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Tuesday, August 21, 2007

I Dig it 036

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua trigésima-sexta edição - versão Compacto Duplo.


LADO A: Para Lennon e McCartney - Elis Regina (Milton Nascimento)

Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês



INTRO: Hoje é o dia do CANSEI !!! Campanha meio torta capitaneada pela OABSP - o que já meida com a pulga atrás da orelha - pois, além dessa turma possuir alguns representantes muuuuito ativos no leva-e-trás da corrupção institucional e endêmica brasileira, eles pedem que faça-se SILÊNCIO, quando mais é necessário botar-se a boca no trombone, e se propor novas políticas e soluções para nossas mazelas... Parece coisa orquestrada pela dupla política muda-e-surda PSDB-Democratas.

Deixemos estas ações inócuas (minuto de silêncio e meus resmungos) p´ra lá. Quem merece minuto de silêncio em nossa cultura é defunto - e no mote lembre-se do Elvis (Uá babiluba uá bem bum) Presley.


HOMO SAPIENS: É necessário reacender lembranças bem mais edificantes e dignas àquelas que normalmente eu reproduzo aqui como exemplos de leviandade desta classe tão maltratada por mim - a classe dos advogados. Assim hoje falo das Arcadas de São Francisco.. Não, não se trata de uma matéria científica, arqueológica ou buco-maxilar, muito menos sobre algum relicário ou algo estritamente ligado ao catolicismo... as arcadas aqui são elementos construtivos do ex-convento de São Francisco da cidade de São Paulo, do século 17, transformado em academia de direito por obra e arte de D. Pedro I, em 11 de agosto 1827, e berço do liberalismo brasileiro graças as idéias e ideais de seus estudantes ao longo dos anos.

Após a declaração da independência, tornou-se necessária a criação de uma universidade brasileira (só concretizada em 1920) para atender as necessidades de formação de quadros para administrar o aparelho do Estado e dirigir a jovem nação. Asim foi instituída a lei que estabeleceu a criação de 2 cursos de ciências juridicas e sociais, um em São Paulo e outro em Olinda.

Dois fatos políticos marcaram os primeiros anos da vida acadêmica paulistana: o assassinato de Líbero Badaró e a abdicação de D. Pedro I.

O italiano Giovanni Battista Badaró - de apelido de Líbero - formado em medicina pelas universidades de Turim e Pavia dava aulas preparatórias aos candidatos ao ingresso na faculdade, e foi fundador do jornal Observador Constitucional, Badaró atacava duramente os absolutistas. Badaró sofreu um atendado e antes de morrer proferiu a frase que o transformou em lenda: morre um liberal, mas não morre a liberdade... Ironicamente e por outras razões bem diferentes dos esbravejos jornalísticos de Badaró, poucos meses depois, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicava. A rua Nova de São José em que morava o jornalista e onde ocorreu a emboscada que o vitimou passou a ser a atual rua Líbero Badaró, bem no centro da capital paulista.

O sucessor de Badaró na difusão das idéias liberais entre os estudantes - e por meio deles em todo o Brasil - foi Johan Julius Gottfried Ludwig Frank, alemão de sólida formação cultural foi indicado, em 1833, para dar aulas de história e geografia no “curral dos bichos” - como os alunos chamavam o curso preparatório. Frank acabou transmitindo muito mais que matérias curriculares aos garotos, ensinou-os a se organizarem nos moldes das sociedades de jovens - as Burschenschaft, abrasileirado para A Bucha - cuja principal função é prover assistência material aos estudantes necessitados e noum segundo estágio uma confraria política. Julius Frank, protestante, quando morreu em 1841 causou um certo embaraçp. Onde enterrá-lo? Só havia cemitérios católicos... Os estudantes conseguiram resolver a questão: Frank está enterrado no pátio da escola sob um obelisco de 4 metros.

A comunidade estudantil com vários moradores em uma única residência, tanto para combater a falta de moradias de aluguel como para economizar, foi apelidada de “república”, formalizando a hostilidade à monarquia vigente.

A existência da academia arrancou a modorrenta e insonsa São Paulo do torpor colonial. Até 1930, quando foi inaugurada a Universidade de São Paulo, a qual contribuiu, juntamente com a Revolução de 1930, para o esvaziamento da Bucha, a Academia foi uma das poucas opções de formação da intelectualidade brasileira.

Em 1930 sob a comoção do assassinato de João Pessoa e às vésperas da revolução que levaria Getúlio ao poder, os estudantes enfrentam a polícia com discursos e comícios. Mesmo a vitória de Vargas não conseguiu paralisar a República do Bacharéis, em 1932, a Academia voltava à carga, sediando o quartel-general do MMDC, o movimento cívico-militar que mobilizou o estado e cujo nome foi criado pelas iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, jovens mortos em confronto com os getulistas na praça da república, meses antes da Revolução Constitucionalista deflagrada em 9 de julho por São Paulo.

Em 1964, tanto professores como alunos se dividiram profundamente... até o retorno da democracia em 1988, arduamente defendida desde a famosa Carta aos Brasileiros lida pelo prof. Goffredo da SIlva Telles Jr na Tribuna Livre do Largo de São Francisco, em 1977, exigindo em desafio ao poder ditatorial o Estado de Direito Já.

Hoje em dia ainda resistem duas antigas tradições acadêmicas: A singela trova cantada em coro ao final da refeição o conhecido "Pendura do XI de Agosto":

Garçom, tire a conta da mesa
e ponha um sorriso no rosto
Seria muita avareza
cobrar no 11 de agosto


E a passeata político-circense-carnavalesco-etílica, conhecida como Peruada, que se realiza pelas ruas do centro de SP no mês de outubro. Seu nome deriva do hábito caipira de embebedar - com pinga - os perus, antes de matá-los. E sabe qual é o lema da Peruada? Só podia ser um aforismo latino (advogado não tem jeito): RIDENDO CASTIGAT MORES (na pronúncia da última flor do lácio: O riso corrige os costumes).


LADO B: Milagre dos Peixes (Milton Nascimento)

Eu vejo esses peixes e vou de coração
Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza
Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no ardor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor
Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor
Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais
E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer
Eu vejo esses peixes e dou de coração



BACKGROUND: Mood Indigo, Sophisticated Lady, Misterioso (Thelonious Monk), My Favorite Things (Dave Brubeck Quartet) e Tutti Frtti (Elvis Presley).

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