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Wednesday, June 22, 2011

I DIG IT 071

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais na versão Full, edição nº 71 de 5 de junho do ano gregoriano de 2011.

Freedom is a Voice - Bob McFerrin

Freedom is a voice
freedom is a song
freedom is a spirit
for the people who are strong
Freedom is a city
freedom is a land
freedom is the courage
to take another hand

Intro:
A fragmentação das relações via digital deslocam a realidade. As partes são maiores que o todo.
Neste podcast uso este conceito como pano de fundo, que sim, formulado assim, de modo extremamente enxuto, pode deixar dúvidas, mas possui uma profundidade abissal.
Tento demonstrar rapidamente que o ser humano vive num processo de deslocamento da própria realidade, onde cria inúmeras áreas de conforto, quase sempre irreais, seja na sua vida pessoal, familiar, românticas e profissional. E quando ele cai num mundo com forte componente imaginário, como o mundo digital, a coisa degringola de vez…

O Manual do Torneiro Mecânico: 
De modo óbvio o desenvolvimento de uma tecnologia - desde os primórdios da humanidade - é orientado pelos interesses do grupo dominante, carregado de valores de quaisquer matizes, sempre alinhando interesses, e claro, dirigido por um componente excedente.
Não é possível crer que o desenvolvimento tecnológico é autônomo e neutro. É preciso ter-se sempre em mente que ele é influenciado por valores e decisões políticas. Só com essa compreensão será possível promover um desenvolvimento que seja democrático e inclusivo.
O 1º defende que a tecnologia evolui principalmente e de forma natural e neutra, de acordo com suas próprias leis, e que os homens têm papel passivo nos rumos que esse desenvolvimento toma. É a chamada Teoria Determinista.
Já o 2º, chamado Teoria Crítica da Tecnologia, defende que o desenvolvimento é controlado pela ação humana e carregado de valores e interesses.
A visão determinista é semelhante à concepção liberal que predominava na economia até a Crise de 1929, de que o mercado tinha suas próprias leis e agia de forma autônoma. Depois da quebra da Bolsa de Nova Iorque, ficou claro que essas leis podem e devem sofrer intervenção para não gerarem transtornos para a população. parênteses: Qual o grau de intervenção seria o mais adequado é o que ainda se discute nesta área, e o que separa os grupos de poder após a derrocada do esquerda clássica.
Alguns sustentam que não enxergar de forma crítica o desenvolvimento da tecnologia e ignorar sua necessidade de orientação social pode trazer muitos prejuízos.
Assim, o domínio da tecnologia reforça os interesses de quem controla seu desenvolvimento.
Esta visão com laços evidentes com os preceitos socialistas do século passado decorre da necessidade de se dosar o grau de intervenção, de catálise, pois esta corrente de pensamento reconhece os perigos da entropia de sistemas isolados, como a Teoria Determinista.

Os Pensamentos do seu Milton, o guru do méier: 
O anarquista se revolta contra ser governado. Não ser governando por este ou aquele sistema, mas contra o fato mesmo de ser governado. Pois, ser governado é ser "guardado à vista, inspecionado o tempo todo, espionado, legislado absurdamente, regulamentado, condicionado, doutrinado, estampilhado, censurado, comandado por elementos que não têm títulos para isso, nem capacidade, nem ciência, nem virtude". 
Ser governado é, a cada operação, a cada transição, a cada gesto, "ser registrado, tarifado, timbrado, recenseado, cotizado, patenteado, licenciado, apostilado, admoestado, intimado, intimidado e corrigido".
É, em nome da utilidade pública e do interesse geral, ser obrigado a contribuir. É ser explorado, monopolizado, pressionado, mistificado, roubado. E, à primeira palavra de protesto, ao primeiro gesto de resistência, ser reprimido, vilipendiado, envergonhado, difamado, desarmado, aprisionado, fuzilado, metralhado, guilhotinado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído. 
Só um idealista enlouquecido consegue sobreviver a essa visão do mundo.

Caiu Na Rede: 
Nunca um exemplar da música popular brasileira (e bota popular nisso) representou tão bem uma geração futura.
Aquilo que nos anos 70 eram apenas especulações de filósofos, sociólogos, analistas econômicos e do comportamento humano concretizaram-se uma geração mais tarde.
Antônio Jorge Zacarias, o João da Praia, foi um cantor e compositor popular que fez um sucesso danado em 1974 quando vendeu 300 000 discos.
Analfabeto, usando um violão com apenas uma corda, João da Praia foi descoberto , quando vendia sorvete na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, pelo produtor Jacques Ayres que o lançou no mercado fotográfico daqueles anos dúbios e duros.
Depois da fama meteórica, nunca mais fez sucesso, tendo de trabalhar como motorista e balconista para sobreviver.


É a Ignoranssa qui Astravanca u Porgréssio: 
Há muito tempo uma cena bem simples de um filme nacional provocou, na platéia da sessão em que eu estava, uma reação totalmente incompreensível para os padrões de hoje.
No filme de Joaquim Pedro de Andrade, lançado em 1969, no exato momento que Paulo José, interpretando o Macunaíma já Branco sobe na estátua de um parque público e faz um discurso politicamente anárquico e sem pé-nem-cabeça, a sua camisa pólo amarela com um jacaré verde que ocupava metade do seu peito fez a platéia do cinema já extinto do centro de São Paulo chegar às lágrimas de tanto rir.
A simples alusão de um logotipo significar - no fim da década de 60 - o auge da aspiração social era motivo intrínseco de piada grotesca!
A marca deixou de ser estampa fabril nos 60-70, transformou-se no logotipo de divulgação mercadológica nos 80-90 e chegou ao ícone sociológico do século 21.
Tá eu sei você deve estar um tanto cansado de ouvir eu citar Jean Baudrillard por aqui, mas fazer o que? Ele foi o pensador europeu por excelência que indagou e elaborou relações à exaustão sobre o processo de valor e consumo. Para ele, a mais-valia material transcendeu seu aspecto marxista e nos anos 80 e 90 modificou as relações capitalistas entre produto - marca - consumo.
E, neste processo, deixou para trás o o conceito de utilidade inerente para o de simulacro social. Qual a razão para um cidadão comum possuir um MP10? Seria porque um simples MP3 é algo muito aquém da pertinência da posse de um 10!
O valor de troca de um aparelho que reproduzia apenas arquivos de áudio em formato mp3 comparado com outro que além de sintonizar rádio, gravar e reproduzir textos e em alguns casos armazenar e reproduzir arquivos de vídeo de baixa qualidade se tornaram equivalentes em poucos meses nos idos de 2007! Porém, o valor simbólico a cada dia se distancia desta equivalência de valor de troca e valor de uso.
Isso, ou seja, simbolizar a posse, não é demérito de pseudo-geeks atrás de gadgets recém-lançados, o simulacro do material encontra-se totalmente embrenhado em uma geração que determina todo o processo de produção-consumo. Vide os eco-direcionados, ou deveria chamá-los de eco-manipulados…
Bastou uma camada da sociedade passar a exigir preservação e manutenção do meio de sustentação humana para que as empresas ampliassem os custos envolvidos na produção para manter elementos chamado "ambientais".


My soul is jazzy and blues:
I Wish I Knew How It Felt To Be Free (Nina Simone) 

Corolário:
I Want to Break Free (Queen)

(I want to break free) 
(I want to break free) 
I want to break free from your lies 
You're so self satisfied I don't need you 
I've want to break free 
God knows, God knows I want to break free 
I've fallen in love 
I've fallen in love for the first time 
And this time I know it's for real 
I've fallen in love, yeah 
God knows, God knows I've fallen in love 
It's strange but it's true 
I can't get over the way you love me like you do 
But I have to be sure 
When I walk out that door 
Oh how I want to be free, baby 
Oh how I want to break free, 
Oh how I want to break free 
But life still goes on 
I can't get used to, living without, living without, 
Living without you by my side 
I don't want to live alone, hey 
God knows, got to make it on my own 
So baby can't you see 
God knows, gods know, gods know 
I've want to break free

BackGround:
Freedom (Danni Carlos); Free Falling (Tom Petty); Free Ride (Edgar Winter Group); As a Flower Blossoms (Pat Metheny); Libetango (Yo Yo Ma); Freeway Jam (Jeff Back), Free for All (Art Blakey)

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