Google+ Followers

Sunday, December 23, 2007

Um podcaster em uma auto-entrevista



ArtPC_026_21dezt07

Em um esforço para melhor conhecer os podcasters, e por não haver conseguido convencer ninguém a tempo, publico minha auto-entrevista. Quem sabe um podcaster misericordioso venha a colaborar nas próximas edições?

Muitos ouvintes querem saber o que motiva os podcasters a fazerem o que fazem; e por seu lado, os podcasters desejam saber para onde vai o podcasting. Então eu decidi bolar um questionário para “arrancar” estas informações de alguns podcasters. Como até o momento nenhum me enviou suas respostas, tudo bem... começo eu a responder:

P. Comecemos com uma breve auto-descrição, uma pequena biografia...

R: Meu nome é Sérgio, e nasci em Ourinhos, São Paulo, há 50 anos. Desde meu primeiro mês de vida até os 17 anos vivi em São Paulo. Passei os 5 anos seguintes no interior paulista, onde frequentei a Escola de Engenharia de Lins. Com 22 anos voltei para São Paulo em definitivo. Casei, tornei-me pai, e hoje possuo uma sólida vida familiar e profissional. Sempre me envolvi - de maneira bem auto-didata e diletante - com expressões artísticas e, modéstia à parte, me considero um razoável pintor e designer gráfico.
P: Quando e como, você conheceu o podcasting?
R: Foi nos fins de 2004 quando esbarrei em uma notinha em inglês sobre iPods e Adam Curry, a qual possuia um link sobre esta nova coisa chamada podcasting...
Foi algo que me interessou de cara. Tá certo que tudo sobre tecnologia sempre me interessou. Na época eu estava um tanto intrigado com CSS e Tableless, conceitos de webdesign, ou seja, usar formas melhores de relacionar usuários com a internet... mas pareceu-me tudo um pouco complicado e um pouco fora daquilo que eu já conhecia como usabilidade... meio fora de alcance dos conhecimentos do usuário comum. E eu estava certo! Até hoje pouca gente sabe o que é RSS, feed, podcasting...

P: Qual foi o primeiro podcast você assinou, e porquê?
R: Bom, na realidade eu não tenho certeza... porque após ler vários artigos sobre podcasting eu me fixei em outras tecnologias e quando instalei o iPodder lembro que assinei 4 ou 5 podcasts de uma vez, o do Adam Curry, um outro inglês sobre tecnologia e os podcasts do Danilo Medeiros, do Gui Leite, e do Diego Eis. E juro não lembro qual deles ouvi primeiro, mas foi no G5, eu não tinha mp3player ainda. E a razão foi a de sempre: curiosidade tecnológica.

P: O que você procura em um podcast?
R: Conteúdo, que em resumo é a informação qualificada e o entretenimento inteligente. Gosto de apresentadores engajados com o seu conteúdo e que me façam rir. Uma boa combinação de notícias e música ajuda também, mas é muito melhor quando me identifico com o podcaster, com sua personalidade e principalmente com o caráter pessoal aberto e honesto de suas experiências e conhecimentos. Ahn, o essencial é que o podcast seja autoral e que não possua nada em comum com aquilo que é produzido pelas rádios tradicionais.

P: O que faz você abandonar um podcast?
R: Essa é fácil. Cópias mal-feitas de rádio-apresentadores extravagantes falando sem parar sobre nada, o conhecido “enrolation”. Não há nada mais chato do que alguém que não tem nada a dizer.

P: O que levou você a se tornar um podcaster?
R: Novamente a curiosidade, um pouco de diletantismo... e claro, uma dose de desafio. Afinal, quem já ouviu meus podcasts sabe que não possuo uma voz muito adequada.
Outro fator foi a oportunidade de eu poder “escrever o meu livro” de uma forma oral. Pois creio que todo ser humano deseja ser ouvido e reconhecido como detentor de idéias e opiniões próprias.
Imagina só... uma rádio de alcance mundial só sua! Isso é irresistível!!!

P: O que motiva você, atualmente, para continuar a desenvolver o podcasting?
R: Exatamente estes mesmos três motivos: curiosidade artística, desafio tecnológico e desejo de divulgar idéias e opiniões. O mundo - mais do que nunca - é um lugar confuso, a possibilidade de acesso e a quantidade de informação disponível para um indivíduo é mostruosa. Precisamos cada vez mais qualificar e compartilhar a informação para evitar a estupidificação e a manipulação.

P: Os podcasts mudaram a sua atitude em relação com os meios de comunicação tradicionais?
R: Por eu possuir uma proximidade muito maior que a pessoa comum com a mídia (a família sempre esteve envolvida com jornalismo, produção áudio-visual, rádio e tv), meu modo de consumir e me relacionar com estes meios não mudaram em quase nada. Continuo ouvindo rádio, assistindo TV, lendo jornais, livros e revistas. Em certos horários, ao invés de ouvir música, agora ouço podcasts. O que houve mesmo foi o aproveitamento deste meu envolvimento com a mídia na produção do podcast.

P: A produção de podcasts mudou a sua vida?
R: Mudou sim... e a maior mudança creio ter sido o reacender da garra - na minha idade! - de possibilitar eu encarar e desenvolver todo um projeto complexo e desafiador, do zero, sozinho!!! E apaixonadamente manter o Impressões Digitais, aparando arestas aqui e alí, criando novas formas de expor minhas idéias e opiniões desde dezembro de 2005.
Realmente me espanta a minha dedicação na produção, essa paixão pelos podcasts e o envolvimento e apoio aos outros podcasts e seus produtores.
Outro ponto a salientar é a oportunidade social que o envolvimento com a comunidade de podcasters me oferece e a oportunidade de conhecer pessoas realmente muito inteligentes e interessantes, e claro, de expandir meus conhecimentos gerais e técnicos, permitindo, assim, a criação e a experimentação.

P: O que atrai você no podcasting?
R: O fato de que ele permite a convivência de milhares de opções inventivas, assim como de produtores talentosos sem conflito de espaços e - mais importante - a possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar do planeta, poder consumir entretenimento, cultura, informação a custo irrisório e com um grau de liberdade nunca antes colocado à disposição da humanidade.

P: O que você vê no futuro para você e seu podcast?
R: Comecei a notar que a exposição do podcast tem aumentado, novas pessoas estão descobrindo o Impressões Digitais todos os dias. Seria bom vê-lo crescer com mais vigor, mesmo porque estou ampliando os produtos do que chamo Projeto Impressões Digitais. Estou preparando meios de reforçar o blog e implementar umas coisinhas bem interessantes no conteúdo escrito, assim espero ampliar o raio de ação e penetração do Projeto. Em última análise, a dominação mundial!!!
Made it, Ma. Top of World!”(*)


Sérgio Vieira - autor deste artigo, que além de podcaster é um cinéfilo assumido, não pode deixar de lançar mão de uma das (*)frases mais famosas da história do cinema, proferida pelo personagem Cody Jarret, de James Cagney na cena final do filme White Heat (no Brasil, Fúria Sanguinária) de 1949. http://impressoes.vocepod.com idigitais@gmail.com

Saturday, December 15, 2007

I Dig it Special03

Esta aqui é uma versão do ADD (podcast do MaestroBilly) especialmente preparada para atender o projeto Natal do Billy. Neste especial eu elegi quatro canções de artistas ainda desconhecidos do grande público.


A primeira artista é pernambucana Lucinha Guerra (lucinha.guerra@gmail.com / (81) 9133-0236 e (81) 3241-0236) interpretando ‘Samba pra João’, uma canção do compositor também pernambucano Romero Andrade. Lucinha é cantora, atriz, percussionista, dançarina e diretora musical. O repertório de Lucinha é de grande diversidade musical, trazendo composições inéditas e antigos clássicos da MPB, variando do frevo de bloco, do samba, do baião, canções francesas, cantigas populares, fox trot, tango e algumas árias de ópera com arranjos originais. Seu 2ºCD “O Samba de Mariazinha”, traz canções inéditas do Pernambucano Romero Andrade, do carioca Marcelinho Di Samba, do cancioneiro popular, e da própria Lucinha Guerra. Trazendo sempre ritmos diversificados como sambas, xotes, frevos de bloco e canção, maxixes… E participações mais que especiais como o cantor Geraldo Maia, a cantora Anastácia Rodrigues, Terezinha do acordeom, Cezinha do Acordeom entre outros.


A seguir a jovem cantora, compositora e arranjadora Elisa Gatti (benedetta16@gmail.com), paulistana de apenas 23 anos, interpreta sua composição, em parceria com Frederico Barbosa, “Nós Paisagens“ e também uma gravação ao vivo de sua composição “Che ci posso fare”.




Para encerrar este especial temos a canção “Alento”, composição de Luisinho Vieira (luis.vieiradasilva@gmail.com) e do publicitário Sérgio (Cultura) Valente, que também interpreta esta canção, que faz parte do CD Provocação lançado em setembro de 2007. Este trabalho com direção do próprio Luisinho Vieira, faz parte do acervo do grupo OPA que desenvolve a arte como meio de oração.

Divirtam-se!

Post Scriptum: Ahn, o original do ADD 0383 do MaestroBilly tem muito mais músicas e uma apresentação “sui generis” feita pelo Billy deste velho aqui… :P

Sunday, December 09, 2007

I Dig it 040

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua quadragésima edição - versão Compacto Duplo.

LADO A & B - I´ve got you under my skin (Cole Porter)
Fransces Day (lado A), Frank Sinatra e Bonno Vox (lado B)
I've got you under my skin
I've got you deep in the heart of me
So deep in my heart, that you're really a part of me
I've got you under my skin
I've tried so not to give in
I've said to myself this affair never will go so well
But why should I try to resist, when baby will I know so well
That I've got you under my skin
I'd sacrifice anything come what might
For the sake of having you near
In spite of a warning voice that comes in the night
And repeats, repeats in my ear
Don't you know you fool, you never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you
Makes me stop before I begin
'Cause I've got you under my skin

INTRO - Não resisti e só usei como background músicas dos anos 30 e 40... a garotada vai estranhar pacas! Mas como o tema do Homo Sapiens é a releitura (maniqueísta) da nossa historia recente - os anos do Estado Novo de Vargas. A coesão do podcast ficou garantida.

HOMO SAPIENS - Certas releituras da política de nosso país realmente me deixam abestalhado pela capacidade demonstrada por alguns ditos intelectuais na distorção pura e simples de uma realidade histórica...
Há pessoas divulgando que o estado novo de Getúlio Vargas não foi apenas uma tirania, mas um sistema político necessário que legou a industrialização ao Brasil. Para estes, Vargas foi um déspota esclarecido, líder de uma “revolução pelo alto” que lançou as bases da industrialização do Brasil.
Uma das facetas das novas estruturas sócio-econômicas surgidas em 1920, é sem dúvida a crítica às instituições representativas da democracia liberal. A reação a este movimento liberal veio na forma de substituição dos partidos e das organizações por câmaras ou setores da produção organizados e liderados por um Estado fortalecido e extremamente centralizador.
Vargas não foi capaz de chegar através do voto à Presidência em 1930 . Seu grupo resolveu então através de um golpe alçá-lo ao poder e invalidaram a Constituição republicana. Uma nova Constituição só foi estabelecida em 1934, e completamente desprezada pela ditadura Vargas até o golpe final em 10 de novembro de 1937, quando da outorga pelo próprio ditador Vargas de uma constituiçãoque validou a ditadura do Estado Novo até 1945.
Alguns destes neo-historiadores não avaliam as transformações ocorridas com o reconhecimento de direitos trabalhistas - a famosa CLT, conjunto de leis totalmente baseado na Carta del Lavoro fascista de Mussolini - mesmo que o preço disso tenha sido a perda da autonomia política dos trabalhadores pelo atrelamento dos sindicatos ao Estado. Da mesma forma, saudando os benefícios aos “trabalhadores do Brasil”, outros passam ao largo do engessamento causado pelo caudilhismo e peleguismo, quase não tocando nos desmandos dos interventores da ditadura no governo dos estados e nas milhares de arbitrariedades jurídicas. Antes de ceder às pressões econômicas e políticas e ingressar na II Guerra Mundial ao lado dos aliados, Getúlio Vargas deixava claro sua simpatia pelos regimes fortes.
Setenta anos depois da implantação do Estado Novo, não estamos ainda no que Braudel chamava de “tempo longo”, mas já é possível analisar aquele período de maneira menos maniqueísta, mas não tão levianamente quanto este pessoal... Analisando as datas de inauguração da CSN, da CVRD, da FNM de da CHESF verifica-se que industrialização promovida pela ditadura de Vargas iniciada em 1930 só ocorre pelas ações de guerra do início dos anos 40 e de subsídio ao pós-guerra, ambas dirigidas pelos EUA!
No final de 1945, a vitória aliada na Segunda Guerra e a própria conjuntura nacional viraram o País de cabeça para baixo. Um país calcado no velho fascimo derrotado e extinto nos campos europeus não podia mais existir no campo geo-político do grande vencedor... Um novo realinhamento de forças políticas e, principalmente, do status quo depuseram Vargas em 29 de outubro daquele ano. O Brasil nunca mais seria o mesmo.

BACKGROUND - Rosalie / Love for sale (Cole Porter), A Media Luz - Hugo del Carril (Carlos Gardel), Sweet Lorraine / Jumpin´ At the Woodside / Chicago / Get Happy (Benny Goldmann).

INCIDENTAL - Getúlio Vargas, South American Way - Carmen Miranda (McHugh - Dubin)