os custos diretos e indiretos de produção... Alguns podcasters possuem bannerzinhos PAY PAL, ou coisa que o valha, que permitem que você faça uma pequena doação. Com certeza, você receberá agradecimentos efusivos e eternos de seu podcaster... Encare esta ação como um "Olha cara, vamos tomar uma cerveja? Eu pago." Afinal no digimundo não dá p'ra agendar encontros pessoais com tanta facilidade (meus ouvintes nos EUA que o digam), consigo "muito de vez enquando" encontrar alguém aqui em São Paulo.

13) Há podcasters que vendem adesivos, canecas, camisetas com motivos associados aos seus podcasts. Alguns possuem CD's e livros... bem... não preciso dizer que isto normalmente ajuda a cobrir os custos de produção. Mesmo o merchandising AdSense, Amazon, Submarino, etc... que aparece no blog serve para agregar alguns trocados à conta do podcaster... caso for comprar algo vá até o blog deste seu podcaster e dê suas clicadas, mesmo uma pequena percentagem da compra é alguma coisa. Ajuda? Nunca é demais!

tenho certeza, que só de ler este artigo você já fez uns 10 podcasters darem piruetas de alegria. Agora se você for uma modelete, um aviso meu jatinho particular 'tá na oficina, mas dá pra dar uma voltinha no meu Celta 2007.

Sérgio Vieira - autor deste artigo vive se lamentando pelos cantos a falta de comentários em seu podcast; e com certeza receberá uma surra de toalha molhada da esposa com esta estória de modeletes...

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Wednesday, March 07, 2007

Tuesday, March 06, 2007

Mais uma perda...

06 de março de 2007

Morre o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard (aquele que citei em meu podcast Impressões Digitais nº 24 de 20 de Dezembro de 2006).

Morreu nesta terça, 6, em Paris, o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard, considerado um dos principais teóricos da pós-modernidade. Tinha 77 anos.

Baudrillard morreu em sua casa, em Paris, segundo informou Michel Delorme da editora Galilee. Ele morreu após uma "longa doença", disse Delorme, eufemismo francês para dizer que ele morreu de câncer.

Baudrillard, um dos fundadores da revista Utopie, publicou mais de 50 livros ao longo de sua carreira, como O Sistema dos Objetos (1968), A Sociedade de Consumo (1970), Simulacros e Simulações (1981) e América (1997).

O filósofo esteve no Brasil algumas vezes. Em 1982, para participar de um seminário promovido pela Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro, Cotidiano e Mudanças. Voltou à mesma universidade em 2003, para participar da conferência A Subjetividade na Cultura Digital e lançar seu livro Power Inferno. Esteve no País ainda em 1984, para lançar seu livro Esquecer Foucault e ministrar um curso de pós-graduação na Faculdade de Comunicações da UFRJ.

Em outubro de 2005 Baudrillard deveria ter vindo novamente ao Brasil como convidado de honra do evento Metamorfoses da Cultura Contemporânea, em Porto Alegre. Mas, por problemas de saúde enviou um vídeo com sua palestra para ser exibido ao público.

Sua mente brilhante vai fazer muita falta a este mundinho doido...

Monday, March 05, 2007

I Dig it 028


Hoje é dia de Impressões Digitais - Compacto Duplo em sua vigésima-oitava edição, o qual trata quase que apenas de buarques.

LADO A: Um Buarque (o Francisco)
No lado A de Francisco Buarque de Holanda a música Fado Tropical de 1971 composta para a peça Calabar de Ruy Guerra.

Fado Tropical


Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...
(além da sífilis, é claro)*
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa..."
Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

* trecho original, vetado pela censura em 1971

HOMO SAPIENS - Parte I: Outro Buarque (o patriarca)
Em 2006 a mídia fez um estardalhaço danado - com justiça - para comemorar o aniversário de publicação de Grande Sertões - Veredas (Guimarães Rosa), mas esqueceram de comemorar os 70 anos do livro que nasceu para explicar este país: de Sérgio Buarque de Holanda, "Raízes do Brasil", que forma com Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre (de 1933), e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Junior (de 1942), uma trilogia que fornece sólido substrato socio-filosófico para o aprofundamento de nossa identidade nacional.
Neste início do século XXI por entre os embates da violência, frustrações econômicas e ideológicas, resta ao pobre ser humano diante da complexidade deste universo, somente o questionamento.
Raízes do Brasil permanece um livro atual, imprescindível. Levado por Buarque de Holanda como projeto, para a Alemanha em 1929, amadureceu, pois como confessou Sérgio Buarque "era preciso explicar o Brasil aos alemães" e como "só quando você está no exterior é que se consegue ver seu próprio país corno um todo. E o Brasil não é fácil de se entender, é difícil".
No prefácio que escreveu em 1967 para a quinta edição de Raízes do Brasil, o pensador Antônio Cândido chama a atenção para o aspecto fundamental do pensamento de Buarque de Holanda: o uso da "metodologia dos contrários, que alarga e aprofunda a velha dicotomia da reflexão latino-americana". Uma nova visão é inaugurada por Buarque de Holanda em sua integração dos diversos aspectos históricos, sociológicos, econômicos, sociais. Investiga as conseqüências do que considera "o fato dominante e mais rico em conseqüências de nossa cultura" - o de que somos uns "desterrados". Pois instituições, idéias e formas de convívio foram transplantadas do continente europeu, mais particularmente da cultura ibérica, para o solo do novo continente, tendo sido nosso trabalho através do tempo "manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil".
A obra ainda declara que "a sociedade foi mal formada, nesta terra, desde as suas raízes". Estuda também a repulsa pelo trabalho regular e utilitário (pouco digno dos nobres de Espanha e dos fidalgos lusos) que permeia toda a nossa cultura e resulta em uma "incapacidade de organização" ou anarquia fundamental, que acaba por tolerar, ou mesmo exigir, formas autoritárias: "Em terra onde todos são barões, não é possível acordo coletivo durável, a não ser por uma força exterior respeitável e temida".
Entre espanhóis e portugueses há uma diferença fundamental no que se refere ao início da civilização urbana - enquanto o espanhol funda cidades em que parece predominar a linha reta e a ordem da razão, como se fossem um prolongamento estável da metrópole, o colono português norteado por uma política de feitoria, planta cidades irregulares, espontâneas, crescidas ao deus-dará.
Através de análises sistemáticas, Buarque de Holanda consegue elucidar boa parte do eu brasileiro (descobrimento, início rural da colonização, estabelecimento dos centros urbanos), aprofundando questões sobre a mentalidade, os costumes, as idiossincrasias dos colonizadores, e das gerações sucessivas, até chegar às características atuais: a nossa desorganização, emprenhada de paternalismos sócio-econômicos e do um "jeitinho brasileiro", uma doce-cordialidade, informalidade no trato, os compadrios e nepotismos, e a absoluta mistura de esferas entre o privado e o público. Polêmico é o capítulo sobre o "homem cordial" - tomado emprestado ao intelectual, Rui Ribeiro Couto (clique no Free Fles Box ao lado no arquivo Ribeiro Couto.pdf). Popularizou-se uma idéia, errônea, de que fora Sérgio Buarque o criador e o apologista dessa "cordialidade", que seria o grande legado do Brasil à sociedade global. Reconhecendo embora como virtudes a generosidade, o trato hospitaleiro, demonstrados pela população brasileira, ele faz questão de diferenciar essas atitudes das "boas maneiras" de civilidade de outros povos.
Sérgio Buarque de Holanda, paulistano (1902-1982), formado em direito (graças-aos-deuses nunca exerceu a advocacia) foi historiador, jornalista, escritor e professor universitário. "Raízes do Brasil" foi seu primeiro livro de seus 13 livros, a maioria, obras históricas.
Foi ainda diretor do Museu Paulista (o Museu do Ipiranga), fundador e diretor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, vice-presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, presidente da Associação Brasileira de Escritores, seção do Rio de Janeiro, co-fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 1945 e do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Casou-se em 1936 com Maria Amélia Alvim, com a qual teve sete filhos, entre eles o compositor Chico Buarque de Holanda.
Com um pé na pauta e em meio a este ar meio mal parado destes dias de fúria na terra brazilis - da série "Poesia numa Hora dessas?!" de Chico Buarque:

Agora Falando Sério

Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver a banda passar
Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal
Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu prédio
Pedindo pra eu cantar
Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
Agora falando sério
Preferia não falar
Falando sério


HOMO SAPIENS - Parte II: Terra Gelada
Era uma vez um país que tinha tudo, mas tudo mesmo, para não dar certo.
Este é um capítulo do próximo livro do economista Claudio de Moura Castro e nos dá uma idéia do que é a Islândia, terra que possui uma das melhores rendas per capita do mundo. E veja bem em clima subártico, com três horas de sol em janeiro, vulcões ativos, terremotos constantes, num chão de lava que tem 20% aptos para pastagens e 1% para a agricultura.
A Islândia já possuiu florestas - pelo menos um terço de seu território - mas elas foram usadas até o último toquinho. Sem cobertura vegetal, o solo se foi, enfim, um desastre ecológico milenar.
Foi um dos lugares mais pobre da Europa. E quase não dá para ver de onde saiu, em pouco mais de cem anos, a espantosa prosperidade atual, com o maior consumo de livros por habitante no planeta, nenhum pobre nas estatísticas e um único presídio com 70 detentos. Esta prosperidade - supõem-se - veio de duas riquezas mais ou menos invisíveis. O capital social herdado dos colonizadores vikings, que fincaram ali as raizes de um regime à prova de tirania. As leis chegaram à Islândia muito antes do governo; e a educação. No começo do segundo milênio, a literatura já era seu principal antídoto contra as agruras dos invernos longos e escuros. Lá, a alfabetização universal é obra do século 18.
Esta história se destaca como exemplo de que a exiguidade de recursos naturais, em si, não impedem que uma sociedade busque e atinja objetivos comuns.
Por fim, o segredo do sucesso de países que tinham tudo para ser inviáveis é o caminho escolhido por seu povo.


LADO B: De novo um Buarque (de novo, o Francisco)
Um carioca que esclareceu em algumas redondilhas que o seu pai era paulista, o avô era pernambucano, o bisavô mineiro, e o tataravô baiano.

Geni e o Zepelin

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni


BackGround - A Arte de Nenê (baterista, compositor e arranjador) - Peças: Garrote; Maracatu pra Tu; Outubro em Paris e Prezado Amigo Zeca. Roda Viva de Chico Buarque) e Bjork interpretando I've Seem it All e New World (ambas da trilha do filme Dance in the Dark).

Friday, March 02, 2007

Ai-meu-deus... E agora?!



ArtPC_005_02mar07

"Você gostaria de ouvir o podcast que produzo? Tem um computador a mão com internet? Legal! Isso é tudo o que você precisa."
Pronto?! Nãnãnina...
Agora começa a parte mais complicada desta evangelização tecnológica: tentar explicar o que é podcasting em uma única e simples frase para um futuro ouvinte de podcasts.
Descobri, por experiência própria, que assim, de primeira, isto é im - po - ssí - vel (aos revisores de plantão: palavra grafada foneticamente e não gramaticamente).
Tudo bem... você pode começar com uma frase do tipo: "é um simples arquivo de áudio que é baixado diretamente, automaticamente, do servidor..." E aí vem o complicômetro, quando você começa a tentar explicar que: "... para isso você precisa de um agregador, tipo iTunes ou Juice, e depois deve assinar o feed, sabe? Via o RSS, basta você ..." e vendo uma crescente expressão interrogativa em seu já espantado ex-futuro ouvinte, que - pode estar certo - teme ter que pagar uma taxa mensal, ou comprar um iPod, ou ainda um Macintosh para poder ouvir seu arquivinho de áudio.
O usuário médio de computador não está nem aí para esse blá-blá-blá todo. Ele sabe clicar no Youtube e olhe lá... Instalar agregadores, clicar no feed, copiar endereços xmls???? Deus-o-livre!!!
Você não pode e nem deve esperar que ele aprenda dominar todo um conceito novo de uma hora p'ra outra (e vamos e venhamos, esse negócio de podcast é complicado p'ra burro!) só para atender as suas comezinhas expectativas egocêntricas de audiência, seu podcaster guloso!
Isto pode ser uma surpresa para você - como foi para mim - mas muita gente vai até o site do podcast e simplesmente faz o download do arquivo mp3 diretamente para seu computador, ou então, se um "player em flash" está disponível na página, ele clica lá e ouve diretamente (confesso: quando estou fora, sem acesso aos meus computadores pessoais, utilizo minha assinatura Bloglines para ouvir os podcasts que assino).
Você 'tá com essa cara de espanto por que? Faça uma pesquisa rápida em seu escritório, escola, sei lá... em qualquer lugar, e vai descobrir a existência de pessoas, de muitas pessoas mesmo, que ainda se espantam com o que se pode fazer o botão direito do mouse ou que ainda não sabem usar a tecla TAB em documentos word.
Não estou dizendo que o iTunes, Juice, WinPodder e assemelhados são totalmente desconhecidos e suas virtudes ignoradas... mas, com tudo o que disse acima creio que deu para perceber o cenário geral, né?!
Pode ter certeza, pessoas irão clicar no logo do iTunes que 'tá lá estampado no seu site, o iTunes vai abrir, o seu podcast vai sair baixado e tocado, e então? O que acontece? A partir daí, cada vez que você abrir o iTunes apenas uma lista de podcast vai ser exibida. E o seu site? Lamento informar... mas a janela dele foi fechada há algum tempo...
A esta altura creio que você, talvez, tenha percebido o benefício que é manter, tanto quanto possível, seu ouvinte em seu site (desde que ele contenha informações básicas e interessantes sobre o assunto, o tema do podcast)... Logo, logo ele irá aprender sobre agregadores e usá-los adequadamente, como uma ferramenta, não como meio essencial.
Creio, também, que todos nós já notamos que a maioria dos nossos ouvintes são podcasters ou possuem um bom conhecimento de computadores e softwares. Eles são a nossa boa, educada e silente "brigada técnica", que não nos dão o menor trabalho. Por isso mesmo, não podemos deixar de divulgar no site e no podcast, constantemente e de modo simples e abrangente, como o ouvinte pode acessar, ouvir e assinar seu podcasting.
Ôpa! Só mais uma coisinha... esta palavrinha "assinar" (um podcast) sempre me causa um montão de problemas quando explico a um novato como automatizar o download do podcast. Se uso o termo inglês "subscribe", das duas uma, ou o interlocutor não entende o que significa, ou se entende, ele tasca - sempre - a questão: "Mas eu tenho que pagar?!". Igualzinho quando na mesma situação uso a palavra em português "assinar". Por isso mesmo eu tenho constantemente buscado uma palavra substituta... Alguém tem alguma sugestão?!


Sérgio Vieira - autor deste artigo ainda se enrosca todo para explicar alguma coisa sobre o mundo digital, onde para ele tudo é conhecido e absolutamente cotidiano, afinal ele vive dentro desta bolha desde a década de 70 - quando as coisas ainda eram meio analógicas e um pouquinho só solid state.

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