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Friday, February 16, 2007

O que um senhor de quase 50 anos faz neste mundo de Podcasters?




(texto inédito originariamente escrito para outra finalidade em dez/2005)

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Em primeiro lugar - dizendo em alto e bom MP3, AAC, WAV, AIFF ou qualquer outro formato de áudio digital - me divertindo muito!
De cara, muitos irão questionar: "Você não tem mais o que fazer, não?" - E eu respondo: "Tenho, ô se tenho... e muito!" Como profissional "dono do meu nariz" - quem me conhece pessoalmente sabe sobre o quão difícil é esta tarefa, literalmente falando - pai de duas universitárias e workaholic assumido, a simples tarefa de "ajeitar" algumas horas semanais para tocar o projeto Impressões Digitais (http://impressoes.vocepod.com - olha o jabaculê aí geeeeente!!!!) é pedir uma estafa rapidinho ou um belo ataque de ansiedade durante a madrugada vendo os ponteiros do relógio avançando celeremente e tudo o que você deseja finalizar parece estar ainda pela metade.... "Segundamente" - como diria Odorico Paraguaçu (*) - velho é o Brasil com 500 anos!!! Eu sou clássico!

(*) quem não sabe quem é esse personagem de Dias Gomes, merece crer na honestidade política de nossos preclaros deputados e, com certeza, é neto da Velhinha de Taubaté - personagem recentemente "falecida" pelo seu autor, Luís Fernando Veríssimo.

Pois, se qualquer boçal fala o que quer ao vivo e em cores (Não! Não estou falando de políticos - vejam os apresentadores de nossa TV aberta, em qualquer horário), por que um nerd dos anos 70 não pode? 'Tá bão, 'Tá bão... aceito, sou um tanto quanto... ahn, digamos, anacrônico, vá lá. Afinal colecionei tudo sobre os projetos Mercury, Venera, Lunakov e Apolo, estudei e projetei circuítos valvulados com auxílio de régua de cálculo, conheço direitinho todos os LPs "da vaca" e "das bolinhas" do Pink Floyd, e lembro perfeitamente: minha primeira experiência em computação foi a aplicação prática de Lógica Booleana em circuítos "solid-state", os quais combinados atuavam como um computador didático - do tamanho de uma mesa para seis pessoas - e que simulavam exatamente um exemplar da tecnologia de vanguarda (à época, gente...): um chipão de 4 bits, o 4044.
Uau! A "mesa" executava as quatro operações e apresentava os resultados em doze displays de filamento de 3/4 de polegada (LED 'tava a anos de distância ainda)... Cara, saca isso! Uma máquina eletrônica que - somente com uns ajustes mecânicos (é isso mesmo, mecânicos), chamados programas - calculava, fazia contas! Tanto na base 10 e quanto na base 2!! Fantástico!!! Tudo bem que ela não conseguia fazer um décimo do que eu tirava de minha régua de cálculo, mas que era fascinante, ah... isso era. Voltando ao assunto em pauta (não liguem não, pessoas com certa idade são assim mesmo, tergiversam facinho, facinho, desandando a contar estórias e histórias...): Hoje, sendo apenas um geek mais maduro, posso tecer alguns comentários de como vivencio e encaro este diletante meio de comunicação (pelo menos para mim até agora): o podcast. Como assíduo (ok, e antigo) ouvinte de rádio - principalmente dos programas opinativos e de música selecionada - era esperada uma certa atração pelo ineditismo do modelo e das possbilidades deste formato off-line, on-demand, uni-direcional e armazenável que determina um podcast. Apesar do paralelismo midiático entre o podcast e o PY (o pessoal mais jovem desconhece que PY é sinônimo de rádio-amador, um bisavô da internet wi-fi), o aspecto mais alentador desta febre podcasteira é, certamente, a reinvenção - com aporte de uma tecnologia no estado-da-arte e extremamente barata - da CULTURA ORAL PESSOAL. Ou seja, estruturada e diretamente - sem traduções e/ou deformações pela transmissão por terceiros - distribui-se, simplesmente, cultura. Originada por algo íntimo, pessoal, e por princípio, filtrada pela consciência e pela moral do podcaster. Incautos questionarão: “Qual a vantagem desta cultura oral pessoal?” Bem... alguém aí lembra da brincadeira do "telefone sem fio", onde uma frase muito simples era cochichada ao pé do ouvido do vizinho de uma fila de pessoas e retransmitida até o último? Invariavelmente o que chegava lá no fim da fila não guardava qualquer traço de semelhança com a frase original... Não podemos perder de vista que a cultura humana em sua quase totalidade foi transmitida oralmente, de modo bem similar à nossa brincadeira acima, diga-se de passagem. Somente no fim do século XV Gutemberg começou a prensar suas Bíblias... (certo, certo... anteriormente alguns compiladores multiplicaram uns poucos textos aqui e acolá, mas pergaminho, pena de ganso e tinta a base de ferro não possuem grande durabilidade...). E, por favor, não venham tentar provar que hoje em dia temos livros e publicações em profusão transmitindo cultura, quando nosso autor mais vendido é o Paulo Coelho... Esta informação pessoal, oral e empacotadinha (alguém lembra o que siginifica POD em inglês?!) reaviva e impulsiona a tradição humana, fazendo o conjunto podcast+weblog funcionar tal qual uma fogueira ancestral, onde nossos antepassados acocorados em semi-círculo ouviam casos e lendas, cultivavam tradições, trocavam experiências e aprendiam. Criançada, a revolução da Tecnologia da Informação apenas começou.
(Pronto! Agora pode tocar o tema de 2001 - uma odisséia no espaço).

Sérgio Vieira - autor deste artigo era um novato podcaster (quando este artigo foi escrito em Dezembro de 2005), está mais maduro ainda e continua apaixonado pela vida e pela tecnologia.
http://impressoes.vocepod.com
idigitais@gmail.com

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