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Sunday, October 28, 2007

Etmologia e podcasts

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Etmologicamente o termo “comunidade“ é muito interessante. Suas origens remontam aos primórdios da civilização e a uma teia de termos relacionados a uma palavra do latim arcaico: “communis”, um substantivo usado para descrever o que é comum, o que é geral, ou seja, de todos sem um dono específico... de usufruto livre e público, enfim.

Em uma época em que proliferam redes eletrônicas de acesso globais - via cabos ou wireless - e inúmeros ambientes sociais digitais expandem as suas portas da percepção, onde licenciamentos do tipo Creative Commons e ferramentas Open Source são livremente distribuídos, é pertinente, interessante e intrigante a percepção de que - hoje - qualquer pessoa com um computador e uma conexão de rede pode criar, gerir ou participar das mais variadas comunidades focadas em interesses comuns.

Em 2005, eu descobri apenas uma comunidade específica sobre o assunto podcasting. Inicialmente ela era relativamente pequena, consistia de alguns ouvintes e podcasters precocemente agrupados em torno de alguns programas pioneiros como os do Gui Leite, do Danilo Medeiros, do Diego Eis, e do Bruno Torres.

Apesar disso a comunidade era ativa e cheia de gás. Possuia uma energia cativante e uma abertura generosa a novos participantes e idéias. Teve seus momentos geek - tanto no tom como no conteúdo - mas também foi também desastrada, divertida, sensível, e inventiva na alavancagem de novos podcasters (como este que vos digita estas palavras).

Algo sobre o casamento da tecnologia de assinatura RSS, arquivo de áudio e entretenimento, transferidos para meu computador apenas com um clique do mouse?! Isso sim era um excelente método para obter acesso a coisas que eu queria ouvir quando e onde quisesse. E devia ser difundido!

Essa criativa, tolerante e pioneira comunidade de podcasters brasileiros, centrados em uma ética guerilheira e regras não muito definidas, que apenas engatinhava, impulsionou despretensiosamente uma série de programas e podcasters inovadores, muito longe do padrão DJ de FM, MTV ou Mesa Redonda de Futebol...

Embora fosse tecnicamente assustador para alguns o ato de criar e “subir” seu arquivo mp3 para um servidor, a liberdade absoluta de produção de seu prórprio conteúdo e de difusão, é e sempre será o grande e definitivo diferencial entre um Podcast e um mero arquivo de áudio/vídeo distribuído via RSS.

Que maravilha! Não há restrições de estilo e formato que tanto tolhem a criatividade no rádio tradicional. As pessoas ouvindo e produzindo podcasts instigantes, desenvolveram também ferramentas que realimentaram todo o processo de podcasting, popularizando lentamente este formato. Tudo era novo.

Depois de acompanhar por alguns meses este universo efeverscente decidi fazer um podcast... e passaram-se seis meses até eu lançar o primeiro programa. Pouco tempo depois desta minha decisão, descobri inúmeros outros fóruns mais focados em agregar ouvintes do que discutir o podcasting... Mesmo assim, inúmeros podcasters foram descobertos ou se descobriram.

Muitos destes eu vim a conhecer mais de perto. Alguns se tornaram excelentes podcasters, muitos abandonaram o barco e hoje só blogam. Outros desapareceram... Uns ainda são valiosos parceiros e há aqueles que chamo de amigos.

Durante estes quase 3 anos, muito mais que me divertir produzindo o Impressões Digitais, aprendi que os podcasts são poderosas ferramentas de aproximação de pessoas, construindo relacionamentos, permitindo o compartilhamento de histórias, sentimentos e conhecimentos.

Igualmente importante foi o fato de eu descobrir a minha própria comunidade dos ouvintes: as pessoas interessadas no conteúdo que eu estava produzindo. Muitos dos quais oferecem apoio, aconselhamento, informação adicional ou apenas amigável e desinteressado encorajamento.

Através desta descoberta consegui entender esse poder único e intrínseco ao meu podcast, assim passei encará-lo como uma forma de propagar - através de outras estruturas sócio-culturais - a minha mensagem pessoal, e também como uma forma de permitir que outras pessoas chegassem até mim.

Percebi também todo o poder que a web oferece às pessoas que possuem um interesse específico, dentre os variados assuntos que desenvolvo em meu podcast, principalmente o de responder-me apenas sobre um tema, uma idéia muito mais profundamente analisada e a capacidade outorgada de compartilhar um interesse comum. Ou seja, um nicho dentro de um outro nicho!

Os podcasts são particularmente eficazes na criação de um sentido amplo de comunidade, obviamente e porque a palavra falada é o mais eficaz transmissor de significado pessoal e emocional. Muito daquilo que fazemos é calcado apenas em nossa capacidade de falar.

O podcasting ajuda a restaurar tanto o senso de igualdade como a tradição oral, que, por vezes, parece definhar irremediavelmente numa cultura de difusão necessariamente saturada de mensagens comerciais. Os podcasts permitem às pessoas redescobrirem a diversidade de pensamentos, uma riqueza oculta de opiniões, posturas, informações, músicas, dramatizações, culturas, notícias e histórias.

Os podcasts nos colocam novamente em contato com as comunidades que nos são caras e as quais nós pertencemos, mesmo sem saber. Eles nos ajudam a escutar e compartilhar assuntos que desejamos. Ambas situações são ferramentas poderosas para a auto-expressão e importantes veículos para compartilhamento de sentimentos e potencialização de nosso sentimento tão latino de comunidade.



Sérgio Vieira - autor deste artigo, mesmo gostando de filologia, causa arrepios na comunidade quando comete pequenos assassinatos contra a língua pátria.

http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com



Sunday, October 21, 2007

I Dig it 038

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua trigésima-oitava edição - versão Compacto Duplo.

LADO A:
2001- Mutantes (Rita Lee e Tom Zé); álbum Mutantes, 1969

Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Eu quase posso palpar
A minha vida que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor do céu me compõe
O mar azul me dissolve
A equação me propõe
Computador me resolve
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Amei a velocidade
Casei com sete planetas
Por filho, cor e espaço
Não me tenho nem me faço
A rota do ano-luz
Calculo dentro do passo
Minha dor é cicatriz
Minha morte não me quis
Nos braços de dois mil anos
Eu nasci sem Ter idade
Sou casado sou solteiro
Sou baiano e estrangeiro
Meu sangue é de gasolina
Correndo não tenho mágoa
Meu peito é de sal de fruta
Fervendo no copo d'água
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia

INTRO: Você, provavelmente mais novo, atento e esperto notou que Tom e Rita brincam já nos idos de 68, bem no início da revolução da comunicação de massa, com nossa cultura frente ao futurismo do filme do Stanley Kubrick, 2001 Uma Odisséia no Espaço. Até os efeitos sonoros quando da aparição do monolito no filme são sacaneados pelos Mutantes nesta gravação. assim como percebeu, ao ouvir o trecho rock, desta visão tropicalista e musical, um certo quê do Pato Fu, né? A voz da Rita e da Takai se confundem...

Up date (24.Out) - Meninas me desculpem. Esqueci de coloocar os links de seus podcasts que citei no podcast, assim, aqui estão os ditos:
Privada Elétrica Podcast da Carolina Garofani de Curitiba,PR.
Aline Multiply Podcast da Aline Rodrigues do Rio de Janeiro, RJ.

HOMO SAPIENS: Neste Homo Sapiens eu retomo as idéias de Marshall McLuhan - lááá dos idos de 1960 e caquerada - para tentar clarear o que anda acontecendo com esta profusão de meios e uma torturante falta de mensagens...
ATENÇÃO RAPAZIADA: O MEIO É A MENSAGEM!!! Essa é a central deste canadense, ou seja, a mídia é um elemento determinante da comunicação. Pois até então o meio era geralmente pensado como simples canal de passagem do conteúdo comunicativo, mero veículo de transmissão da mensagem.
McLuhan chama a atenção para o fato de que uma mensagem quando proferida, transmitida por alguma mídia, introduz e exige diferentes estruturas perceptivas, desencadeando diferentes mecanismos de compreensão, ganhando diferentes contornos e tonalidades, e no extremo adquirindo diferentes significados. Em outras palavras, para McLuhan, o meio, o canal, a tecnologia em que a comunicação se estabelece, não apenas constitui a forma comunicativa, mas determina o próprio conteúdo da comunicação.
Partindo desta tese central, McLuhan aprimora seus estudos já abordados em seus outros 2 livros fundamentais: The Gutenberg Galaxy: The making of Typographic Man, de 1962 - onde analisa a evolução dos meios comunicativos usados pelos homens ao longo da sua História; e, Understanding Media: The extensions of Man, de 196, no qual identifica as características específicas de cada um desses diferentes meios de comunicação.
McLuhan distingue também três grandes períodos, culturas ou como ele as chamou: galáxias: A cultura oral ou acústica, própria das sociedades não-alfabetizadas; a cultura tipográfica ou visual que caracteriza as sociedades alfabetizadas; e a cultura eletrônica, determinada pela velocidade instantânea que caracteriza os meios foto-elétricos de comunicação e pela integração sensorial para que esses meios apelam.
Pela sua riqueza interpretativa e sugestiva, a palavra oral subscita à criatividade de quem fala e de quem ouve, estimula a imaginação, deixa o ouvinte livre para imaginar a seu modo as realidades e acontecimentos de que ela fala, ao passo que a escrita favorece a adoção de um ponto de vista único, desenvolve a uniformidade de quem escreve e de quem lê, suscita a ordenação lógica do discurso permitindo a construção de saberes racionais.
Quanto aos meios de comunicação elétrica, a sua instantaneidade, a velocidade com que a difusão das mensagens é feita, o caráter massivo da sua recepção (difusão), não só permite a partilha de experiências distantes e exóticas, como promove um novo tipo de aproximação social, agora em larga escala.
Como diz McLuhan, “A era eletrônica, que sucede à era tipográfica e mecânica dos quinhentos últimos anos, coloca-nos face a novas formas e a novas estruturas de interdependência humana“.
Não é estranho que MacLuhan defenda que as novas formas de interdependência que a tecnologia eletrônica arrasta consigo estejam, afinal, recriando o mundo à imagem de uma “aldeia global“ atravessada, e mesmo constituída, por redes altamente complexas de velozes e vibrantes meios de comunicação.
Ao permitir, e mesmo solicitar, a participação ativa da pessoa no seu próprio processo de aprendizagem, ao colocar à sua frente um universo permissivo onde a exploração imaginativa é livre no estabelecimento de encontros, aproximações, agregações sugestivas, redes analógicas insuspeitas, a formação cultural cibernética vislumbrada faz desaparecer o paradoxo da sociedade industrial do século 20, o binômio trabalho / lazer.
Em termos de históricos e filosóficos, é importante sublinhar: a tese de Macluhan segundo a qual as mutações fundamentais na História do Homem são pontuadas, não por grandes acontecimentos políticos, grandes decobertas, invenções ou progressos no conhecimento humano, mas pelo desenvolvimento de determinados canais ou meios de comunicação; e a necessidade, apontada por ele, de se pensar sobre a educação, o conhecimento, e a cultura face aos meios de comunicação e às suas transformações.
Não se trata de saber se somos nós que dominamos as mídias ou se somos dominados por elas, mas de perceber em que medida elas nos transformam (a nós e às instituições).
Numa época em que, como a nossa, os meios são cada vez mais poderosos e variados em todo o planeta, num momento em que a sociedade sinaliza sua sujeição a um processo de mediocratização e hedonismo cada vez mais preocupantes, não me parece legítimo que se possa continuar a pensar a cultura local e global sem questionar o papel das mídias e seus aspectos de distribuição, penetração, convergência, personalização e portabilidade.
Daí quem sabe eu, você, os estudiosos e os pesquisadores conseguiremos entender porque - em meio a seconds lifes, twiters, teatros mutimidiados e cinemas interativos - é legal a tropa e um certo capitão nascimento se tornarem parte dessa "elite".

LADO B: Panis Et Circenses - Mutantes (Caetano Veloso e Gilberto Gil); álbum Tropicália ou Panis et Circenses, 1968

Eu quis cantar minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer de puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Essas pessoas da sala de jantar (10 vezes)
Essas pessoas na sala...


LADO B (Bônus): Don Quixote (Rita Lee e Arnaldo Baptista)

A vida é um moinho
É um sonho o caminho
É do Sancho, o Quixote
Chupando chiclete
O Sancho tem chance
E a chance é o chicote
É o vento e a morte
Mascando o Quixote
Chicote no Sancho
Moinho sem vinho
Não corra me puxe
Meu vinho meu crush
Que triste caminho
Sem Sancho ou Quixote
Sua chance em chicote
Sua vida na morte
Vem devagar
Dia há de chegar
E a vida há de parar
Para o Sancho descer
E os jornais todos a anunciar
Dulcinéia que vai se casar
Vê, vê que tudo mudou
Vê, o comércio fechou
Vê e o menino morreu
E os jornais todos a anunciar
Armadura e espada a rifar
Dom Quixote cantar na TV
Vai cantar pra subir


BACKGROUND: Mozart Symphony No 40 (Waldo de Los Rios), Annen Polka, op. .117 (Johann Strauss), Beethoven La Pastorale e Haydn Symphonie No 101 (Waldo de Los Rios)

Friday, October 12, 2007

Guia de sobrevivência

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Agora, no finzinho de 2007, eu vou completar - e comemorar devidamente - dois anos desta vidinha ininterrupta de podcaster.

E quando digo comemorar, posso orgulhosamene afirmar que, essa sim, é uma data a ser festejada - com festa - enfim, um evento digno de nota, uma efeméride nesta aldeota meio assim-assim em que se encontra o podcasting verde-amarelo varonil.

Lembro-me bem que durante alguns meses acompanhei os primeiros podcasts ingleses e norte-americanos e acabei descobrindo no início de 2005 os pioneiros tupiniquins. Infelizmente a maioria destes brasileiros desligaram seus microfones, apesar de manterem - alguns, apenas alguns - um bloguezinho aqui, outro acolá...

Àquela época, após somente algumas semanas de convivência com os podcasts me bastaram para eu tomar a decisão: "Vou nessa!"

Porém, meu lado engenheirol questionou: "'Tá legal - ô mané! - você vai nessa e vai fazer o quê? Vai manter o podcast como? Tem assunto interessante para seu blá-blá-blá semanal? (Olha só a pretensão!? Fazer um podcast semanal!!!). De onde virá a grana p'ra pagar a hospedagem e a banda de tráfego? Será necessário comprar hardware e software? Quanto custa tudo isso?..." e mais um monte de questões estruturais e operacionais. Mesmo assim, assim como todo adolescente que “vai” e só depois se preocupa com as conseqüências do ato, tomei fôlego e enfiei a cara.

Devo esclarecer que esta "tomada de fôlego", entre decidir fazer o podcast e colocar o primeiro programa na rede, durou quase 5 meses.

Este longo período não deveu-se à indecisão ou paura, é que eu havia decidido utilizar apenas meu tempo livre para estudar tudo o que se referia a podcast, xml, css, html, e cavocar na rede tudo quanto é software de áudio (grátis!), provedores (grátis!), banda de tráfego (grátis!), email (grátis!), ou seja, qualquer coisa... grátis!

Eu estava determinado, uma das premissas fundamentais para me tornar podcaster foi a de não vou gastar um tostão para produzir, editar, divulgar e distribuir o meu podcast. Outra premissa, também fundamental: no mínimo devo manter o podcast por um ano (algo como 25 episódios, um número p'rá lá de razoável, quando percebi que um podcast semanal era inviável) para decidir se continuava ou não com essa loucura. Acho que foi por isso que não me importei em comemorar o primeiro aniversário do Impressões Digitais.

Tive sorte, admito, muita sorte mesmo. Os pioneiros e a efervescência do podcasting naqueles dias me ajudaram muito na divulgação, assim obtive uma excelente divulgação através do público deles. Ao mesmo tempo tive me esmerar no conteúdo para não ficar defasado. É... a concorrênca estimula a excelência.

Consegui mais alguns ouvintes fazendo um ahn... hum... spam calcado na minha lista de emails. Bem, ao fim consegui me estabelecer razoavelmente no meio podcasting, mesmo com minhas deficiências técnicas e vocais, daquelas que causam arrepios nos profissionais de rádio.

Confesso que durante o primeiro ano acompanhei frenetica e ansiosamente o lento acréscimo de downloads no registrador do Loudblog (meu antigo gerenciador de podcasts). Quando eu decidi, em maio de 2007, mudar para o WordPress e depois de passar por algumas dificuldades para ajustar o contador de downloads, cheguei a conclusão que isso - contar downloads - não valia a pena e também não significava muita coisa (pelo menos para mim).

Eu sempre me deliciei e me preocupei com os contatos e comentários dos ouvintes; a quantidade de downloads não me interessa diretamente. Creio que já alcancei uma "massa crítica" - uhm, excelente termo este, perfeito para demonstrar minha idéia - que atende as minhas egocêntricas expectativas em conjunto com minhas necessidades de controle e avaliação pública.

Alguns ouvintes comentam no blog, eventualmente (o que faz um bem danado para o ego público); outros enviam emails e áudios; alguns não comentam nada, mas me adicionam como fãs em serviços de agregação de blogs ou podcasts (e quando eu descubro isso fico muito lisonjeado com esta declaração pública desinteressada); outros tornam-se parceiros, companheiros e amigos!!! Com esses é uma troca danada de e-mails, IMs, VoIPs e mp3s, fomentando situações singulares de apoio, interação e aproximação.

Vocês não sabem, nem fazem a menor idéia do que nós acabamos fazendo para simplesmente nos encontrar tête-a-tête.

Após quase dois anos de lida me pego um pouco preocupado, não surpreso, apenas preocupado. Sempre, em uma nova mídia, muitos a abraçam inicialmente e em dado momento ocorre uma deserção, em maior ou menor intensidade (acaba-se a fantasia e descobre-se a realidade), mas, aparente e infelizmente o que ocorre atualmente com o podcasting brasileiro vai na contramão do que acontece no hemisfério norte ocidental.

Eu digo parece, porque não possuo nenhum dado muito concreto, apenas minha mísera e humilde observação dos fatos que me chegam à mão. Enquanto o podcasting no mundo inglês mantém-se em crescimento, inúmeros podcasts brasileiros somem todos os dias... puf! Outros piscam feitos vagalumes numa noite de verão, outros, ainda, pedem licença sine-die.

Creio que aqueles que buscavam soluções econômico-financeiras para alavancar, sustentar e gerar lucro com a continuidade de seus podcasts - dentro das estrututuras formais da internet - foram os primeiros a abandonar o barco.

Aqueles que atrelaram o podcast a uma outra estrutura de divulgação ou o utilizaram como out-door dinâmico de seus afazeres mais ou menos profissionais, aparentemente, deram-se bem e mantêm seus podcasts alegres e felizes com os resultados da exposição.

Outros que também sorriem pela existência e longevidade de seus podcasts são aqueles - que como eu - não estão nem aí para o quesito “reembolso e remuneração em moeda sonante para produzir o bichinho”. Com certeza estão felicíssimos pelo prazer que ele - o podcast - lhes dá. Se no futuro aparecer uma possibilidade de alavancar uns trocados - ou milhares, oxalá! - tudo bem... sem problemas.

Na realidade creio que os podcasters brasileiros mais felizes hoje em dia são aqueles que prazeirosamente e sem expectativa alguma ou quaisquer preocupações com o AdSense do Google, botam a voz na rede, sem grandes expectativas e sem medo de serem felizes.


Sérgio Vieira - autor deste artigo, como um descendente direto da cultura caipira paulistana "trupica mas num cai", e assim vai levando seu podcast.

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