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Sunday, December 23, 2007

Um podcaster em uma auto-entrevista



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Em um esforço para melhor conhecer os podcasters, e por não haver conseguido convencer ninguém a tempo, publico minha auto-entrevista. Quem sabe um podcaster misericordioso venha a colaborar nas próximas edições?

Muitos ouvintes querem saber o que motiva os podcasters a fazerem o que fazem; e por seu lado, os podcasters desejam saber para onde vai o podcasting. Então eu decidi bolar um questionário para “arrancar” estas informações de alguns podcasters. Como até o momento nenhum me enviou suas respostas, tudo bem... começo eu a responder:

P. Comecemos com uma breve auto-descrição, uma pequena biografia...

R: Meu nome é Sérgio, e nasci em Ourinhos, São Paulo, há 50 anos. Desde meu primeiro mês de vida até os 17 anos vivi em São Paulo. Passei os 5 anos seguintes no interior paulista, onde frequentei a Escola de Engenharia de Lins. Com 22 anos voltei para São Paulo em definitivo. Casei, tornei-me pai, e hoje possuo uma sólida vida familiar e profissional. Sempre me envolvi - de maneira bem auto-didata e diletante - com expressões artísticas e, modéstia à parte, me considero um razoável pintor e designer gráfico.
P: Quando e como, você conheceu o podcasting?
R: Foi nos fins de 2004 quando esbarrei em uma notinha em inglês sobre iPods e Adam Curry, a qual possuia um link sobre esta nova coisa chamada podcasting...
Foi algo que me interessou de cara. Tá certo que tudo sobre tecnologia sempre me interessou. Na época eu estava um tanto intrigado com CSS e Tableless, conceitos de webdesign, ou seja, usar formas melhores de relacionar usuários com a internet... mas pareceu-me tudo um pouco complicado e um pouco fora daquilo que eu já conhecia como usabilidade... meio fora de alcance dos conhecimentos do usuário comum. E eu estava certo! Até hoje pouca gente sabe o que é RSS, feed, podcasting...

P: Qual foi o primeiro podcast você assinou, e porquê?
R: Bom, na realidade eu não tenho certeza... porque após ler vários artigos sobre podcasting eu me fixei em outras tecnologias e quando instalei o iPodder lembro que assinei 4 ou 5 podcasts de uma vez, o do Adam Curry, um outro inglês sobre tecnologia e os podcasts do Danilo Medeiros, do Gui Leite, e do Diego Eis. E juro não lembro qual deles ouvi primeiro, mas foi no G5, eu não tinha mp3player ainda. E a razão foi a de sempre: curiosidade tecnológica.

P: O que você procura em um podcast?
R: Conteúdo, que em resumo é a informação qualificada e o entretenimento inteligente. Gosto de apresentadores engajados com o seu conteúdo e que me façam rir. Uma boa combinação de notícias e música ajuda também, mas é muito melhor quando me identifico com o podcaster, com sua personalidade e principalmente com o caráter pessoal aberto e honesto de suas experiências e conhecimentos. Ahn, o essencial é que o podcast seja autoral e que não possua nada em comum com aquilo que é produzido pelas rádios tradicionais.

P: O que faz você abandonar um podcast?
R: Essa é fácil. Cópias mal-feitas de rádio-apresentadores extravagantes falando sem parar sobre nada, o conhecido “enrolation”. Não há nada mais chato do que alguém que não tem nada a dizer.

P: O que levou você a se tornar um podcaster?
R: Novamente a curiosidade, um pouco de diletantismo... e claro, uma dose de desafio. Afinal, quem já ouviu meus podcasts sabe que não possuo uma voz muito adequada.
Outro fator foi a oportunidade de eu poder “escrever o meu livro” de uma forma oral. Pois creio que todo ser humano deseja ser ouvido e reconhecido como detentor de idéias e opiniões próprias.
Imagina só... uma rádio de alcance mundial só sua! Isso é irresistível!!!

P: O que motiva você, atualmente, para continuar a desenvolver o podcasting?
R: Exatamente estes mesmos três motivos: curiosidade artística, desafio tecnológico e desejo de divulgar idéias e opiniões. O mundo - mais do que nunca - é um lugar confuso, a possibilidade de acesso e a quantidade de informação disponível para um indivíduo é mostruosa. Precisamos cada vez mais qualificar e compartilhar a informação para evitar a estupidificação e a manipulação.

P: Os podcasts mudaram a sua atitude em relação com os meios de comunicação tradicionais?
R: Por eu possuir uma proximidade muito maior que a pessoa comum com a mídia (a família sempre esteve envolvida com jornalismo, produção áudio-visual, rádio e tv), meu modo de consumir e me relacionar com estes meios não mudaram em quase nada. Continuo ouvindo rádio, assistindo TV, lendo jornais, livros e revistas. Em certos horários, ao invés de ouvir música, agora ouço podcasts. O que houve mesmo foi o aproveitamento deste meu envolvimento com a mídia na produção do podcast.

P: A produção de podcasts mudou a sua vida?
R: Mudou sim... e a maior mudança creio ter sido o reacender da garra - na minha idade! - de possibilitar eu encarar e desenvolver todo um projeto complexo e desafiador, do zero, sozinho!!! E apaixonadamente manter o Impressões Digitais, aparando arestas aqui e alí, criando novas formas de expor minhas idéias e opiniões desde dezembro de 2005.
Realmente me espanta a minha dedicação na produção, essa paixão pelos podcasts e o envolvimento e apoio aos outros podcasts e seus produtores.
Outro ponto a salientar é a oportunidade social que o envolvimento com a comunidade de podcasters me oferece e a oportunidade de conhecer pessoas realmente muito inteligentes e interessantes, e claro, de expandir meus conhecimentos gerais e técnicos, permitindo, assim, a criação e a experimentação.

P: O que atrai você no podcasting?
R: O fato de que ele permite a convivência de milhares de opções inventivas, assim como de produtores talentosos sem conflito de espaços e - mais importante - a possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar do planeta, poder consumir entretenimento, cultura, informação a custo irrisório e com um grau de liberdade nunca antes colocado à disposição da humanidade.

P: O que você vê no futuro para você e seu podcast?
R: Comecei a notar que a exposição do podcast tem aumentado, novas pessoas estão descobrindo o Impressões Digitais todos os dias. Seria bom vê-lo crescer com mais vigor, mesmo porque estou ampliando os produtos do que chamo Projeto Impressões Digitais. Estou preparando meios de reforçar o blog e implementar umas coisinhas bem interessantes no conteúdo escrito, assim espero ampliar o raio de ação e penetração do Projeto. Em última análise, a dominação mundial!!!
Made it, Ma. Top of World!”(*)


Sérgio Vieira - autor deste artigo, que além de podcaster é um cinéfilo assumido, não pode deixar de lançar mão de uma das (*)frases mais famosas da história do cinema, proferida pelo personagem Cody Jarret, de James Cagney na cena final do filme White Heat (no Brasil, Fúria Sanguinária) de 1949. http://impressoes.vocepod.com idigitais@gmail.com

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