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Monday, February 04, 2008

I Dig it 041

Desculpe a demora... Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais na versão Full, edição nº 41 de 27 de janeiro do ano gregoriano de 2008.

A verdadeira maionese - Tangos e Tragédias

Eu sei que pode ser que
Cair não caia,
Doer não doa,
Sofrer não sofra,
Mas mesmo que seja assim, eu quero igual
Mas muito mais
Vou me perder no labirinto da ilusão,
De lá não vou sair com as mãos abanando,
Sem encontrar aquilo que eu não conheci:
A verdadeira maionese,
A verdadeira maionese,
A verdadeira maionese...
Alguém pode dizer que
Não tem porquê,
Mas também não,
Nem porquê não,
Então pois que seja assim, que seja aqui,
Que seja já
Haverá sempre uma pergunta a responder,
Um tanto de invenção na realidade,
E enquanto isso eu continuo a procurar
A verdadeira maionese,
A verdadeira maionese,
A verdadeira maionese...


Introdução: A letra incompreensível e as referências publicitárias do imaginário coletivo brasileiro desta cançoneta, obra e graça da dupla de malucos que transformaram-se em cult para o público sulista nos anos 90, define perfeitamente a linha-mestre do Impressões Digitais de hoje. Vamos revirar lixo e reciclar - como faz o universo - idéias e ideais... Peraí! Você não conhece a dupla, Hique Gomez & Nico Nicolaiewsky? Nem o propósito destes artistas pseudo-oriundos da Sbórnia? Então leiam a história do Tango e Tragédias...

Aquarela da Sbórnia - Tangos e Tragédias

Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)
Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)
A Sbørnia era grudada ao continente por um istmo...
(istmo!)
Após sucessivas explosões nucleares... malsucedidas
Ai, ai, ai, ai...
A Sbørnia se desgrudou!
A Sbørnia se desgrudou! (do continente)
E hoje é uma ilha navegando pelos mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo!
Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)
Todos sabem que a Sbørnia é conhecida
internacionalmente, internacionalmente, internacionalmente!
Por ter uma grande lixeira, onde todo mundo deposita o lixo cultural,
o que não serve mais para nada, o que já saiu de moda...
Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)
O sistema político da Sbørnia é o Anarquistmo Hiberbólico!
Em época de grande indecisão o povo se reúne em uma praça pública
e fica naquele clima de indecisão, aquela coisa de indecisão...
Até que nasce uma flor,
maravilhosa flor, tão bonita flor...
O sistema político da Sbørnia...
Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)
A Sbørnia era grudada ao continente por um istmo...
(istmo!)
E hoje é uma ilha navegando pelos mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo!
Nós nascemos na Sbørnia!
(BAH!)

O Manual do Torneiro Mecânico: Retomo um assunto já tratado em um dos podcasts anteriores: o lado sombrio da tecnologia e, aproveito para atualizar as estripulias de nossos "governantes"... Se você achava que era impossível piorar a questão da importação de "pneis" usados, lamento informar que o executivo, o legislativo e o judiciário brasileiros acabam de jogar uma bela porção de dejetos orgânicos bem no ventilador. A OMC - Organização Mundial do Comércio reconheceu que - para nos proteger ambientalmente - podemos, e devemos, proibir a importação destes "produtos" de qualquer lugar...
A porcaria é que o estado brasileiro permite a entrada de pneus usados ou reformados do Uruguai e do Paraguai, descumprindo uma lei em vigor desde 1991 que proibia a importação, resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a posição do Ministério do Meio Ambiente. Mas valendo-se desta pequena exceção, empresas muito preocupadas com o desemprego recorreram à Justiça, ganharam liminares e importaram nada mais nada menos que 10,5 milhões de pneus usados da Europa em 2005 e mais de 7,6 milhões em 2006.
A bem da verdade, o artigo 31 do projeto de lei de Política Nacional de Resíduos, enviado em agosto de 2007 ao Congresso pelo presidente da República, já prevê essa proibição. Mas quanto tempo levará para tramitar? Desde 2005 a Advocacia-Geral da União pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) que se manifeste sobre a legalidade das medidas liminares, concedidas em instâncias inferiores, as quais permitem a importação de pneus. E o que você acha que acontenceu até agora? Isso mesmo, nadica de nada.
Já os fabricantes de pneus no Brasil alegam que a importação, além de ilegal, está afetando o mercado.
Tudo isso faz parte do inacreditável panorama brasileiro na área dos resíduos sólidos, com 228,4 mil toneladas diárias só de lixo domiciliar e comercial coletadas a cada dia, quase 70 milhões de toneladas por ano - mais da metade das quais destinadas a lixões a céu aberto ou aterros inadequados (sem falar em entulhos, lixo industrial, de estabelecimentos de saúde).
Lembro ao incauto e desatento que parte do lixo tecnológico do 1º mundo começa a ser exportado para países mais pobres, em troca de pagamento.Que, por exemplo, a Prefeitura de São Paulo já retirou só do leito do Rio Tietê nos últimos anos algo como 10 milhões de metros cúbicos de sedimentos, detritos e lixo (ou 12 toneladas por dia); só o plástico representa mais de 10% desse volume; e 120 mil pneus velhos já foram retirados dali.
No final das contas, nós pagamos mais de R$ 2 bilhões anuais para as prefeituras providenciar o recolhimento e depósito do lixo; sem que se consiga cumprir o primeiro objetivo de uma boa política nessa área, que é reduzir a quantidade de lixo produzida. Nem o segundo, que é reutilizar ou reciclar o máximo possível.
Temos de mudar com urgência nossas postura ambiental e de consumo.
Não precisamos importar lixo da Europa ou de qualquer outro lugar para ficarmos mal.

Tudo isso me lembra uma quadrinha muito popular na minha infância:
Ao governo, claro! O bônus
À oposição, sempre! O ônus
Do povo, oras bolas! O ânus

Os Pensamentos do seu Milton, o guru do méier: Nesses tempos oclusos e obliterados pelo consumo desenfreado de qualquer símbolo ou mito, nada como os pensamentos do seu Milton para - através de suas orginais notas para uso da mídia em 1970 - nos enquadrar na realidade atual e sugerir uma saída genial:
“Nota 1: As conquistas técnicas foram tornando cada vez mais fácil outra conquista, a das masas, passivas e alienadas. Já ninguém mais precisa se esforçar longamente, viajar muito, perder anos até alcançar a discutível popularidade. Hoje uma celebridade é todo débil mental que aparecer meia dúzia de vezes na televisão.
Nota 2: Fabricar-se-ão livros didáticos comestíveis, aproveitando o avanço da tecnologia e a superprodução de soja. Os livros poderão ser fabricados com sabores variados: sabor matemática, sabor geografia, sabor logarítmos, etc... Uma forma real de acabar com a fome de saber. No Nordeste, esses livros, distribuídos aos milhões, acabaríam ao mesmo tempo com o analfabetismo e a subnutrição.”


Caiu Na Rede: Eu sei que p´ra sobreviver a gente faz qualquer coisa. Uma forma politicamente correta hoje em dia é pegar lixo e reciclar. Mas o braço digital do selo musical Tramaa Trama Virtual fez pior, ela administra, divulga e vende qualquer cois, a como música... Vasculhando por lá encontrei algo que me chamou atenção, leia o release do Jorge Mautner sobre a "artista":
Esta Noêmia Duque é um raro talento irradiante e magnetizante, ela além das artes musicais se expressa igualmente em forma e conteúdo exuberantes como escritora teatral. Sua imaginação de grande originalidade se apresenta com igual força de expressão tanto na música quanto nas letras. Além de ser ela própria esta pessoa de magnífico talento e inspiração, coloca em todas estas atividades uma seriedade profunda. Com sua capacidade de amalgamar e reinterpretar informações, estilos, fusões, ela nos brinda com uma arte onde o fascínio se mistura com o suspense, fazendo com que sua arte seja eivada de mistério, de graça divina, resultante de seu imenso trabalho e dedicação, irradiando permanente magia, encantamento e felicidade, e isso tudo com a marca de seu humor inato. É uma artista em toda a plenitude do Brasil-Universal deste século XXI.
Após esta apresentação formal ouça - lá no podcast - a grande Noemia Duque, e sua canção: Amélia já morreu.

É a Ignoranssa qui Astravanca u Porgréssio
: Aquela sacanagem que alguns chamam de sistema de compra de livros didáticos adotados pelo Ministério da Educação - MEC, continua apresentando gravíssimos problemas. Terreno fértil para a corrupção, agora ressalta-se o enviesamento ideológico nos critérios de escolha e pela total falta de controle em sua distribuição, a ponto de obras com crassos enganos ou despropósitos continuarem sendo livremente utlizadas em salas de aula.
É esse o caso da coleção Nova História Crítica de autoria do professor Mário Schmidt, que apenas entre 2005 e 2007 foi distribuída gratuitamente, a 750 mil estudantes do 1º grau da rede pública. A coleção foi aprovada com ressalvas pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2000. Na reavaliação dos títulos a serem adquiridos em 2005, os professores contratados para definir o Guia do Livro Didático a rejeitaram, criticando-a por sua “visão maniqueísta e simplificada dos processos sociais”. A coleção voltou a ser reprovada na escolha dos livros a serem comprados pelo MEC entre 2008 e 2010, desta vez sob a alegação de que contém erros conceituais, falhas de informação e incoerência metodológica.
Apesar do veto a novas aquisições, em 2005, e de sua exclusão do Guia do Livro Didático de 2008, a Nova História Crítica, continuou sendo distribuída pelo MEC!!!!
Só em 2007 foram enviados quase 1 milhão de exemplares da coleção a escolas públicas. A seguir reproduzo alguns trechos pinçados desta pérola da reavaliação histórica, os quais dão o padrão da sua “qualidade”:
Sobre a história do Brasil: O quadro de Pedro Américo, por exemplo, retratando a Proclamação da Independência, é comparado a “um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”. D. Pedro II é um “velho, esclerosado e babão”. A princesa Isabel é uma mulher “feia como a peste e estúpida como uma leguminosa” e o Conde d’Eu é um “gigolô imperial” que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro. “Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho salvador?”
Sobre o que é hoje o capitalismo: “Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.“
Sobre o ideal marxista: “Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.“
Sobre Revolução Cultural Chinesa: “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes ?politicamente esclerosados?. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: ´Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo?´. As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.“
Sobre os motivos da derrocada da URSS: “É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinha inveja da classe média em desenvolvimento dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?“

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais.
Tá certo que pegando um texto aqui outro alí sempre há o risco de descontextualizar, de forçar a barra, né?! Mas, gente isso tudo tá lá escrito direitinho, preto no branco... Não dá p´ra justificar a existência destes textos para " uma avaliação crítica", conforme alega o prof. Schmidt em sua defesa frente a - conforme suas palavras - direita raivosa, representada pelos 3 maiores jornais brasileiros que sairam denunciando o maniqueísmo educacional...
O que me dói é ver que antes de se cair de pau nas maracutais financeiras e administrativas do MEC, no roubo e no bando de larápios, ou seja na moralidade e na ética, o pessoal aponta suas artilharias na questão maniqueísta e ideológica, a qual, claro merece ser desmascarada... Isso deixa no ar algo como: “ahn tudo bem... essa queima de dinheiros públicos é endêmica no Brasil, deixa pra lá, o importante é baixar o sarrafo nesses esquerdinhas de merda e colocar nossa turma lá”.
Durante os últimos 40 anos fomos regidos educacionalmente pela direitona linha-dura militarizada, depois foi a meleca hedonista dos pós-modernos emendada na geléia geral consumista dos neo-liberais... agora é a vez da esquerda-festiva e revisionista, onde ex-ministra racista (ainda bem que esta louca caiu fora) se lambuza com cartões de crédito corporativos em freeshops e outras despesas de viagens, torrando mensalmente a média de R$ 14 mil.

Em meio a esta lixarada toda tenho a obrigação de reciclar a minha campanha cidadã Congresso 2010:
Não deixe essa turma de malucos encastelados naquelas tigelas lá de Brasília fazer mais bobagens do que já fizeram. Ligue pra ele, mande emails, cartinhas pelo correio em papel reciclado, seja educado, mas... aporrinhe o danado. Exija mudanças. Lembre o velhaco que ele é funcionário pago por você e lhe deve explicações e ações. Se você não fizer nada, se você se mantiver calado, a chance dele mudar é ZERO! Então:
ATÉ AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, ENCHA O SACO DE SEU REPRESENTANTE!

Jazz em Paz: Vá lá no podcast e ouça Duke Ellington e John Coltrane interpretando The Feeling Of Jazz

Poesia numa hora destas!? Não! Nada disso! Um monólogo...
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio - maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho.
Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas.
Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando.
Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.

Encerramento: Como juntei muito lixo por aqui hoje, jogo uma pá de cal e o deixo na companhia da dupla Tango e Tragédias com mais uma de suas coletas seletivas...
Aproveite e recicle o que der... exerça seu lado polticamente correto!

O Drama de Angélica - Tangos e Tragédias

Primeiro Ato:
Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético...
Poesia épica
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica
Com rima rápida...
Amei Angélica
Mulher anêmica
De cores pálidas
E gestos tímidos...
Era maligna
E tinha ímpetos
De fazer cócegas
No meu esôfago...
Em noite frígida
Fomos ao Lírico
Ouvir o músico
E Pianista célebre...
Soprava o zéfiro
Ventinho úmido
Então Angélica
Ficou asmática...

Segundo Ato:
Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico...
Depois do inquérito
Descobre o clínico
O mal atávico
Mal sifilítico...
Mandou-me célere
Comprar noz vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado...
O farmacêutico
Mocinho estúpido
Errou na fórmula
Fez despropósito...
Não tendo escrúpulo
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico...
Corri mui lépido
Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico
De força múltipla...

Terceiro Ato:
O dia cálido
Deixou-me tépido
Achei Angélica
Já toda trêmula...
A terapêutica
Dose alopática
Lhe dei em xícara
De ferro ágate...
Tomou num folego
Triste e bucólica
Esta estrambólica
Droga fatídica...
Caiu no esôfago
Deixou-a lívida
Dando-lhe cólica
E morte trágica...
O pai de Angélica
Chefe do tráfego
Homem carnívoro
Ficou perplexo...
Por ser estrábico
Usava óculos:
Um vidro côncavo
O outro convexo...

Quarta e Última Parte:
Morreu Angélica
De um modo lúgubre
Moléstia crônica
Levou-a ao túmulo...
Foi feita a autópsia
Todos os médicos
Foram unânimes
No diagnóstico...
Fiz-lhe um sarcófago
Assaz artístico
Todo de mármore
Da cor do ébano...
E sobre o túmulo
Uma estatística
Coisa metódica
Como Os Lusíadas...
E numa lápide
Paralelepípedo
Pus esse dístico
Terno e simbólico:
“Cá jas Angélica
Moça hiperbólica
Beleza Helênica
Morreu de cólica!

BackGround: My favorite things - John Coltrane / The jody grind - Horace SIlver / Move & Godchild - Miles Davis / Andante Cantabile - Tchaikovsky / Budo - Miles Davis

Música Final - My favorite things - Dave Brubeck

1 comment:

albricias said...

Nossa, eu lembro de ver a dupla Tangos e Tragédias no Jô Soares 11 e meia! Amei!

Sobre o assunto lixo, desde pequena eu simpatizava com causas ecológicas, colava adesivo do Greenpeace na minha bicicleta e queria ter um tucano em casa. Hoje eu reciclo todo o meu papel e cuido muito do consumo de água e energia. O meu dilema sobre o lixo é com o saco plástico. Eu não substituí as sacolas de plástico por sacolas de tecido porque uso a sacola de plástico para... embalar o lixo! Que porcaria.

Besos.