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Monday, November 30, 2009

Meditação Nerd

O que passa na mente dos homens...

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Sunday, November 22, 2009

I Dig it 062b (Parte 2)

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua versão Compacto Duplo, edicao nº 62b

PARTE 2:

Compacto Duplo: Background: Quintet In A Major, Opus 114, D667 'The Trout' (Franz Schubert); Rhapsody on a Theme of Paganini (Sergei Rachmaninoff); Clair de Lune (Claude Debussy), Atraente (Chiquinha Gonzaga)

Lado B: Abre Alas (Chiquinha Gonzaga) versao Antonio Adolfo

INTRO:

Esta é a segunda e última parte do Impressões Digitais versão Compacto Duplo edição 62, então, caso não tenha ouvido a 1ª parte pare por aqui e ouça a edição anterior. Se já a ouviu, vamos em frente...

HOMO SAPIENS (ou Timeline):

1834: Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil, morre em Queluz, Portugal.

1835: Início da Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. Posse de Diogo Feijó como Regente Único do Império. Decreto 101 autorizando a construção de ferrovias no Império.

1836: Recuperação de Porto Alegre pelos legalistas. Charles Darwin, a bordo do HMS Beagle, retorna à Bahia. O coronel farroupilha Antônio de Sousa Neto proclama a República Rio-Grandense (também conhecida como a República do Piratini), com a sede de Piratini. Batalha do Fanfa (Revolução Farroupilha). Derrota das tropas de Bento Gonçalves, chefe dos farroupilhas, no rio Jacuí. A República de Piratini é estabelecida.

1838: O Colégio Dom Pedro II é inaugurado no Rio de Janeiro. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro é fundado no Rio de Janeiro.

1839: A República Juliana é um estado republicano proclamado no atual estado de Santa Catarina. Rendição da cidade de Caxias aos balaios. Manuel Congo, líder de levante de escravos, é enforcado no Rio de Janeiro.

1840: Câmara aprova o projeto de dispensa de idade de Dom Pedro II. A maioridade de Dom Pedro II é decretada pela Assembléia Geral. Composição do primeiro gabinete ministerial da maioridade. Dom Pedro II assume o trono, com apenas 14 anos, 7 meses e 22 dias.

1841: Dom Pedro II é aclamado e coroado como o segundo imperador. O Real Conservatório de Música do Rio de Janeiro é criado.

1842: Revolta Liberal em Minas Gerais e São Paulo. Dom Pedro II casa-se com a princesa Teresa Cristina Maria de Bourbon. Fundada a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Estabelecimento do selo postal.

1843: A Constituição da República Rio-Grandense é aprovada em Alegrete. Petrópolis é criada por decreto de Dom Pedro II. Dom Pedro II, aos 18 anos, casa-se com D. Teresa Cristina Maria de Bourbon, com 21 anos.

1844: O governo brasileiro reconhece a independência do Paraguai.

1845: Fim da Guerra dos Farrapos e da República Rio-Grandense. O Slave Trade Suppression Act ou Aberdeen Act, mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen é aprovado pelo Parlamento da Grã-Bretanha e proíbe o comércio de escravos entre a África e a América.

1846: A primeira lei eleitoral, elaborada pelo Poder Legislativo, é assinada pelo Imperador. Surge o Zé Pereira no Rio de Janeiro.

1848: Manaus, capital do Amazonas, é fundada. Início da Praieira, em Pernambuco.

1849: Revolta de escravos no Espírito Santo. Os rebeledes da Revolução Praiaeira se rendem).

1850: O Imperador do Brasil, D. Pedro II, aprova a Lei Eusébio de Queirós, que reprime o tráfico negreiro como pirataria. Esta lei sim, cumprida e fiscalizada pelo Estado, termina com o tráfico negreiro causando um sério revés na economia.

1851: Os primeiros imigrantes suiços e alemães chegam à Colônia Dona Francisca (SC). Início da Guerra contra Oribe e Rosas na Batalha de Tonelero.

1852: Fim da Guerra contra Oribe e Rosas.

1853: Dom Pedro II sanciona a Lei que permite a fusão de dois dos maiores bancos particulares da época: o Comercial do Rio de Janeiro e o Banco do Brasil. A Província do Paraná é criada.

1854: Envio de tropas brasileiras ao Uruguai. É inaugurada a primeira ferrovia do país em Petrópolis, Rio de Janeiro.

1855: É fundada a 1ª sociedade carnavalesca, a Tenentes do Diabo (inicialmente com o nome Zuavos Carnavalescos).

1856: O Pacto de Navegação é assinado entre o Brasil e a Argentina.

1858: A estrada de ferro Dom Pedro II, atual Central do Brasil, é inaugurada.

1859: O Tratado definitivo entre Brasil, Argentina e Uruguai, no Rio de Janeiro.

1861: A Caixa Econômica Federal é criada no Rio de Janeiro. Naufrágio do Prince of Walles , cargueiro britânico, no litoral gaúcho, cuja carga fora roubada.

1862: Dois marinheiros ingleses foram presos no Rio de Janeiro, após importunar um policial. Tal fato somado ao caso do Prince of Wales, o ministro inglês William Dougall Christie exigiu indenização e pedido de desculpas. O Brasil não atendeu às exigências, tendo cinco navios aprisionados pela esquadra britânica. O Sistema Métrico Francês é adotado no país. As barcas entre Rio de Janeiro e Niterói, na Baía de Guanabara, é inaugurada.

1863: O Brasil paga indenização pelo caso do cargueiro britânico e ganha o caso dos marinheiros ingleses sob julgamento internacional pelo Rei Leopoldo I da Bélgica.

1864: Batalha Naval na Bahia entre CSS Florida e USS Wachusett. A princesa Isabel casa-se com o conde D’Eu. Início da Guerra contra Aguirre. O presidente paraguaio, Solano López, declara guerra ao Império do Brasil. A princesa Leopoldina casa-se com o duque de Saxe.

1865: As relações do Brasil com a Inglaterra são reatadas, após pedido de desculpas dos ingleses. Brasil, Uruguai e Argentina assinam o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

1866: As juntas de guerra entre os aliados são convocadas. Inúmeras batalhas da Guerra do Paraguai: Batalha de Tuiuti. Batalha de Curupaiti. Luís Alves de Lima e Silva é nomeado para comandante-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai.

1868: O agora marechal Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) é nomeado para o comando-geral dos exércitos da Tríplice Aliança e derrota os paraguaios na Batalha da Ponte de Itororó. No Rio, surgem os bondes de tração animal, pertencentes à Companhia de Carris da Tijuca. Seu nome originou-se dos talões vendidos para facilitar o troco, denominados “bonds”.

1869: As tropas da Tríplice Aliança entram em Assunção no Paraguai.

1870: Francisco Solano López, presidente do Paraguai, é morto pelo lanceiro brasileiro Chico Diabo após perder a Batalha de Cerro Corá. Fim da Guerra do Paraguai. O Manifesto Republicano é publicado pelo primeiro número do periódico A República, no Rio de Janeiro. No carnaval carioca, surge a canção Zé Pereira. Surge o maxixe, primeira dança brasileira.

1871: Início da primeira Regência da Princesa Isabel que há época tinha 25 anos. A Lei do Ventre Livre é aprovada pelo Parlamento e liberta os filhos de escravos nascidos.

1872: O Tratado Definitivo de Paz e Amizade Perpétua é assinado entre Brasil e Paraguai. Início da Questão religiosa, um conflito ente Igreja Católica e Maçonaria no país. Fim da primeira Regência da Princesa Isabel.

1873: Surge o primeiro rancho carnavalesco, o Reis de Ouro, fundado pelo baiano Hilário Jovino Ferreira (os ranchos iriam desaparecer no início da década de 1920).

1874: O telégrafo submarino entre Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Pará é inaugurado. Após 374 anos desde sua descoberta o Brasil tem o registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos criado de maneira formal e generalizada com o decreto imperial número 5604.

1875: Chegam ao país os 150 imigrantes italianos com o navio Rivadávia. O primeiro número da Gazeta de Notícias é publicado no Rio de Janeiro.

1876: Início da segunda Regência da Princesa Isabel, aos 30 anos. O escravo negro Francisco é enforcado em praça pública na cidade de Pilar de Alagoas e torna-se a última pessoa a receber a pena de morte no Brasil. É instalado o primeiro telefone no Brasil, na residência de D. Pedro II.

1877: Fim da segunda Regência da Princesa Isabel. A primeira estação telefônica do país é inaugurada no Rio de Janeiro. No Rio surgem os "Pufes", que eram uma espécie de desafio guerreiro entre os blocos, em versos.

1878: A revista O Besouro publica as primeiras fotos da imprensa brasileira.

1880: A Sociedade Brasileira Contra a Escravidão é fundada por Joaquim Nambuco. O tráfico dos escravos entre estados é proibido. No Rio de Janeiro, surgem os primeiros conjuntos de choro.

1881: A legislação eleitoral é reformada. É fundada a Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

1883: Na cidade de Mossoró, na província do Rio Grande do Norte, a escravidão é abolida.

1884: O Ceará é o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura.

1885: É inaugurada a Estrada de Ferro do Corcovado no Rio de Janeiro. É promulgada a Lei Saraiva-Cotegipe, também conhecida como Lei dos Sexagenários, que liberta os escravos no país com mais de 65 anos. Surge o 1º cordão, denominado Flor de São Lourenço.

1886: A Sociedade Promotora de Imigração é criada em São Paulo. A República de Cunani, localizada no atual Amapá, é proclamada.

1887: O Imperial Instituto Agrícola é fundado em Campinas. O Clube Militar é fundado no Rio de Janeiro. Início da terceira Regência da Princesa Isabel, agora com 41 anos. As terras indígenas das aldeias extintas são transferidas ao domínio das províncias.

1888: O Câmara dos Deputados aprova a Lei Áurea. Princesa Isabel assina a Lei Áurea, que liberta os 723.719 escravos negros do país. Abolindo juridicamente a escravidão no Brasil, quando já 95% dos negros tinham conquistado a liberdade por seus próprios esforços. Fim da terceira Regência da Princesa Isabel.

1889: O Colégio Militar do Rio de Janeiro é fundado. Dom Pedro II sofre atentado ao sair de uma apresentação teatral no Rio de Janeiro. A Foz do Iguaçu é descoberta. É feita a 1ª gravação oficial no Brasil (em cilindro), reproduzindo a voz do Visconde de Cavalcanti.

A República do Brasil é proclamada. A Bandeira Provisória da República é usada por apenas 4 dias, inspirada na bandeira dos Estados Unidos da América. Em 9 de Novembro é oficializada a atual bandeira do Brasil. Argentina e Uruguai são os primeiros países a reconhecer a República brasileira. Dom Pedro II chega à Lisboa após o fim do Império brasileiro.

1890: O Jornal da Província, fundado em 1874, torna-se o Estado de São Paulo.

1891: Forte corrente imigratória européia no Brasil. Transferência do carnaval - As autoridades, por razões médicas, tentam transferir o carnaval para junho, por ser uma época mais amena; de nada adianta; fica em fevereiro mesmo. No ano seguinte tentam novamente mas não conseguem.

1892: No carnaval desse ano surgem as serpentinas e confetes, vindas de Paris.

1894: Charles Miller, paulista filho de imigrantes ingleses, traz o futebol para o Brasil. No Rio é inaugurada a Confeitaria Colombo.

1895: No carnaval desse ano surgem as "Línguas de sogra". Em São Paulo é inaugurado o Museu do Ipiranga.

1896: Guerra dos Canudos - Levante de Antônio Conselheiro em Canudos. No Rio é fundado, por Candinho das Laranjeiras, o cordão "Filhos da Primavera".

O Brasil colônia que manteve-se assim como apenas uma fonte a ser explorada por 300 anos subitamente é alçado a sede tropical de governo do que restava de um pequeno reino europeu... Toda a máquina legal e administrativa, num piscar de olhos deve ser inplantanda sem que haja mao de obra especializada para condução da sua gestão e também da sua operação. Tudo deve ser adaptado sem especialistas... ou seja, um projeto errado e uma obra equivocada. Soma-se a isto uma escravidão por um lado economica, pois negros conseguem na sua maioria a alforria por compra direta, e pelo lado social a segregação entre os portugueses vinculados à corte e o resto do país.

O Brasil Império representa, enfim, o nascimento real de um pais minimimamente organizado geo-politicamente, em todas as usas virtudes e principalmente em seus pecados sociais, políticos, econômico e culturais. Pois os destinos daqueles que aqui habitavam havia 300 anos foram subitamente determinados por uma família real decadente, fugitiva de um conquistador e por uma precária estrutura administrativa subordinada a despreparados ou pouco interessados no futuro imediato da nação.

1900

Estamos no ano de 1900, último ano do século 19. Neste ano comemora-se o Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil. A População Brasileira de acordo com o 3º censo conta 17.318.556 habitantes, sendo 7% estrangeiros e em torno de 10 milhões de ex-escravos. Cada casal brasileiro tem em média 6 filhos. O Brasil ganha a disputa com a França pela posse do Amapá.

É organizado o 1º time de futebol do Brasil, o Sport Club Rio Grande, RS. O 2º é a Associação Atlética Ponte Preta, em Campinas, São Paulo.

Um comerciante de produtos fonográficos, em exercício no Brasil desde 1891, o tcheco naturalizado norte-americano, Fred Figner, funda a casa Edison, a 1ª especializada neste ramo de negócios.

As músicas executadas não tem qualquer sentido carnavalesco. As que tem, raras as exceções, são relativamente pobres. O que povo canta e dança, até meados de 1916, é basicamente o mesmo que predominava até o fim do século XIX, ou seja: valsas, modinhas, cançonetas, canções folclóricas, cantigas de roda, hinos militares, quadrilhas, xotes (“schottisch” - dança húngara) ou polcas.

Composta no ano anterior, Ó abre alas, marcha-rancho de Chiquinha Gonzaga, é a música que o povo canta febrilmente no carnaval.

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I Dig it 062a (Parte 1)

Hoje é dia de Podcast Impressões Digitais em sua edição 62 - versão Compacto Duplo.

PARTE 1

Lado A: Norma (Sinfonia)  de Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini

 

INTRO:

Na seção Homo Sapiens do Impressões Digitais Versão Acústica, vou abordar os acontecimentos do século 19, neste que é o quinto de sete episódios da série Estórias da História do Brasil.
Esta série - originada por uma provocação do curitibano Renato Castilho do podcast Viver Digital - tenta contrapor algumas facetas da realidade histórica brasileira  com a dos países dominantes em cada século, e assim, quiçá, identificar quais fatores contribuíram para a formação de nossa estrutura tupiniquim europeizada. Na realidade estou esboçando o ambiente histórico no qual se formou o nosso brasilzão-véio-de-guerra.
Para eu poder falar sobre o complexo século 19, onde uma colônia abandonada passa a ser reino e vira império, tenho que refazer o caminho histórico desde o século 15...

Século 15:
No reinado de D. João I, lá pelo início dos 1400, Portugal era um reino isolado, independente, com uma população estimada em pouco menos de 500 mil almas. Não é preciso muito esforço para presumir o que ocorria numa sociedade ainda Medieval: faltava tudo... o que você imaginar faltava.
Nas cidades geladas os legumes são extremamente raros, a beterraba é desconhecida, inexiste café, cacau, chá. Portanto, uma dieta de peixe seco ou carne salgada e algumas raízes durante todo o ano. Eis então que começam a chegar à Europa as especiarias do Oriente. Pimenta e cravo da Índia para transformar o gosto da carne. Canela, noz-moscada, gengibre, benjoim e aloés para enriquecer o sabor dos reduzidos acepipes. Sândalo, resinas aromáticas para opor à pestilência das ruas.
Com a conquista de Ceuta em 1415 no Norte de África, inicia-se a buscada expansão portuguesa. Esta conquista infelizmente, não resolveu os problemas de acesso às rotas comerciais. Os Mouros, simplesmente desviaram as rotas do ouro e das especiarias para outras cidades. A Conquista de Ceuta foi um total insucesso econômico.
Após este insucesso, o Infante D. Henrique, organizou as primeiras viagens de descoberta ou conquista e domínio. Até 1460, os Portugueses “descobriram”, o arquipélago da Madeira,  o arquipélago dos Açores e a Costa africana até à Serra Leoa. Em 1434, Gil Eanes dobra o Cabo Bojador ao sul das ilhas Canarias nas costas do Saara Ocidental.
E essa maluquice toda valia a pena? Do início do século XVI temos a seguinte avaliação: um quintal (cerca de 46 quilos) de cravo da Índia custa 2 ducados nas ilhas Molucas (perto da Nova Guiné), 14 ducados em Malaca (Malásia), 50 ducados em Calecute (India) e 213 ducados em Londres. Com este progressivo aumento de preços, conforme se vai marchando de leste para oeste, poderia haver melhor negócio do que abrir caminho alternativo para o comércio direto das especiarias?

Século 16:
O pau-brasil, os papagaios, os degredados, aventureiros, escravos e mestiços, todos abandonados à sua sorte condensam a obra da coroa portuguesa nas primeiras décadas do século 16 no Brasil.
Quase 50 anos após Cabral é que um representante da coroa, instala-se na Bahia, isso porque outras nações européias ameaçavam tomar por ocupação as terras, até então, quase abandonadas por Portugal.
A política desinteressada da Corte, a distribuição das donatarias dentre aventureiros descartados dos negócios com o rico Oriente, conformou os posteriores senhores das terras, ex-comandados destes donatários também distantes e desinteressados das suas terras, que juntamente com o imenso latifúndio, com o catolicismo ampliado pelas ações da contra-reforma, a monocultura da cana-de-açúcar, e a mão-de-obra escrava e tráfico negreiro, formaram parte de um complexo sócio-econômico, que acabou definindo a vida brasileira por quase quatro séculos, sendo a gênese da estrutura social fortemente hierárquica, dependente e imensamente desigual que nos acompanha.

Século 17:
O Brasil, mesmo sob domínio de Espanha por quase meio século, teve sua identidade portuguesa  definitivamente consolidada. A expansão do poder eclesiástico na colônia e a miscigenação das raças americanas, européias e africanas foi profunda e tornou-se irreversível, e enquanto a colônia sobrevive aos ataques dos indígenas, às rebeliões e fugas dos negros, às pestes e epidemias - enquanto arranca da cana a principal e quase única riqueza de suas extensas terras - na Europa, mesmo turbulenta, as ciências e as artes encontram seus grandes mestres.
Na América latina, mais especificamente no Brasil os jesuítas, apesar de não concordarem com a escravidão dos indígenas, defendem ferreamente a escravidão dos africanos, e conseguem implementar toda a agenda católica de co-gestão do poder atuando na dominação catequista e social da colônia.

Século 18:
O século emerge com as descobertas de riquezas minerais. Se por um lado, durante todo o século 18 mais de 6 milhões de escravos são comercializados, por outro o Brasil torna-se o maior produtor mundial de diamantes e ouro. Enquanto isso no hemisfério norte a partir de 1750 há um impulso nas ciências, na estrutura industrial e na geo-política das outras nações européias com reflexos diretos em suas colônias espalhadas pelo mundo, todas elas determinantes para a consolidação da Revolução Industrial do século 19.

HOMO SAPIENS (ou Timeline):
1801: Quando o Tratado de Badajoz é assinado entre Portugal, Espanha e França, forçando o fechamento dos seus portos aos ingleses.
1803: A circulação de ouro em pó é abolida nas capitanias brasileiras.
1807: A Família Real Portuguesa sai de Portugal por causa da invasão eminente de Portugal pelas tropas de Napoleão.
1808: Chega a família real em Salvador. O Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas é promulgada pelo príncipe regente Dom João. Em maio D. João declara guerra à França, invadindo a Guiana Francesa. Em junho Começa a circular o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, publicado em Londres, Inglaterra. Em setembro no Rio de Janeiro, começa a circular o primeiro jornal impresso no país, a Gazeta do Rio de Janeiro. Em outubro O Banco do Brasil é criado por D. João.
1809: As forças luso-brasileiras ocupam a Guiana Francesa até 21 de novembro de 1817. 1810: A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro é criada.
1811: A Real Biblioteca é instalada no Rio de Janeiro. O Piauí é elevado à capitania autônoma.  Um armistício estabelece a retirada das tropas portuguesas da Banda Oriental (Uruguai).
1812: É desmembrada a Freguesia de São Pedro do Rio Grande do Sul, pertencente ao bispado do Rio Grande, erigindo a Freguesia de Pelotas.
1813: Revolta de escravos para ocupação de Salvador, esmagado pelas forças reais.
1815: Dom João VI eleva o Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves.
1816: D. Maria I morre no Rio de Janeiro e é sucedida pelo princípe D. João VI, então aclamado rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, aos 40 anos. A
1817: Tropas luso-brasileiras ocupam Montevidéu. Eclode a Revolução Pernambucana, em Recife. Quatro líderes da Revolução Pernabucana são executados. O Príncipe D. Pedro de Alcântara casa-se com a Arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina no Rio de Janeiro.
1818: Fim da Revolução Pernambucana. D. João VI proíbe o funcionamento de sociedades secretas.
1819: Os primeiros imigrantes estrangeiros (não portugueses) chegam ao país.
1820: Início da Revolução Constitucionalista do Porto.
1821: Revolução constitucionalista, na Bahia. As capitanias brasileiras tornam-se províncias. O Diário do Rio de Janeiro, o primeiro jornal diário do país, é fundado. Dom João VI regressa a Portugal, chamado pelas Cortes Constituintes, reunidas em virtude da revolução de 1820, deixando seu filho D. Pedro I como Regente do Brasil no Rio de Janeiro. A liberdade de imprensa é decretada pelo Regente D. Pedro I. A Banda Oriental do Uruguai é anexada com o nome de Província Cisplatina. O Ceará adere à Revolução Constitucionalista Portuguesa.
1822:
Dom Pedro I declara que fica no Brasil e José Bonifácio de Andrada e Silva é nomeado como o Ministério do Reino e Estrangeiros. Insurreição pela independência brasileira na Bahia. O governo brasileiro proíbe desembarque de tropas portuguesas. Dom Pedro I extingue sistema de sesmarias de terras. Dom Pedro I ingressa na maçonaria, sob o nome de Guatimozim. 
A 7 de setembro A Independência do Brasil é proclamada pelo Dom Pedro I em São Paulo. Em 12 de outubro: Dom Pedro I é aclamado imperador. Em 1 de dezembro: Dom Pedro I é coroado como Imperador do Brasil.
1823: Batalha do Jenipapo (Guerra da Independência do Brasil): Tropas portuguesas expulsas pelos brasileiros do Piauí. A Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império é instalada no Rio de Janeiro. Desaprovação da independência e desmembramento do norte de Goiás do governo da província, por portaria em junho. Tropas portuguesas se rendem aos brasileiros na Bahia. Fim da Federação do Guanais. No Maranhão, a rendição dos portugueses é declarada. Expulsão das tropas portuguesas da Banda Oriental (Uruguai). Os brasileiros tomam a cidade de Montevidéu.
1824: Em 25 de março é outorgada a primeira constituição brasileira por Dom Pedro I. Os Estados Unidos da América são o primeiro país a reconhecer a Independência do Brasil.  É proclamada a Confederação do Equador, revolta republicana e separatista, em Recife, Pernambuco. Os primeiros imigrantes alemães chegam ao Rio Grande do Sul.
1825: Frei Caneca e outros membros da Confederação do Equador são condenados e executados em Recife. Início da Guerra da Cisplatina. Uruguai declara a independência do Brasil. Portugal reconhece a independência do Brasil. Dom Pedro I declara guerra ao Governo das Províncias Unidas do Rio da Prata.
1826: Dom Pedro I abdica da coroa de Portugal para sua filha, a princesa Maria da Glória, depois rainha Maria II. Proibição do tráfico negreiro ao norte do Equador. Morre a Imperatriz D. Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena. Morre D. Joao VI em Portugal, provavelmente envenenado.
1827: Vitória da Argentina sobre o Brasil na Guerra da Cisplatina. Em 11 de agosto os primeiros cursos de Direito são criados em São Paulo e Olinda. O Observatório Nacional é criado.
1828: O Tratado do Rio de Janeiro é assinado pelo Império do Brasil e Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina), estabelece a independência da República Oriental do Uruguai. D. Pedro I  pela segunda vez casa-se com Amélia de Lechtenberg.
1829: Dom Pedro I do Brasil declara guerra a D. Miguel de Portugal. Dom Pedro I casa-se com Amélia de Beauharnais.
1830: O tráfico de escravos é considerado ilegal. O jornalista Líbero Badaró é assassinado em São Paulo por defender a República.
1831: Dom Pedro I retorna ao Rio de Janeiro. Nomeação de José Bonifácio tutor dos príncipes residentes no Brasil. Dom Pedro I abdica do trono em favor do filho Dom Pedro II. Início da Regência Trina Permanente.  Dom Pedro I volta a Portugal junto com a imperatriz D. Amélia. O Hino Nacional Brasileiro é executado pela primeira vez. Atendendo a pressões da Coroa Britânica, o regente Diogo Antônio Feijó promulga uma lei que estabelece que os escravos que entram no Brasil são considerados livres e devem ser reexportados às custas de quem os trouxer. A Lei Feijó não é levada a sério, sendo considerada por todos apenas uma “lei para inglês ver”. Os escravos continuam entrando por um porto dentro do município de Paraty (Paraty-Mirim), em intenso contrabando que sobe a serra pelo velho caminho em direção às fazendas de café do vale do Paraíba.
1832: Charles Darwin, a bordo do HMS Beagle, chega a Fernando de Noronha.
1833: José Bonifácio de Andrada e Silva é suspenso das funções de tutor de Dom Pedro II, substituído pelo marquês de Itanhaém.

Aqui termina a primeira parte do Impressões Digitais versão Compacto Duplo.

Trilha sonora:
Lado A: Norma Sinfonia (Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini)
Background:
século XV:  Mandadei (anonimo) /Martin Codax; Islamic Chant (Al Quram);  Early church music of Byzantine, Bulgaria, Georgia;
século  XVI: Diferencias sobre la Gallarda Milanesa (A. de Cabezon)/Simone Stella;
século  XVII: The Italian Rant (anonimo);
século XVIII: Armide (Jean Baptiste);
século XIX Quintet In A Major, Opus 114, D667 'The Trout' (Franz Schubert)

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Thursday, November 19, 2009

Durma-se com um barulho desses...

Ou da série: Por isso que esse país é uma piada.

Um grupo cada vez maior repensa e revoluciona as relações de trabalho em um mundo altamente interligado e de acessos globais, onde horários passam a ser regidos por referência GMT.

Abnegados avaliam e desenvolvem modelos funcionais e estabelecem novos meios de relações trabalhistas visando modernizar e minimizar os impactos que a alta tecnologia de comunicação provoca nos processos produtivos, de consumo e de lazer.

Quando o país véio-de-guerra aqui finalmente se candidata a ser um global player merecedor de participar das mesas das grandes economias vem um deputadozinho - mas empossado com um poder representativo fiadamãe de importante - e com a pequenez típica dos populistas e oportunistas da fauna política lota meu email com o seguinte spam:

Em 2003, propus à Câmara um projeto de lei que antecipa para a segunda‐feira a comemoração dos feriados da semana (PL 2756/03). A proposta acaba de ser aprovada na Casa e agora segue para o Senado Federal. Apresentei essa sugestão porque é boa para os trabalhadores, para as empresas e para a economia do País. Primeiro, quero explicar o projeto.

Ele traz para a segunda‐feira alguns dos feriados que caem no meio da semana, de terça a sexta‐feira. A proposta não mexe com as datas tradicionais, como Dia da Paz Universal (1º de janeiro), a Terça‐Feira de Carnaval, a Sexta‐feira Santa, a Independência do Brasil (7 de setembro) e o Natal (25 de dezembro). Esses são especiais e serão guardados no dia da semana em que caírem. A intenção é que os trabalhadores possam se planejar melhor para aproveitar o feriado prolongado. Dou como exemplo, o planejamento da viagem em família, porque tanto os trabalhadores quanto os estudantes terão o sábado, o domingo e a segunda‐feira para descansar. Para as empresas, a medida é importante porque não interrompe a produção semanal.

Quando o feriado cai na terça‐feira, por exemplo, alguns setores emendam e outros não. Isso é muito ruim para o ritmo da nossa economia e para o próprio trabalhador. É importante lembrar que será mudada apenas a comemoração do feriado. A data continua a mesma, com sua importância e seu significado. Se o dia 21 de abril cair na quarta‐feira, por exemplo, ele continua sendo Dia de Tiradentes. Apenas o feriado é que será guardado na segunda‐feira. Muita gente me pergunta sobre as semanas com dois feriados. Neste caso, um feriado fica automaticamente transferido para a segunda‐feira da semana seguinte.

Penso que essa medida beneficiará a grande massa de trabalhadores brasileiros e, também, contribuirá para fortalecer a economia brasileira, que precisa crescer para gerar cada vez mais empregos para nossas famílias.

Agradeço sua atenç ão que muito me honra.

Clique em Descadastre-se caso não queira receber mais e-mails e desculpe-nos pelo eventual transtorno.

A estupidez da proposta beira as raias do absurdo. Alguns comentários:

Boa para os trabalhadores e para economia do país? Hummm... se você recebe o mesmo para produzir menos, se o país gasta mais para produzir menos, isso é bom?! Minha lógica indica o contrário.

O argumento do PL prossegue com uma premissa bem tupiniquim: há feriados de 1ª e de 2ª classes. Afinal FERIADOS maiúsculos são "imexíveis", enquanto que os menorzinhos a gente pode fazer o que quiser...

Se ocorre um feriado no meio da semana (os de 2ª classe, pois lembre-se os de 1ª tão fora da proposta do Exmo. Deputado) e a justificativa é de que ele interrompe o processo produtivo, quebrando os ritmos da economia e da vida, qual a razão de colocá-lo na 2ª? Porque não o coloca no DOMINGO!!! Se é para "manter o ritmo do processo produtivo, se é para contribuir com o fortalecimento da economia, que precisa crescer e gerar mais empregos" BOTA A TURMA P'RA TRABALHAR! Cáspite!

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Tuesday, November 17, 2009

A tênue linha do autoritarismo http://migre.me/bN2M

O fato ocorrido em Cuiabá (leia o texto do link do títiulo senão isto aqui fica sem pé nem cabeça) chama minha atenção pela salada entre blog, jornalismo, legislação, política e bandidagem. Agora se o político tem mais de 100 ações de improbidade administrativa, se o juiz deve seguir uma lei prá lá conflituosa e dela extrair pareceres que resgardem o indivíduo acima do Estado, se os jornalistas em seu meio controlado (empresa a quem prestam serviços) não conseguem emitir sua opinião pessoal e o fazem através do blog, e este é considerado um instrumento fora-da-lei... aí sim a coisa pega, pois o juiz determinou a exclusão de postagens já publicadas!!!

O pior de tudo é que pra ganhar seu $$$$ e defender um (possível) ladrão, o advogado nega que tenha havido censura na decisão do Juiz do caso. "Essa é a versão distorcida pelos blogueiros (ulalá!!! deixaram de ser jornalistas!!!!). O que buscamos foi impedir opiniões ofensivas à honra do deputado." No pedido, a defesa esse advogado afirma que os leitores dos blogs são, "em regra [...], pessoas leigas, induzidas por formadores de opiniões". "Jornalismo sério é aquele cujo objetivo é informar a população dos fatos que acontecem em nossa sociedade e não perpetrar ataques."

Ou seja, quem lê blog é néscio e quem blogueia possui visão distorcida!!! E o Juiz de Direito CONCORDA???? #avapapu (@crisdias™)!!!

Depois perguntam por que considero o judiciário uma imensa e coesa corriola corrupta... 

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DO CÉREBRO AO UMBIGO

ou, Das Futilidades e Dos Repertórios Restritos ao Ego

(a.k.a. #mimimi)

A restrição da capacidade cognitiva causada pelo umbigo é reconhecida por qualquer ser humano que se detenha minimamente à observação das suas ações cotidianas. Nestas, temos os melhores exemplos do que muitos denominam de "umbiguismo". 

Inconscientemente (na maioria das vezes, ou não!) nosso exemplar de ser humano vai tocando sua vidinha social, utilizando esses ego-centrados truquezinhos. Pois, para que haja mais-valia na vilania do Eu é necessário o elemento denominador da equação: o Outro. Afinal, para que serviria meu ego se não houvesse o "outro" para ser confrontado, espezinhado, e esmagado pelas minhas oniscientes e absolutas certezas?! 

Quem muito foca seu processamento social diário na defesa do ego acaba criando uma redoma e realidade pessoal calcada em um repertório defensivo, em um dicionário exclusivo, e por conseguinte, uma compreensão restrita e restritiva, se não distorcida, e completamente desconectada do interlocutor, qualquer que seja este último, pois os "dicionários" não distintos. O Eu não co-relaciona-se com "outros", é auto-apartado de ¨nós".

O que há de paranóico no "umbiguismo" é que o protagonista  atua tanto como algoz como vítima. Uma verdadeira bipolaridade sócio-comportamental.  Enquanto defensor de seu espaço ego-restrito, quailquer menção por mais genérica que seja, ele a toma como afronta a "sua pessoa" e parte para o ataque imediato. Basta um leve aceno à conduta mesquinha de alguém para nosso cotumaz umbiguista alavancar, p.ex., uma peroração sem fim sobre a futilidade das etiquetas e normas sociais, pontuando a cada frase sua independência e desprezo a tudo que se relacione ao tecido social. 

Por outro lado, quando confrontado com uma lógica arguta, com um "outro" argumento extremamente lúcido e preciso na análise das causas e efeitos que levam o umbigo a sobrepujar o cérebro em exemplares da fauna humana, como o nosso  espécime em pauta, pronto! A reação é totalmente previsível: vitimização. No processo de transformar o Outro em carrasco desalmado, ele em um primeiro momento, exige maior clareza na formulação, pois a sua compreensão não foi precisa, "falta-lhe subsídios mais esclarecedores"; buscando no remoer do assunto pontos de suporte para conseguir que se desconectar da arguição inicial. 

No segundo estágio, o " umbiguista" busca desfocar o argumento, e para isso usa técnicas simples: como desdizer o antes afirmado por ele, fazendo uma releitura que invalide o argumento do embate; ou ainda, pinçar aqui e ali palavas soltas, do agora " inimigo", e iniciar novas discussões derivativas beeem distantes do ponto focal.  

E por fim, numa aitude de puro desespero, parte para o confronto aberto, totalmente descabido e destituído de sanidade mental, supoorte lógico e objetivo atropológico. O troll existente dentro daquele coraçãozinho peludo liberta-se e avança, a partir daí, sem controle.

...

Isto tudo traçado nestas rápidas palavras não é novidade para ninguém... Na realidade aprendemos isso na prática, durante nossa infância. Esta "dança cerimonial" faz parte de nossa formação e convívio social, ao menos durante a infância e primeira juventude.

O que tenho notado nas minhas "andanças pela web" é que as midias (ha ha ha ha) sociais, em todas suas vertentes, seja no micro, midi, ou macro blogging, nos games, nos IMs de texto, audio ou vídeo, ou ainda, qualquer outro nome dado para o simples conversar com o seu(s) interlocutor(es), têm potencializado a capacidade de multiplicação e aceitação do " umbiguismo".

Mas, de verdade verdadeira mesmo, o  que mais me espanta nesta proliferação digital do umbiguismo é a evolução para o umbiguismo  grupal... mas isso é assunto para ser desenvolvido em um próximo post.

 

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Monday, November 16, 2009

de leila@ipanema para geisy@uniban

Reproduzo aqui um artigo do 2º Caderno d'O Globo de hoje e que representa muito bem o que anda ocorrendo com a nova geração.

Se a Geisy vai continuar caitituando a "celebridade" oportuna, isso realmente não me interessa. A patuléia que a dará audiência e platéia a personagem merece sobreviver de Ilhas de Caras, Gugus Liberatos, Amaurys Jrs, e quejandos.

O que "pega" é o cerne da ocorrência e aqui esse artigo merece ser lido e as brasas da memória reavivadas...

de leila@ipanema para geisy@uniban

Leila Diniz dá uns toques na garota da minissaia

Geisy, você não me conhece, mas eu soube o que você andou passando. Dei um tempo no sol que eu estava pegando numa nuvem pra te escrever.

Negó seguin. Eu acho que nem se fala mais assim por aí, mas você me perdoa esses cacoetes. Peguei com o pessoal do “Pasquim”, uns jornalistas tarados que bebiam todas nos bares de Ipanema e depois iam para redação explodir a imprensa tradicional. Eles eram duca. Diziam “Eu vou batepatu, patubatê patuapatota”, e é isso que eu vou fazer aqui.

Queria dizer que já passei drama parecido com o teu. Sou uma atriz dos anos 60, a década em que as mulheres começaram a usar minissaias como a que você vestiu na Uniban e os babaquaras não deixaram. Desculpe os palavrões, mas são as minhas vírgulas. Dei uma entrevista praqueles malucos do “Pasquim” e, no lugar de palavrões que eu falava, como “merda”, “pentelho”, “trepar”, essas coisas que hoje passam na novela das seis, eles colocaram uns asteriscos do tipo (*).

O palavrão virou verdade em mim, e quando as coisas são verdade todo mundo aceita. Mas foi uma desgraceira. Só a Dercy Gonçalves falava. Mulher de classe média não dizia palavrão, mulher decente de Ipanema não dizia que podia amar um homem e ir para a cama com outro — e eu disse isso tudo e muito mais no “Pasquim”.

Foi um escândalo. Era o início da ditadura dos militares. Os comunistas acharam que eu era uma alienada, os generais me perseguiram. Mifu de verde e amarelo. Fiquei sozinha, todo mundo atirando pedra e gritando “puta”, como fizeram na Uniban. Da mesma maneira que você chegou a ser expulsa, tive que ir à delegacia assinar um documento jurando que não diria mais palavrão em público. Fiquei escondida em casa de amigos, perdi emprego na novela da Globo.

Foi (*) no (*) de Creuza. Precisei abrir uma butique de batas indianas em Ipanema para sobreviver. Sacumé, Geisy? O negócio é ser feliz. Se você gosta de ir de minissaia atochadinha pra Uniban, continua. Eu escolhia os meus trabalhos pela patota, não queria saber se era filme de arte ou o (*) a quatro. Queria me divertir. Mas vou batepatu. A liberdade da mulher vai ser sempre uma coisa difícil para os outros. Não foi a minissaia nas tuas pernas, foi a caretice de séculos na cabeça deles.

Eu, se fosse você, (*) e andava pra isso. Mas segura o tranco. Isso ainda demora para acabar — e dói. Eu estou te dizendo isso tudo porque li as notícias aqui em cima, no portal de São Pedro, e achei que contar meu caso te ajudaria a entender o drama. Eu acho discurso uma (*) e nunca foi o meu caso. Meu negócio era sair nadando do Posto Seis até o Leme em alto-mar. Mas sei, sofri na pele, que preconceito é pedra dura que nem a do Arpoador. Não morre de uma hora para a outra. Mais adiante vão apedrejar alguma mulher porque ela sentou de perna aberta. Neguinho é (*). Não sei se já te contaram, não ria, mas no meu tempo havia um código para a mulher se sentar como devia, toda bem fechadinha. Trancada. Casava-se virgem, acredita? Moça não dava. Não dizia palavrão. Não ia sozinha ao cinema. Teve um cantor da Jovem Guarda, o Bobby di Carlo, que fez sucesso com uma música chamada “Ela é uma boneca que diz não, não e não”.

Pode rir. As moças dos anos 60 eram como as moças de todos os tempos, e elas queriam o direito de poder dizer “sim, sim e sim” ao que merecesse. Queriam dar, mas estavam proibidas. O padre ameaçava excomungar, o pai dizia que botava para fora de casa, e a mãe era internada depois de passar a tarde inteira gritando “minha filha é uma perdida”. Sofria-se. Eu estava lá. Um dia a alça do meu sutiã apareceu por baixo do vestido, e o meu pai, comunista do Partidão, deu a maior bronca. Disse que eu parecia uma qualquer. Não era mole ser mulher nos anos 60, e, pelo que eu vi acontecer com você, continua não sendo. Eu dizia que cafuné eu topava até de macaco, porque o normal era a mulher apanhar muito. Quiuspa. Quimera. Era barra-pesada. Como eu não estava nem aí, os bocomocos de Ipanema, assim como os da Uniban, me chamavam de “puta”.

Não liguei. Por um lado, vivi a minha vida e, até que o avião caísse na Índia, fui muito feliz. Se servi de exemplo para as outras mulheres, não me importa. A intenção era viver do jeito que eu queria, com os homens que eu escolhia e, cacilda!, não ligar para o que dissessem. Aqui del Rey! Fiz o que me deu na telha. Um dia fui julgada num programa de televisão, e o sujeito disse que eu não tinha o direito de ser mãe, porque era uma prostituta. Chorei muito em rede nacional e, sempre que vejo uma mulher em situação parecida, vítima do eterno rancor de ela ser como quiser ser, eu me solidarizo. Pois é isso, Geisy. Eu estava aqui na minha nuvem, pegando um bronze com o doce canalha do Anselmo Duarte, que acabou de chegar, mas achei que devia te mandar um alô. Ser mulher é (*) e assim vai continuar sendo por muito tempo. Vão encontrar sempre um jeito novo de manifestar o preconceito.

Um dia, eu estava grávida, coloquei o biquíni e fui à praia. Foi um escândalo. Tudo porque eu não usei, como todas as grávidas, uma bata que vinha do sutiã e tapava a barrigona. Barriga daquele jeito era sinal de que tinha havido sexo por ali, e sexo, qualquer de suas manifestações, devia ser escondido. Era pecado, coisa feia. Homens e mulheres, porque elas também jogam muito contra o patrimônio, me chamavam de “puta” em Ipanema. Me contaram que hoje as grávidas botam orgulhosas o barrigão pra fora, mas, naquele início dos anos 70, aquilo foi um pecado que eu, sem querer, eu só queria pegar sol e ser feliz, apaguei da lista de condenações para as mulheres. Agora vejo que continuam inventando novas condenações para a gente.

Eu não queria fazer revolução, queria dar gargalhada com a Aninha, com a Marieta, e namorar muito. Se o teu negócio é minissaia atochada, Geisy, vai nessa. O resto, (*). Beijos da Leila Diniz, e não se esquece de colocar no iPod a música do Jair Rodrigues, ô neguinho assanhado, aquela do “Deixa que digam, que pensem, que falem”. Mete bronca e pega um sol nessas coxas que tu tá muito branquela. Solta a franga, e anota: ser feliz é duca. 

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Wednesday, November 11, 2009

Eureka! Descobri como ganhar dinheiro na Web!!!

 

Na realidade muita gente já deve estar utilizando isso, mas...

eu podia tá roubando, eu podia tá pedindo esmolas ou vivendo de bolsa família, mas não tô aqui pra vender (ao menos a idéia de) um serviço pra lá de útil aos alpinistas sociais da web: 

 

O Personal Social Media Stylist (PSMS)

Você tá mal na foto? O filme anda um tanto queimado? O seu vestidinho rosa pink (pink sim, afinal as mulheres conseguem definir o rosa choque, do rosa bebê, ou rosa desmaiado, e até do rosa brouillard) não faz o sucesso desejado no meio universitário quatrocentão? E você não tem tempo para cuidar do sua vida online? Ora, a sua “social media and digital life” é o nosso negócio! 


Contrate-nos! Afinal seu framework socio-digital é algo muito importante para ser relevado a segundo plano. Garantimos um serviço prá lá de personalizado... para cada segmento digital (Twitter, Orkut, Facebook, Tumbler, GoogleWave, Posterous, et cetera) nós podemos adequar um perfil no tom e profundidade que você desejar, ou ainda, que nossa equipe possa projetar e planejar para que a sua “real life”seja um eterno ir e vir a eventos e passeios patrocinados por grandes empresas sedentas de opiniões de seu perfil online.

 

E como promoção de lançamento não deixe de solicitar seu PSMS COMBO Trial Version: 15 dias grátis!!!

 

Acompanhe e avalie seu perfil com: 1 post diário no Orkut + 3 posts diários no Twitter por 15 dias inteiramente grátis

 

E mais!

 

Você pode escolher o Comportamental Profile dentre as seguintes opções:

  • Miguxo - Plain Miguxês para agitar com a galerinha
  • Geek tecnológico - Only in english
  • Geek lógico - House MD
  • Nerd lógico - Spock
  • M&M - Publicitário cool
  • UNIBAN - universitário tapado
  • Descolado - estagiário de agência de mídias sociais
  • Explendor ao anoitecer - GLBTTDQS&MPDQEPS (Gays, Lésbicas, Bisexuais, Transformistas, Travestis, Drag-Queens, Sado-Masoquistas, Pervertidos-de-Qualquer-Espécie, Padres e Simpatizantes)
  • Programador -

//New profile

#include <hashtag.h>

#include <dominations.h>

#include <stuff.h>

#include <jarfakes.h>

Int pie= 5;

void main(void)

{......ect

}


Não deixe para amanhã, nos procure ainda hoje, seja um formador de opinião na web brasileira e tenha centenas de milhares, milhões de seguidores.

Nada de scripts ou robos... Nós cuidamos do seu perfil


(Nota: possuimos planos empresariais especiais para evangélicos, políticos, herbalife e modelos-atrizes-dançarinas de axé)

 

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Monday, November 09, 2009

Muro do arrimo ideológico

Há 20 anos (para mim "apenas", para muitos de vocês "quase uma vida inteira") sucumbia às porradas, picaretadas ou qualquer outra ferramenta o símbolo concreto de um preceito de duas ideologias antagônicas: O Muro de Berlim (em alemão deve ser um nome pomposo do tipo Berlinetzchfurschöelgüentten - que decepção, vi agora que é só Berliner Mauer).

No auge da Guerra Fria (ou do Medo como alguns a chamavam, pois bastava um doido apertar o botão e tudo certamente iria virar pó radioativo), em março de 1963, logo após a Crise dos Misseis (out/62), foi delimitada uma faixa de terra que corria por parte de Berlim, colocando de um lado os setores controlados pelos aliados e do outro o setor controlado pelos soviéticos.

O que era para ser um bloqueio para controle de acesso para ambos os lados passou a simbolizar o embate ideológico do século 20.

De um lado o Capitalismo do outro o Comunismo. Nem vou entrar na discussão sobre o socialismo e suas variações. Na defesa do status quo só havia dois lados: capitalista ou comunista. 

Essa aberração enraizou de tal modo nas cabeças da massa que até hoje sentimos os efeitos desta falácia, da farsa do poder. O maniqueismo tanto de direita, como de esquerda nunca "deu a menor pelota" para o viés histórico e civilizatório do embate ideológico. O negócio sempre foi o poder pelo poder, foi o de locupletação e domínio das engrenagens financeiras de cada bloco (como diria o Sarney: é u pudê, só u pudê!).

As ideologias estavam podres, assim como o seu símbolo físico, o Muro. Bastou que um monte de gente ameaçasse fazer uma zona em um check point, uma ordem mal interpretada e uma certa letargia oriunda da Glasnost (tá bom, e o bom senso de um burocrata que impediu o uso de armas de fogo), ou seja um pontapé para que ele caísse e assim desmascarasse ambas ideologias.

O socialismo soviético (e junto com ele os europeu) evaporou em poucos anos, o socialismo cubano transformou-se em um museu a céu aberto, e o socialismo chinês - a ferro, fogo e algumas centenas de milhões de burocratas - foi delicadamente adormecido sob uma economia de mercado para lá de controlada.

Por fim, o capitalismo taí, cambaleante por falta de algo melhor, causando sustos e falências colossais a cada década (se bem que nesse sistema, sempre que alguém se ferra um outro se dá bem, né?!).


 

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Friday, November 06, 2009

Notem a sutileza do enooorme rabo (preso) do colunista desta notinha: X>P

O Globo, nov 6, 2009 - "Breno Viola, 28 anos, faixa preta de judô, portador de síndrome de Down, ganhou medalha de bronze no Campeonato Europeu de Judô All, no País de Gales. Ele é atleta bolsista do governo Sérgio Cabral." - Ancelmo Gois

O rapaz não poderia ser JAMAIS bolsista do governo estadual do Rio de Janeiro! Tá maluco!!

Quero ver o "jornalista" plus editor-chefe plus publisher reividicarem a isenção e independência jornalística aqui.

Como sempre digo: você trabalha para um veículo de comunicação? Pois está atrelado ao core business empresarial, ao mainstream do negócio... independência o cacete!

 

 

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